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Memórias de um Despachante – Parte 1

Por Alexandre Conrado.

Quando comecei em aviação, foi trabalhando como agente de aeroporto! É algo bacana e dinâmico para quem está começando a vida profissional, uma graninha mediana, carga horária de 6 horas e o melhor de tudo: Estar no Aeroporto! E para mim foi mais diferente ainda pois não eram empresas nacionais, mas sim Argentinas!

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Um pool: Dinar + LAPA + Southern Winds! Atenderia aves como Boeing 757, DC9, MD80, CRJ200 e Boeing 737-700. Cada empresa tinha seu jeitinho, a Dinar era uma família, muita união aliada a um serviço de qualidade e tripulações amistosas, não podia dizer o mesmo da LAPA, uma empresa arrogante, frota super nova de 737-700, tripulações nem um pingo simpáticas e por fim a Southern Winds e sua bela frota de CRJ, um serviço de catering maravilhoso e aeromoças lindas e amavéis. Resumo: Não gostava é de atender a LAPA!

Desta época carrego muitas lembranças, carrego amizades até hoje, ironicamente da LAPA só tenho contato com 1 pessoa, que era uma DOV, já da Dinar são várias pessoas e da SW 2 aeromoças. Por conta dessa época também tenho enorme simpatia com a Argentina, o país, a cultura, as cidades, como diria uma frase estampada nos aviões da LAPA: Ser Argentina nos Acerca!

Recordo bem do dia que a LAPA teve problemas com seus 737-700 e acabou enviando um único 757-200 para socorrer o vôo e teve um belíssimo atraso pousando no horário do rush em Porto Seguro, coincidindo com vôos de formandos do interior de SP (adolescentes indomáveis) que ao ver aquele 757 escrito SER ARGENTINA NOS ACERCA começaram a gritar do mirante aberto que o aeroporto possuia na época: VAI ARGENTINO, VAI ARGENTINO, VAI ARGENTINO, parecia um estádio! E a coisa inflamou com os Argentinos soltando cobras e lagartos desde o pátio com direito a gestos e tudo. Quando o avião decolou, o “estádio” veio abaixo AEEEEEEEEEEEEEE! Festa dos Brasileiros com a partida de 230 argentinos.

Outra recordação, essa se repetia todos os domingos pela manhã, quase sempre com o LV-WTY, avião principal da frota da Dinar. Entre 2h30m e 5h30 não haviam vôos do pool e dava até para puxar um ronco na “moita“. Eis que eu acabava indo para o mirante observar os Fokker 100 da TAM, 737-200 da PLUNA, e naquele silêncio surgia no horizonte um avião comprido, emoldurado pelo nascer do sol e suas inconfundiveis inspection lights, suas luzes de inspeção de asa e naceles dos motores, eram 3 e logo depois efetuava o circuito de tráfego, perna do vento e por fim o pouso e o som de reverso que só o MD80 tem, seguido do som agradável durante o taxi, que lembrança! Gostava muito de atender esse vôo e ainda mais quando encontrava amigas como as Comissárias S. Aliukonis, L. Moresi, M. Sanz entre outras e sempre era uma diversão quando o capitão era o Cmte. Papavero ou Cmte. Martinez! Se o vôo atrasasse um pouco aí chovia DC9 com a presença de um DC9-34 e DC9-41 no pátio junto com o MD80.

Essa fase de Dinar, LAPA e SW foi muito importante para mim, inclusive a primeira vez que fiz um pushback na vida foi com um 757 da Dinar e a primeira fonia em um MD81! Era muito bom conversar com os DOVs G. Bonanata e C. Scioscia, inclusive hoje são pilotos comerciais, este último voa E-Jet. Estranho mesmo era a cultura dos Argentinos em cumprimentarem com beijos… sai pra lá maluco, beijo das Argentinas tudo bem, mas dos Argentinos: NOT!

Aprendi muito, e perceberão o quanto esse aprendizado refletiu na parte 2 deste artigo, quando fui trabalhar com Brasileiros, com direito a um “causinho”.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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