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Nada de anormal no acidente da Continental

Os investigadores do NTSB que estão participando do caso do 737-500 da Continental que saiu da pista em Denver no dia 20 de Dezembro revelaram que não houve qualquer falha óbvia em nenhum sistema do avião que teria feito com que ele saísse da pista durante a corrida de decolagem.

O voice recorder (caixa preta) mostra que um dos pilotos pediu para abortar a decolagem depois de ouvir barulhos no trem de pouso, porém a análise do flight recorder sincronizado com o voice recorder mostra que o pedido de abort foi feito DEPOIS que a aeronave havia se desviado para a esquerda. Os barulhos ouvidos no cockpit ocorreram depois que a aeronave já estava saindo da pista também.

De acordo com o comandante do vôo, tudo estava normal durante a corrida de decolagem até que a aeronave começou a desviar para a esquerda da linha central da pista. Os ventos estavam vindo de 290° a 24kts com rajadas de 32kts (vento cruzado vindo da esquerda, já que a proa da pista é 340°). O capitão disse também que fez correções com o leme para manter o eixo da pista e como não conseguiu até tentou com o tiller (volante do steering).

A aeronave sofreu inspeção e nenhum sistema foi encontrado com defeito, o FDR mostra que os motores estavam saudáveis antes do impacto e os reversores foram acionados e funcionaram perfeitamente durante a tentativa de abortagem, assim como os freios.

Dedução inconsequente minha: Ainda falta muito para sair o relatório final do NTSB, mas com o avião em perfeitas condições, sem erro dos pilotos, pista não contaminada e falha em manter a aeronave no centro da pista mesmo com o leme corrigindo só pode significar uma coisa: uma rajada muito forte de vento vindo da esquerda, quase um mini microburst ou windshear, o suficente para não disparar o PWS do EGPWS mas alterar a trajetória com aquela velocidade. Vamos esperar….

Update: Relatório final NTSB

Probable Cause

The National Transportation Safety Board determines that the probable cause of this accident was the captain’s cessation of rudder input, which was needed to maintain directional control of the airplane, about 4 seconds before the excursion, when the airplane encountered a strong and gusty crosswind that exceeded the captain’s training and experience.

Contributing to the accident were the following factors: 1) an air traffic control system that did not require or facilitate the dissemination of key, available wind information to the air traffic controllers and pilots; and 2) inadequate crosswind training in the airline industry due to deficient simulator wind gust modeling.

The safety issues discussed in this report include the pilots’ actions, training, and experience; air traffic controllers’ obtaining and disseminating wind information; runway selection and use; crosswind training; simulator modeling; crosswind guidelines and limitations; certification and inspection of crew seats; and galley latches.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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