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Lockheed Electra L-188

Electra PP-VLB em Congonhas (C) Aviões & Músicas

Electra PP-VLB em Congonhas (C) Aviões & Músicas

PP-VLB em check de motores – Hangar 2 – Congonhas
Para quem se lembra da ponte-aérea Rio/São Paulo antes da entrada dos aviões a jato, reconhecerá esse nariz gordinho do Electra II. Esse avião conseguiu criar uma paixão enorme em quem trabalhou e vôou nele, uma verdadeira escola para todos.
Em determinado momento, a Varig possuía 14 deles na frota, e com o tempo nós da manutenção sabíamos a personalidade de cada um.
É, vocês não sabem, mas os aviões possuem personalidade e também muitas diferenças entre si.
E basta falar o nome (como o Lima Bravo aí da foto) para sabermos quais as características, a história de problemas, as asas mais reforçadas, o cockpit diferente… vários detalhes.
E tem também avião que parece que tem alma e gosta de se divertir com você. Ele dá sempre aquele mesmo probleminha, e não importa se você trocar o sistema inteiro, ele ficará bom por alguns dias e depois aparecerá o probleminha de novo. Eles na verdade são Elas, sempre chamando atenção. Será por isso que os americanos (e outros) tratam seus barcos e aviões por “SHE” (ela)?
É, a Electra era uma nave linda. Ela tinha alguns lugares muito difíceis de trabalhar (como a troca dos apoios da câmara de combustão, em que o mecânico saía totalmente preto de fuligem, como se tivesse trabalhado numa carvoaria) ou será que eram lugares para se treinar os mecânicos na sua arte com as ferramentas? (como frenar os parafusos do bico injetor #5).
Ela foi minha segunda escola depois da escola. Eu tenho mais fotos dela aqui do que qualquer outro avião. E foi com ela que eu cruzei duas vezes o oceano Atlântico em direção ao Zaire (hoje República Democrática do Congo). E resolvi falar dela hoje depois de ler o meu diário dessa viagem de 3 meses, porquê ela foi o motivo da viagem e me protegeu enquanto eu estive lá. E ela me ensinou quais os verdadeiros limites de operação de uma máquina que voa.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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