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Memórias de um Despachante – Parte 2

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Com o fim da LAPA, restou no pool apenas a Dinar e SW, e a Argentina começava a sofrer o curralito. A empresa que eu trabalhava começou a atender charters nacionais operados pela GOL, VIA BRASIL e NACIONAL. Na verdade o VIA BRASIL foi um único vôo suficiente para ser inesquecivel afinal era um Boeing 727-200 na operação, o saudoso PT-MLM. Já a NACIONAL possuia um par de 737-200 muito bem conservados e a GOL era uma sensação na época. Mas para suportar a demanda Argentina apareceu um operador com um dos 737-200 mais velhos em operação do mundo, o LV-ZXS, fabricado em 1968 voando desde então sem parar. A sua operadora? CARDINAL Lineas Aereas.

A essa altura a Dinar não tinha mais o LV-WTY, parado para um CHECK D do qual nunca saiu na Irlanda, apoiada apenas nos DC9-41 e DC9-34. A Southern Winds esperava seus Boeing 767-300, que ficaram lindos em sua pintura na época. Nesta coisa de atender avião Argentino e Brasileiro ao mesmo tempo, acabei esquecendo certas traições do idioma castelaño e ao ser questionado sobre a demora de um embarque pelo Cmte.Martinez da Dinar, respondi que estava “embaraçado” com um embarque da GOL… pronto, deu, como sabemos embaraçado é grávido na Argentina e aí este capitão passou a perguntar pelo bebê da GOL pelos próximos meses até esquecer do fato!

Da SW como era mais conhecida, ficou a lembrança de uma empresa focada na excelência e com suas aeromoças lindas (depois descobri que eram recrutadas em desfiles de moda, a formação de comissárias na Argentina é diferente do Brasil), uma delas era muito amiga na época, conversavamos horas por ICQ (wow, quanto tempo! ô ow!) e numa conversa dessas ela falou: terás uma surpresa no vôo hoje a noite chau! 6 horas depois quem aparece diante de mim? A propria! Linda como sempre, queria passear no aeroporto para comprar recuerdos, parou o terminal! Desse encontro existe um broche da SW muito bem guardado, dos 5 anos de vida da companhia aquela época. Conversando com seus comandantes aprendi muito dos CRJ, o qual considero (e lá vem polêmica) muito superior em tecnologia aos ERJ145.

A Cardinal tinha um vôo aos sábados a tarde ou domingos a tarde, dependia da força de vontade operacional da aeronave. Uma vez uma comissária chegou “louca” pedindo para eu comprar CANINHA 51 para ela, não tinha no aeroporto e ela avisou que voltaria no proximo final de semana, ficou radiante com as 2 garrafas que a presenteei. Falando em presente, certa feita de uma tripulação da Dinar ganhei 1 caixa de alfajor, foi alfajor para o mês inteiro! Eu tinha fama lá por tirar atraso em vôo, o que sempre foi uma obssessão.

Com os Brasileiros era bom conversar no idioma nativo, mas não me empolgava tanto como atender os vôos Argentinos. O AUGE dos vôos nacionais foi quando atendi apenas por um final de semana o check-in e pista da empresa do meu coração: VASP! E o destino ainda me presentearia com um fato marcante para mim, quem faria o VASP 4245 daquele domingo? PP-SMA! O primeiríssimo 737-200 da America Latina, inesquecivel, tentei a VASP como mecânico mas não deu!

A época de despachante me ajudou demais a amar mais ainda aviação, a conhecer outras culturas, outros tipos de aeronaves e sobretudo me deu lastro e conhecimento para utilizar anos depois já na TRIP quando criei o F.O.S (que eu farei um artigo ainda…). Com o fim da Dinar e a SW parando os vôos em Porto Seguro, me restou tentar trabalhar em cias nacionais o que não deu certo, encerrando ali meus tempos de Agente de Aeroporto ou como diziam os argentinos: Agente de Trafico! Quando estava no curso de mecânico, fui recrutado pelo meu ex-gerente de Dinar para atender vôos da AeroSur (727-200) e Austral (MD88), mas aí não funcionou, já morava em outra cidade foi apenas um final de semana e minha cabeça já não pensava mais em movimento de trânsito e etc… já tinha outro foco que era a segurança de vôo como mecânico de avião! Desta época também restaram muitas fotografias (como as que ilustraram estes artigos) e eu só iria para casa quando o VASP pousava afinal era raro ver 737-200 da VP em Porto Seguro e fotografava muita coisa bacana!

ZTC - Foto do Autor

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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