banner pneufree.com

Notícias não muito boas para o A-380, mais rachaduras encontradas em elementos das asas

De acordo com o jornal Sydney Morning Herald, mais rachaduras foram encontradas nas asas do Airbus A-380.

De acordo com as informações de anteontem, as rachaduras agora são do tipo 2, e foram encontradas pela Qantas em dois de seus superjumbos no mês passado. A maior empresa aérea da Austrália está considerando acionar a Airbus para ser compensada pelos prejuízos causados por cancelamentos em virtude das inspeções obrigatórias que devem ser feitas ao se encontrar rachaduras do tipo 2 (existe uma AD [airworthiness directive] que deve ser cumprida em toda a frota de todos os operadores).

ADs são documentos emitidos pelo orgão regulador que estão acima de qualquer outro documento do fabricante e devem OBRIGATORIAMENTE serem seguidas.

Inspetores da Qantas encontraram um número limitado (menos de 10) rachaduras do tipo 2 em duas aeronaves. É importante salientar que estas rachaduras realmente não afetam a segurança do voo, embora devam ser reparadas em intervalos que vão requerer uma parada em hangar, o que causa prejuízo aos operadores.

Para ajudar a entender, encontrei alguns desenhos na aviation week que ilustram o que são rachaduras tipo 1 e tipo 2.

Esta é uma foto de uma asa de um A380 sendo inspecionada, cada painel de acesso é aberto para inspeção.

Este é o wing rib foot que requer inspeção pela AD após a descoberta das primeiras rachaduras (com círculo vermelho) e como ele é fixado ao rib (desculpem, não há termos apropriados em português para alguns elementos estruturais).

Agora uma rachadura do tipo 1, que foram as primeiras rachaduras descobertas naquele A380 que teve um motor com falha não contida. A rachadura ocorre no furo do “fastener” (um tipo de parafuso).

O desenho abaixo mostra uma rachadura do tipo 2, que acontece em uma posição diferente do componente. Este tipo de rachadura é que é coberto pela AD.

É claro que este tipo de notícia assusta as pessoas, mas realmente não há um risco para a segurança do voo, pelo simples fato de não ser elemento estrutural primário. E se você tem dúvida da robustez da asa, basta ver o que aconteceu com o A380 da Qantas em Novembro de 2010, em que um disco da turbina do motor fraturou a asa (atravessou de baixo para cima) e a aeronave se manteve voando de maneira íntegra.

Como inspetor, acompanhei várias rachaduras que se desenvolviam e eram reparadas nos Electras da Ponte Aérea, e ele foi o avião mais seguro do Brasil até hoje.

Desenhos e fotos: Doric Asset Finance via Aviationweek.com

Tags: ,

Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
banner livro
Topo