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Meu animal de estimação fica confortável quando voa no porão do avião?

Hoje o post é sobre uma pergunta feita ontem a noite via Twitter do @avioesemusicas:

@avioesemusicas Dúvida: Meu cachorro de 2kg não vai poder voar comigo na cabine… os compartimentos de carga viva são seguros/confortáveis?

Bem, a pergunta refere-se a duas condições, segurança e conforto.

Foto: Sandy Robins

Em relação ao conforto durante a viagem, isto depende mais do dono do “pet” do que da empresa aérea. Comece escolhendo uma boa e confortável gaiola que siga os padrões da empresa aérea que você vai voar. É muito importante se informar antes sobre estes padrões, pois já vi pets serem negados em voos de conexão de empresas nacionais com internacionais por causa das restrições de segurança impostas pelas internacionais. Pode parecer “picuinha”, mas por exemplo, no site da United Airlines há informações até sobre o tipo de parafuso que prende a parte de cima da gaiola com a parte de baixo, tudo visando a segurança do pet e do voo. Então, caso você vá fazer conexão com alguma empresa estrangeira, sempre verifique os padrões para evitar aborrecimentos.

Foto: Sandy Robins

A gaiola deve ser ampla pro seu pet se sentir confortável, deve ter um cobertorzinho absorvente com o cheiro dele pra diminuir o stress e recipientes para água e comida (vazios, os funcionários da empresa aérea é que vão alimentar o pet em horários específicos até o embarque). Não vou entrar em detalhes sobre legislação, mas há deveres que devem ser cumpridos pelo dono do Pet em relação a documentação, veterinário, etc, verifique TUDO com a empresa aérea.

Em relação à segurança, posso falar sobre os sistemas de suporte das aeronaves. Os porões de carga onde são permitidos o embarque de animais vivos são aquecidos e ventilados, com a temperatura constante de 21º C (por isso é bom deixar um cobertorzinho disponível pro Pet). Quando um Pet é embarcado, todos ficam sabendo e os pilotos acionam o aquecimento do compartimento (na figura abaixo mostro onde se liga o aquecimento em um Boeing 777)

Durante o voo, o seu pet estará completamente no escuro (e provavelmente vai dormir) e o nível de ruído no porão será bem semelhante ao que você terá na cabine de passageiros. São raríssimas as falhas nesse sistema de aquecimento do compartimento e se houver uma falha no sistema principal, a temperatura pode baixar para até 7ºC, que é bem frio mas não o suficiente para causar um mal maior ao Pet (lembre-se que a temperatura do lado de fora vai estar a -60ºC).

Já ocorreu de animaizinhos morrerem durante o voo, não por falha do sistema, mas por stress, e isso depende de pet para pet ou até de donos que medicam seus animais incorretamente antes do voo, mas repito, estas ocorrências são raríssimas. Para evitar o stress ao máximo, em empresas aéreas Pet Friendly, os Pets são sempre os últimos a embarcar no avião (o pessoal da rampa fica brincando com eles até a hora de fechar o porão) e são sempre os primeiros a desembarcar.

Agora uma história engraçada que ouvi na época que trabalhei na Varig.

Na época de ouro, uma madame muito rica chegando de Paris desembarcou em Congonhas e quando os funcionários da rampa abriram o porão, o cachorrinho da madame foi encontrado morto. Os funcionários se desesperaram, chamaram o supervisor e não sabiam o que fazer, como iam dar a noticia para a Madame. Resolveram então avisa-la que havia um problema na porta do porão e não conseguiriam desembarcar o animal a tempo, mas que ela poderia ir para casa sossegada que eles entregariam o cãozinho depois.

A madame foi então para casa enquanto o supervisor saiu procurando em todas as lojas de animais de São Paulo algum cão parecido com o da Madame para entregar a ela, e conseguiu achar um igualzinho!

Para causar uma impressão melhor ainda, ele mesmo resolveu ir devolver o cachorro para a Madame, e quando chegou lá, todo pomposo, disse: “Aqui está senhora, conforme o prometido, o seu cãozinho, com os cumprimentos do excelente serviço de carga da Varig”

A Madame olhou o cãozinho e disse: “Tem alguma coisa errada moço….”

O supervisor engoliu em seco.

“Quando eu embarquei em Paris (continuou a Madame) o meu cãozinho estava morto, eu apenas o despachei para enterrar aqui na minha mansão”….

Boa semana a todos :)

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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