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Na rota do delírio nordestino da Lapisa

Meus caros, entramos em 2015 e por incrível que pareça, a LAPISA completa 2 anos (rs), infelizmente a inflação prejudicou o preço da Maionese e da Cajuína, reduzindo assim o potencial de viagem da empresa.

Trago neste artigo uma aventura que fiz em Junho de 2014 chamada “Na rota da LAPISA” que consistiu em uma louca viagem, com planejamento mínimo, regada a muito Mixtape do AeM. A missão? Conhecer 2 dos principais destinos do interior da Lapisa no Piauí, as cidades de Floriano e Picos.

Bom, era fim de tarde de sexta-feira, 13 de Junho, entediado na capital pensava se fazia ou não a viagem ao interior, parei no posto para abastecer pois o golzinho alugado já pedia “comida”. Enquanto enchia o tanque, simplesmente plotei no GPS uma rua qualquer em Floriano, PI para guiar a viagem. Havia lanchado no Shopping e então estava “abastecido”. Antes não menos importante, anote o playlist aí: 46 aninhos, Major Tom, 46m47s, sem falar nos tradicionalíssimos Anos 70 parte I e parte II e o When I drive my car, isso aí só do AeM e alguma coisa de forró para o clima regional :) (os mais curiosos pesquisem sobre Gilson Neto e Forró da Brucelose e a bela música Doce Pecado, além de Magníficos, Babysom (Valéria daqui do AeM adora rs).

[Nota do Lito: Alguns mixtapes citados são bem antigos e podem não estar mais disponíveis para download. Farei um re-upload em breve]

 

Enfim, GPS programado (tipo FMC rs), ar gelando, primeira babaquice, saí pra estrada sem conferir pressão dos pneus, decolei pela aerovia BR316 e como nosso país é carente de infra-estrutura descobri que parte dos 12km de rodovias duplicadas que o Piauí possui estão nas entradas/saídas de Teresina, e aí começou a viagem na proa de Demerval Lobão. Vamos recordar que era Junho e então o Forró comia solto nessa região da praça de Demerval Lobão, as margens da 316, mas a proa era Floriano e passamos direto cruzando Lagoa do Piauí, Monsenhor Gil, Água Branca, Angical, Regeneração, Amarante.

Algumas dessas cidades pareciam “fantasmas” de tão “dorminhocas” que estavam, simplesmente ninguém na rua, uma ou outra luz de casa acesa, desde Água Branca eu havia trocado de aerovia para a 343, até chegar na 230 e finalmente aportar em Floriano.

Descobri rapidamente os problemas de uma viagem sem planejamento: Havia uma pane em um dos pneus e o mesmo perdeu muita pressão ao longo da viagem, o que me fez sentir os últimos 100km da viagem com uma certa puxada de “yaw damper”, 15 Psi apenas, por sorte não danificou a carcaça e por mais sorte ainda achei um ÚNICO POSTO aberto à meia noite para calibrar. Outra coisa: quem não planeja não reserva, quem disse que tinha vaga em hotel? Lá fui eu pra Motel (por sinal bem confortável), mas difícil de dormir com o ruído amoroso da vizinhança.

Ao acordar, PASMEM, não aceitavam cartão de crédito em canto algum na cidade, como tomar café da manhã? Tive que ir para um Supermercado, e o carro também queria comer, cadê posto com cartão de crédito? O tiro de misericórdia? Os caixas do BB não aceitavam meu cartão e não havia Itaú na cidade… momentos de tensão. Até que finalmente um caixa do BB resolveu a pane do cartão e no Supermercado eu fiz meu “catering” com aqueles bolinhos Bauducco e Cajuína é claro.

Vamos ao que interessa: Aeroporto de Floriano, batizado de Cangapara, pátio bem interessante, bela pista, afastado da cidade, porém não é “segregado”, ou seja, saguão, lanchonete, sala de embarque, sala de desembarque e check-in são todos na mesma área. Achei muito bom gosto do aeroporto ter um mural com fotos e relatos históricos, bem como maquetes dos aviões que lá operaram como DC3 da REAL e Avro da VARIG, desde 1971 FLB saiu do mapa nacional e apenas durante pouco tempo em 1981 e 1998/1999 esteve no mapa do Regional regular, o último operador do aeroporto foi a cearense TAF e seus C208.

Carro abastecido hora da segunda perna da viagem, conhecer a “região”, o que incluiu uma esticada à São João dos Patos, MA, uma bela cidadezinha e por lá decidi pernoitar pela facilidade de pagamento :). Porém no meio do caminho havia uma placa, havia uma placa no meio do caminho: Guadalupe a 32km, trata-se de uma cidade no PI que tem uma represa que produz energia e a Chesf mantem um aeroporto lá, então caí dentro, só não sabia que os 32km eram de pista de terra, um verdadeiro Paris – Dakar. Resultado? 3 horas para cumprir 32km, haja mixtape no repeat, mas só de ver um Busto de Santos Dumont no aeroporto já me animei.

Decidi voltar “por fora” adicionando 250 km a operação e claro parando sempre para calibrar o pneu (optei por viver calibrando do que por o estepe e em caso de perda do mesmo ficar sem estepe com o pneu em pane como reserva). No domingo de manhã cedo, caí fora de São João dos Quac-Quac, rumo a Picos, via BR230 passando pela cidade de Oeiras, que tem um aeroporto, mas trata-se de uma “parada de ônibus” com uma pista de pouso.

Chegando em Picos direto pelo aeroporto graças ao posicionamento do mesmo, muito bem recebido pelo funcionário da administração local, fiz algumas fotos, curti um calor imenso. Se Teresina é quente, imagine Picos! É uma pena o terminal ser tão pequeno (estimo ser 40% do tamanho do de FLB), e PCS merecia algo melhor pela sua posição econômica. Fui para a cidade, que tem um fato curioso: 100% da frota de transporte urbano é climatizada, enquanto na capital, 0% da frota urbana é climatizada.

Almocei em um Supermercado, ótima comida e rachei fora como se diz em Minas Gerais, pois embarcaria a madrugada de volta a Confins. O retorno via 316 foi tranquilo até digamos a metade do caminho onde o tráfego pesado impedia ultrapassagens e aumentou o ETA em Teresina (THE) imensamente. Chegando em THE ainda fui ver jogo da Argentina com uma amiga, jantar com outras 2 grandes amigas de lá (uma grande produtora de Cajuína rs) e por fim embarcar de volta a BHZ!

Lições da viagem

Uma das coisas mais prazerosas que existem é a pesquisa sobre um plano de negócios, é ver in loco se dá ou não dá. Infelizmente a infraestrutura Piauiense nos terminais aeroportuários é pobre; como uma cidade vive com a maior parte dos estabelecimentos sem cartão de crédito? Como um dos maiores PIBs do Nordeste como Picos tem um pátio que um EMB120 Brasília causaria impacto similar a um 747? Como lição pessoal ficou também a questão da loucura que foi viajar sem planejar. O Sonho da LAPISA vive, e mais uma vez o capital necessário não saiu na mega da virada.

Meu amigo leitor, se tiver oportunidade: bote o carro na estrada! É prazeiroso, pode ter seus perigos, mas conhecer outras culturas, ver a idolatria de um estado ao refrigerante local como é o Maranhão ao Jesus (uma espécie de bubbaloo batido com água no liquidificador, pelo menos é o que achei), a vida das pessoas no interior. Cruzei um vilarejo na proa de Guadalupe, puxa, pessoas na rede tricotando, incluindo meninas novas, meninos correndo com caminhãozinho de madeira, não se vê mais isso na cidade grande. Até as marcas de biscoito na prateleira do mercado são diferente. Se formos falar de ônibus então…

A fé na LAPISA persiste, não com esse nome, não com aquele mapa de rotas inicial, mas a fé de que um C208 Caravan, ao lado de EMB120 Brasília e ATR42/72 podem fazer muito pelo interior do País, afinal qual é a rua principal da cidade? A pista do aeroporto!

Falta só o país acordar para isso, alias acordar para muito mais.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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