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Na aviação, o maior perigo é não seguir os procedimentos #acidente

O que você vai ver neste filme acima é um acidente ocorrido com um Boeing C-17 em Julho de 2010. O filme é oficial da Força Aérea Americana (USAF) e por isso os últimos segundos que levam ao impacto foram cortados.

Após as investigações, ficou determinado que erros do Piloto em Comando causou o acidente fatal, porém o relatório aponta também um relaxamento dos oficiais em relação a um modo de voar extremamente agressivo que permitiu por diversas vezes que este mesmo piloto repetisse rotinas perigosas durante shows aéreos.

O acidente, publicado pela Pacific Air Forces Command no dia 13 de Dezembro também faz menções ao acidente com o B-52 a 16 anos atrás, um dos capítulos mais negros da história da USAF, que levou a mudanças e reformas na cultura de segurança aérea militar americana.

Os especialistas em segurança já se debruçaram sobre o relatório detalhando como o C-17, com o codinome Sitka 43, caiu na base aérea de Elmendorf- Richardson no Alaska dentro do primeiro minuto de treino para uma rotina que deveria durar 12 minutos.

Apesar da curta duração, o voo foi longo o suficiente para que o piloto – Major Michael Freyholtz – deliberadamente ignorasse várias regras e procedimentos de segurança, apesar de várias oportunidades que seus colegas e comandantes tiveram para parar o comportamento agressivo de voo dele.

“Lá vamos nós de novo,” disse John Nance, um consultor de aviação da rede ABC News e ex-piloto do avião de transporte Lockheed C-141. “Este acidente vai colocar as demonstrações aéreas de aviões grandes em suspense e eu acho que eles deveriam parar [com os shows]”.

O relatório do acidente descreve Freyholtz como um piloto altamente respeitado por seus colegas, e que havia sido selecionado como o piloto número 1 de demonstrações aéreas da unidade Alaska Air National Guard.

Mas ao procurar sempre “dar um grande show”, Freyholtz havia desenvolvido um perfil de voo inseguro e fora do envelope para o C-17 e repetidamente se apresentou para grandes audiências em 2009 nos EUA quando ele excursionou com os Thunderbirds (esquadrilha americana formada por F-16).

No dia 28 de Julho, Freyholtz e mais três tripulantes – co-piloto Capt Jeffrey Hill, observador de segurança Maj Aaron Malone e o carregador Senior Master Sgt Thomas Cicardo – decolaram em ângulo exagerado, subindo a 40° !! (início do vídeo)

Nos primeiros 10 segundos de voo, dois erros de procedimentos foram executados: primeiro durante a subida brusca, a velocidade da aeronave ficou 33 nós (61km/h) abaixo do mínimo mandatório pela USAF para o C-17 durante a decolagem. Segundo, ao nivelar a 850 pés (260m), outro procedimento quebrado: esta altitude é metade da obrigatória para fazer as manobras. Mas apesar destes erros iniciais, o C-17 não estava ainda sob risco de acidente.

Freyholtz então inclinou a asa esquerda mais de 60° para rapidamente curvar o C-17 para 80° de proa. Para reposicionar a aeronave para uma passagem rápida sobre a pista, ele começou então uma curva para direita de 2.4g, para uma proa de 260°.

Quando Freyholtz inclinou a asa por mais de 60° – ao invés do máximo prescrito pela USAF que é 45° – O C-17 estava 6 nós abaixo da velocidade de stall, o que disparou o sistema de alarme automático de stall (stall warning), incluindo stick-shaker (vibração nos comandos para induzir o piloto a tomar uma ação) e a palavra “stall” repetida diversas vezes nos alto falantes do cockpit.

Freyholtz inicialmente ignorou o sistema de avisos exatamente como havia treinado seus co-pilotos e outros colegas para ignorarem avisos assim durante aquele tipo de manobra, por que eram “incorretos”.

Não está claro no relatório se Freyholtz estava ciente de que o co-piloto Hill havia retraído os flaps antes de começar a curva para 260°, o que removeu uma área vital de superfície de asa para sustentar a aeronave naquela condição de baixa velocidade.

Quando a aeronave entrava em stall profundo, Malone (o observador de segurança) repetiu três vezes a frase: “Watch your bank.” (cuidado com a inclinação [das asas]).

Apesar do C-17 estar em um stall crítico em baixa altitude, a aeronave ainda poderia ser recuperada, mas Freyholtz parecia “bitolado” em completar a curva, diz o relatório. Ele reverteu o movimento do manche para nivelar, mas ao mesmo tempo aplicou pedal esquerdo, o que fez com que o stall ficasse ainda pior e irrecuperável. O C-17, perigosamente baixo, chegou ao solo em segundos.

Apesar de Freyholtz ter sido considerado o principal culpado pelo acidente, os investigadores da USAF também apontaram seus dedos para o comando da tropa.
“Por que ele era um ás da aviação, os comandantes permitiram que ele operasse independentemente e sem nenhuma supervisão”, diz o relatório.

Este é, infelizmente, um bom exemplo de como deixar de seguir os procedimentos pode um dia levar a um grave acidente. Não importa o quão bom você seja no que faz, a atenção em seguir os procedimentos nunca deve ser menosprezada.
Quando você ver um colega seu fazendo um ato que possa comprometer a segurança, procure pará-lo enquanto é tempo. Um dia você poderá perder a vida por causa disso.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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