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Mecânicos que acompanham voo, parte 1

Algumas vezes os mecânicos precisam seguir viagem junto com o avião que vão trabalhar, é o que chamamos de “acompanhar voo”. Isto pode ocorrer por diversos fatores, vou exemplificar alguns:

Digamos que a empresa X fecha um voo charter para St Marteen. Se a X nunca voou para St Marteen, obviamente não vai ter um mecânico lá, precisa então ter alguém a bordo capacitado para, num eventual problema, poder resolver de acordo com os procedimentos da empresa. Geralmente nestes casos, o avião já decola com um “flight kit”, composto de algumas peças e componentes essenciais que se vierem a falhar deixarão a aeronave “groundeada” (termo aportuguesado da palavra “grounded”, ou AOG [aircraft on ground], que significa que a aeronave está em uma condição de manutenção que não pode ser despachada para voo).

Uma outra situação que pode ocorrer é a que eu vou descrever agora, que foi uma missão da qual participei ainda quando era funcionário da Varig.

Como os mais antigos devem lembrar, a Rio Sul era uma empresa “regional subsidiária” da Varig, e estava crescendo muito por volta de 1993/1994. Na época possuia apenas aviões turbohélices (Fokkers 27/50 e Brasilias), mas devido ao crescimento investiu na aviação pesada adquirindo Boeings 737-500. Como nenhum piloto ou mecânico da Rio Sul era qualificado em Boeings, o período de transição foi coberto pela tripulação e manutenção da Varig.

737-500 Rio Sul / PT-SLN

Boeing 737-500 Rio Sul - PT-SLN

Foi a época que eu mais voei na vida! A minha escala era igual a de tripulante, 5 dias acompanhando voo e um de folga. A rota no início era sempre a mesma, decolava de São Paulo (Congonhas), pousava em Londrina, abastecia e decolava para Foz do Iguaçu. Abastecia e voltava de Foz/Londrina/São Paulo. Depois começou a variar um pouco com voos para Porto Seguro, onde aliás, participei do voo inaugural já que naquela época não pousava aviões do porte de um 737 em uma pista tão estreita.

Aliás, lembro bem deste voo, não só por que estava no cockpit olhando aquela tripa de pista lá na frente, mas por causa da informação da torre já durante a final dizendo para ter atenção com cachorro na pista!!!

Bem, mas voltando aos voos para o Sul, apesar de parecer ser uma coisa bem mais legal ficar acompanhando o voo e comendo e bebendo de graça, as coisas não têm só esse lado de glamour. Afinal, o que acontece se der uma pane que você precisa resolver para tirar o avião do local em que não tem manutenção?

Vou contar então uma história de uma dessas panes, mas na parte 2 do texto senão fica muito grande e ninguém lê..hehehe. Aguardem amanhã o próximo capítulo.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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