banner livro

Já viu um Chance Vought F4U Corsair de perto? #video

As suas belas asas invertidas de gaivota foram desenhadas primeiramente para operar a partir de porta-aviões, mas assim como alguns pelicanos possuem um problema para pousar, os Corsair a princípio não se deram muito bem nesta tarefa.

rCE5KPm

Na verdade a forma de gaivota na asa ocorreu para solucionar um outro problema de design. O trem de pouso não possuía altura suficiente para manter a hélice sem bater no chão durante a decolagem, e aumentar sua altura faria com que as rodas não coubessem no alojamento (para o tamanho da corda da asa escolhida). Então, “entortar” a asa próximo ao ponto de fixação do trem pareceu a solução mais elegante.

Essa alteração foi muito boa também do ponto de vista aerodinâmico, pois o ângulo em que a asa se juntava à fuselagem era tão bom que não precisava carenar para diminuir o arrasto, o que acabou economizando peso. Porém, a estrutura tinha que ser reforçada para aguentar as cargas, e no final isso acabou ofuscando o ganho aerodinâmico. Ganha de um lado, perde de outro, como tudo na aerodinâmica.

O tamanho do Corsair em proporção a uma pessoa

O tamanho do Corsair em proporção a uma pessoa

O primeiro protótipo voou em 1940, e foi o avião a pistão que ficou por mais tempo sendo fabricado na história americana – 12.571 foram entregues. Na opinião dos japoneses, foi o mais formidável caça americano da segunda guerra. A marinha o classificou com um grau matador de 11:1, ou seja, abatia 11 inimigos para cada um perdido em batalha.

O motor era simplesmente um PW radial double-wasp de 18 cilindros e uma potência no eixo de 2400 HP. Um verdadeiro cavalo.

Apesar das modificações, os pousos em porta-aviões continuavam sendo um problema. Vejam:

Havia problemas no gancho, no trem de pouso, no estol assimétrico – uma asa estolava antes da outra a baixa velocidade e ao aplicar potência para recuperar, ele fazia um tonneau e ..crash!
Todos estes problemas fizeram com que a marinha “passasse a bola” dos Corsairs para os fuzileiros navais, de onde podiam operar de pistas comuns e não de porta-aviões.

Quem finalmente resolveu todos os problemas foram os britânicos, através de várias modificações, incluindo aumento do comprimento da fuselagem, aumento dos ailerons, diminuição dos flaps e mudanças nos motores e uma hélice quadripá (originalmente eram tripás) . Em 1944, já quase no final da guerra, a marinha americana começou a usá-los operacionalmente.

Veja de pertinho.

O barulho dele…ah, o barulho do Corsair é magnífico. Seu apelido era “assobio da morte”. Quer saber o porquê? Veja esse vídeo e ouça a música de seu motor.

Tags: , , , , ,

Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
Topo