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MD-80 No Brasil, nas cores da Cruzeiro – Mad Dog

Durante os anos 60, surgiu um avião que se tornou bem comum entre os operadores, o Douglas DC9, em suas séries -10, -20, -30, -40, -50. Famoso na Europa e América do Norte, não chegou ao Brasil. Houve a intenção da VASP em ter DC9, antes mesmo de ter os 737, mas não se concretizou.

No final dos anos 70, surgiu o DC9 Super 80, que posteriormente se chamaria MD80 ou pela sua variante (MD81, MD82, MD83, MD87, MD88). Novamente o avião não compôs nenhuma frota nacional, até que em 1982, a McDonnel Douglas tinha alguns MD80 parados e ofereceu então uma unidade para testes na CRUZEIRO DO SUL e assim apareceu o PP-CJM, o primeiro MD da série a operar em terras nacionais.

O avião voou no Brasil entre Dezembro de 1982 até Março de 1983, com 155 assentos, conforto superior em alguns aspectos aos 737 e 727. Originalmente encomendado pela AEROMEXICO, o avião possuia a parte superior da fuselagem em metal polido, diferenciando-o do restante da frota da CRUZEIRO.

Na fase de adaptação do avião à frota, os brasileiros acabaram fazendo história no simulador nos Estados Unidos, pois os americanos avisavam com destaque de que uma pane introduzida no simulador faria um por um dos pilotos cairem durante os vôos de treinamento, porém os excelentes pilotos da CRUZEIRO, um por um, foram para suas sessões de teste sem passar por nenhum problema.

O avião ficou pronto, com pintura completa da CRUZEIRO (exceção da parte superior em metal polido). O único ponto negativo notado no avião era a pequena capacidade dos porões em razão da grande quantidade de passageiros. O MD82 da CRUZEIRO levava 155 paxs, contra 152 dos Boeing 727 Super 200 da VASP.

o PP-CJM começou a voar, operando principalmente a partir de Congonhas para rotas até Curitiba, Porto Alegre, Buenos Aires, Brasilia, Recife, Fortaleza, Belém e Manaus. Sua passagem na CRUZEIRO foi positiva, com raros atrasos ou problemas técnicos. Então o grupo decidiu comprar seis unidades para a frota da CRUZEIRO, mas uma variação brusca do câmbio abortou os planos. Com a devolução do PP-CJM, jamais um DC9/MD80 operou em favor de uma empresa Brasileira. Mas não deixou de ser uma figura comum em nossos aeroportos.

Na Argentina o MD80 foi e é, operado pela AEROLINEAS ARGENTINAS e AUSTRAL além de outros operadores charters como a DINAR, ANDES e LEAL (FlyAmerica). A Aerolineas atuou com o Mad Dog em vôos regulares e charters envolvendo Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Porto Seguro e Porto Alegre.

Coube à Dinar utilizar o avião massivamente de 1997 até 2002 quando do seu desaparecimento, principalmente em Florianópolis, Porto Seguro, Salvador, Maceió e Cabo Frio. A Dinar também utilizou o DC9 em suas variantes -34 e -41 nos seus vôos para FLN e Bahia. Os MD80 da Dinar eram oriundos de arrendamentos da AUSTRIAN AIRLINES, CROSSAIR e até AEROLLOYD.

A companhia adquiriu de forma fixa para sua frota 2 unidades, uma MD81 matriculada LV-WTY e outra MD82 matriculada LV-ZSU. Estes aviões foram bem presentes no país vizinho, onde é avião amado e idolatrado, com proximidade em fama e prestígio naquela republica tanto quanto o Boeing 737-200. Durante minha carreira, tive oportunidade de trabalhar enquanto agente e supervisor de aeroporto com os MD80 da Dinar e os DC9, eram aviões práticos para o handling pela sua altura em relação ao solo, a escada ventral, que dava uma dinâmica muito boa para os processos de embarque, principalmente em aeroportos desprovidos de pontes de embarque. Seus motores PW JT8-217 eram mais silenciosos que os 737-200 operando por aí, mas de barulho igualmente gostoso de se ouvir.

Quanto ao ímpar PP-CJM, segue o histórico de vida dele:

MSN 419419 LN 1086
Primeiro vôo em 16 de Setembro de 1982 registrado N1005V.

Operou na CRUZEIRO como PP-CJM entre 08DEZ1982 até 13MAR1983 quando foi devolvido para McDonnell Douglas e nesta ficou até 28DEZ1983 registrado N501MD quando foi arrendado como N505MD para a AEROMEXICO. Em 22DEZ1992 foi registrado como XA-SFM pela propria AEROMEXICO, trocou de matricula mais uma vez em 05MAI1995 e assim voou até ser estocado em Junho de 2006 e encaminhado para o desmanche.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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