banner livro

KC-390, o maior avião brasileiro, o killer app mundial da Embraer

Na próxima terça feira, 21 de Outubro as 11h00, a Embraer fará o roll-out de seu maior projeto aeronáutico até o momento, o KC-390.
Eu tenho chamado o projeto de “killer app”, que é como o pessoal de tecnologia chama aqueles aplicativos que todo mundo quer instalar em seus devices, e acho que isso vai acontecer com o modelo da Embraer.

Talvez os senhores não se dêem conta do patamar alcançado pela tecnologia brasileira quando este avião aparecer nos jornais noturnos na próxima semana. Se tem algo que devemos ter orgulho no país, com certeza é a Embraer. Claro que vão escrever nos comentários que 70% dos equipamentos aviônicos vem dos Estados Unidos e blá blá blá complexo de vira-lata, mas qualquer outro país pode comprar os mesmos componentes e fazer um avião. E por que não o fazem? Porque integrar os sistemas é onde está a verdadeira inteligência, e esta é nacional amigos. Até o software de fly-by-wire será nacional.

Cara, isso é demais cara“, diria Dinho Ouropreto.

Foto: Divulgação Embraer

Foto: Divulgação Embraer

E sabe por que eu tenho tanta certeza que o KC-390 vai ser um sucesso? Porque a própria Boeing decidiu investir no projeto, ao invés de concorrer com ele, é como se dissessem: “vamos tomar uma surra se entrarmos nesse nicho pra concorrer, então vamos ganhar um quinhão ajudando”.

O KC-390 representa para a Força Aérea Brasileira e para a indústria nacional o ápice, o coroamento da nossa capacidade de emitir requisitos e principalmente a capacidade da nossa indústria nacional de desenvolver um produto aeroespacial de última geraçãoBrigadeiro do Ar José Augusto Crepaldi Affonso

Ainda de acordo com o site da FAB, o investimento total no programa foi de R$ 12,1 bilhões de reais, sendo R$ 4,9 bilhões (US$ 2 bilhões ao dólar de hoje) para o desenvolvimento da aeronave e R$ 7,2 bilhões para a aquisição das 28 unidades.
“O KC-390 deverá se tornar a espinha dorsal da aviação de transporte na FAB. Versátil, o avião vai cumprir missões como operar em pequenas pistas na Amazônia, lançar paraquedistas, realizar buscas, reabastecer outras aeronaves em voo, pousar na Antártica e lançar carga em pleno voo, dentre outras.”

Sem comparar, mas apenas para por em perspectiva, o investimento no programa do 787 foi da ordem de 32 bilhões de dólares, o que significa que o sucesso do KC-390 vai trazer retorno para a Embraer muito antes do 787 trazer retorno para a Boeing. Assim como fez com o E-Jet, a pesquisa de mercado da Embraer acertou em cheio com a demanda do avião. Os requisitos da FAB para operação do KC em território brasileiro, vai fazer com que ele seja suficiente para atender qualquer mercado militar do mundo, e mais, pode também atender uma fatia do mercado de logística de encomendas – FedEx, UPS, DHL – podem [entrar na fila] comprar o modelo para levar carga muito mais eficientemente que seus velhos 727.

Foto: Divulgação Embraer

Foto: Divulgação Embraer

O KC (o “K” é de avião tanque, e o “C” de carga) possui umas inovações interessantes, como por exemplo a possibilidade de troca das janelas de observação em pleno voo para missões de busca. Sabe aquelas janelas tipo bolha que o pessoal fica procurando alvos com binóculo e apareceram bastante nas buscas do Air France 447 e do Malaysia MH370? Então, aquelas janelas causam arrasto aerodinâmico e aumento de consumo de combustível. Para resolver o problema, os engenheiros da Embraer criaram um “gizmo” para que o avião decole e siga até a área de busca com as janelas originais, e apenas no momento certo as janelas “bolha” sejam instaladas para a missão.  Não é duca?!

1

Imagem: Embraer

Vão aparecer problemas no início? Claro que sim! É o primeiro que a gente faz baseado em requisitos caramba! Vão surgir diversas dificuldades, e assim como um software sofre upgrades, um novo avião também.

Sempre lembro de uma frase do Ozires Silva (o segundo pai da aviação no Brasil) durante suas palestras, em que ele diz que a Embraer pediu para concorrer no programa FX de modernização dos caças brasileiros, e teve como resposta do Governo:

_Mas a Embraer não sabe fazer aviões supersônicos!

_Sim, mas nós também não sabíamos fazer nenhum avião que fabricamos. Não sabíamos fazer o Bandeirantes, nem o Brasília, nem o ERJ-145, nem o E-Jet…

É isso, é preciso ter visão e inteligência. E eu acredito neste projeto desde 2009 quando foi inicialmente reportado.

Parabéns à Embraer, na terça feira daremos um gigantesco passo no caminho certo do desenvolvimento. Serão 12 mil empregos diretos e indiretos gerados apenas neste programa, então um conselho aos mais jovens: estudem e estejam qualificados quando as vagas surgirem. Não percam o bonde!

Fonte: FAB

Tags: , ,

Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
Topo