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Inauguração de Berlim-Brandemburgo adiada

Há três meses, fiz uma postagem contando sobre o novo Aeroporto Internacional de Berlim-Brandemburgo, que será o terceiro mega-aeroporto alemão e seria inaugurado em 3 de junho de 2012, portanto daqui a pouco mais de duas semanas. Seria. No último dia 8 de maio, anunciaram que a inauguração foi adiada por tempo indeterminado, embora o mais provável seja que o novo aeroporto venha a ser inaugurado em outubro de 2012, com quatro meses de atraso e após o término da temporada de férias de verão dos alemães, quando eles baixam aos milhões para a costa do Mediterrâneo (principalmente Espanha, Grécia e Turquia) e para as Ilhas Canárias, e o movimento de charters nos aeroportos alemães é assombroso.

Ao contrário do que se poderia pensar de imediato, o adiamento não teve nada a ver com a atual crise econômica europeia. O aeroporto está prontinho, é moderníssimo e a cidade e o governo alemão estão é doidos para se livrarem do prejuízo de manter funcionando os atuais aeroportos de Tegel (supersaturado e congestionado) e Schönefeld (sub-utilizado), que serão fechados imediatamente após a inauguração do novo aeroporto. Houve alguma pressão política depois que os moradores de Berlim e da vizinha Potsdam, capital do Estado de Brandemburgo, protestaram contra as rotas previstas de aproximação e decolagem, que sobrevoariam áreas densamente povoadas das duas cidades e negariam em grande parte os benefícios em termos de ruído e redução de danos de acidentes de um aeroporto situado na zona rural. Mas esses protestos não foram nada que se comparasse ao que os japoneses enfrentam até hoje no eterno abacaxi político de Narita, e de qualquer modo, as rotas já foram revisadas para se afastarem das duas cidades.

 

Berlim-Brandemburgo: *quase* pronto

 

O pedido de adiamento saiu do Corpo de Bombeiros do novo aeroporto, que achou que seus sistemas não estavam ainda azeitados o suficiente para garantirem a segurança do aeroporto, das aeronaves, dos passageiros e demais pessoas que circularão por ele. Querem mais tempo para reforçar o treinamento do pessoal, testar equipamentos de segurança e revisar procedimentos. Avaliaram que o tempo que restava até a inauguração não seria suficiente para testar tudo e deixar tudo prontinho de forma a garantir a segurança de todos, ainda mais com o aeroporto sendo justamente inaugurado logo antes do período crítico das férias de verão.

País sério é isso aí. Depois das somas estratosféricas que investiram na construção do aeroporto (quase 3 bilhões de euros, na ponta do lápis), do capital político investido, do desgaste sofrido com a oposição dos ecologistas e moradores da região ao novo aeroporto, e mesmo com o altíssimo custo financeiro e político do adiamento, a segurança é levada tão a sério que o Corpo de Bombeiros tem o poder de parar tudo se achar que não pode se responsabilizar pela segurança. Queria ver se fosse aqui, ou até mesmo em outros países desenvolvidos, como a França ou os Estados Unidos – duvido que não dessem um jeito de varrer isso para debaixo do tapete, cruzar os dedos para tudo dar certo e inaugurar o aeroporto assim mesmo, com toda a fanfarra e as fotos dos políticos sorridentes na inauguração tentando capitalizar em cima. O adiamento custará centenas de milhões de euros ao governo alemão e outros tantos mais às companhias aéreas, às empresas que atuam na construção e às que atuarão em Berlim-Brandemburgo. Mas é bom saber que o mesmo país onde décadas atrás a vida humana valeu tão pouco hoje dá mais valor a ela do que a uma montanha de dinheiro ou aos interesses dos políticos. Isso sim, e não um novo e moderníssimo aeroporto, é que é sinal de progresso.

 

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Sobre o Autor

Mineirim de BH exilado em Sampa, ex-informata, atual tradutor técnico, apaixonado por aviões desde o primeiro voo. Adora tititi de aeroporto, cheiro de querosene, barulho de turbina em decolagem. Sabe diferenciar um 737NG de um A320 passando pelo som dos motores. Frustração: não voou no Concorde (mas o viu pousar uma vez).
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