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Novas imagens do belo Terminal 3 de Guarulhos, com posição para dois A380’s

Update: Após a concessão à iniciativa privada este projeto foi abandonado.

A estética das aeronaves é impressionante. Quando a gente se aproxima do universo da aviação, não tem como não se envolver e tentar transpor aquilo para a arquitetura. Foi assim com Florianópolis e, agora, com Cumbica

Declaração do arquiteto Mário Biselli, do escritório Biselli + Katchborian Arquitetos.

A explicação do arquiteto resume bem a inspiração do novo terminal de passageiros do aeroporto de Cumbica, o TPS 3, que não tem outra forma se não a de um avião.

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Com a configuração em finger – assim como os outros terminais do aeroporto -, o TPS 3 é dividido, basicamente, em dois níveis, o de embarque (acima) e o de desembarque (abaixo). Mas há ainda os níveis intermediários e um subsolo de serviços. Acima do nível de embarque está o mezanino superior, que conta com salas VIP, salas administrativas e espaço panorâmico, já entre o nível de embarque e desembarque está o mezanino de desembarque, que é onde os passageiros desembarcam, de fato, antes de descerem ao nível de desembarque, por onde chegam as bagagens e onde se encontra a saída para a “rua”.

A cobertura metálica da edificação, que sugere uma espécie de “nova topografia” ao terreno, é formada por três grandes arcos ligeiramente abatidos. É a partir daí, que se fixam as regras do sistema estrutural da edificação. Enquanto, por um lado, esta cobertura desenha beirais generosos por todo o perímetro da edificação – o que ajuda no controle térmico e permite uma redução significativa do consumo de energia -, por outro, o sistema para a caixilharia será de transparência absoluta, com painéis de vidros claros de baixíssima reflexão – permitindo a entrada de luz natural difusa!

Já aprovado pela Infraero, o novo terminal ocupa o lado leste do eixo definido pela torre de controle e pela central de utilidades, mas a ocupação deste espaço não foi tão fácil: quando desenharam o novo terminal, os arquitetos Mario Biselli e Artur Katchborian tinham o desafio de ocupar racionalmente o “pequeno” espaço (para um terminal) de 230** metros quadrados, que é o que sobrou para ser construído na área aeroportuária.

O tempo também era um vilão na concepção inicial dos arquitetos, afinal, 2014 está aí e, com ele, a Copa do Mundo de Futebol e o aumento do fluxo nos aeroportos brasileiros. A solução foi usar muito material pré-fabricado, como garantia de execução rápida. E, material pré-fabricado, integralmente metálico!

O novo terminal deve atender à demanda estimada de 19 milhões de passageiros/ano – quase o dobro do atendido hoje pelos terminais 1 e 2 juntos! É claro que, para tanto, não só os terminais de passageiros irão expandir, o sistema de pistas também será ampliado. Mas, vale ressaltar que o planejamento da Infraero prevê a conclusão de 40% da obra até o fim de 2013. Com isso, antes da Copa-2014, o aeroporto ganharia um fluxo adicional de 10 milhões de passageiros. O restante fica para depois.

Novo terminal de passageiros do aeroporto de Cumbica, TPS 3
Consórcio MAG: PJJ Malucelli Arquitetura, Biselli + Katchborian Arquitetos – GPA Arquitetura, Andrade Rezende Engenharia
Diretores: arquitetos Paulo José Malucelli, Mario Biselli, Artur Katchborian e João José Malucelli, engenheiros Jefferson Andrade e Luiz Caron
Coordenador técnico geral: arquiteto Marco Antonio Cals

Fonte: Arq!Bacana

** O texto do site Arq!Bacana fala em 230 metros quadrados, mas eu imagino que deva ser 2.300 m2.

Eu gostei do projeto deste terminal, e em uma das imagens há a informação de duas posições para Airbus A380. Espero que tenham levado em consideração o aspecto operacional e de movimentação de equipamentos, tão deficiente no aeroporto atual, assim como os pits de reabastecimento de aeronaves. E como já falei no outro post, tem que ter estrada e metrô pra dar vazão ao aumento do trânsito de passageiros.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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