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O Concorde da minha entrevista

Respondendo a um desses questionários para processo seletivo em uma das escolas que depois viria a trabalhar, me deparei com uma pergunta, digamos, diferente.

Questionamento de número 8, segunda folha da seção About You, página 13 (não tinha como não lembrar de uma entrevista de 5 horas… desumano, né): “O que é bonito pra você? Defina em uma palavra.”

Olha, quando li a pergunta, respondi mentalmente e de imediato: Ricky Martin, rs!

Nããããão! Concorde, pensei em um Concorde, claro! O Concorde é minha definição de belo, logo, essa foi a minha reposta no papel também.

Entrei na escola às 07:30 e saí às 12:30, exausta, obviamente. Nem deu pra sentir a alegria da aprovação para a vaga, tamanho o cansaço. Mal sabia eu, que aquela descrição de belo, me renderia uma grata surpresa. Antes de compartilhá-la com vocês, tenho necessidade de dizer o porquê do meu fascínio pelo Concorde.

Sim, verdade, é preciso de bem pouco para ficar encantada(o) por ela. Ela, ele, o pronome pouco importa neste caso.

Sempre, pelo menos desde que tenho lembrança, tive profundo deslumbramento pelo céu. Quem morasse nele também chamava minha atenção. Então, aos nove anos havia decidido: seria bióloga quando crescesse. Na posição de bióloga, poderia estudar todos os pássaros do mundo, haha! O termo “ornitologia” ainda não me era familiar, okay rs? O feito é que, os birds me levaram aos aviões e, claro, eu amei :).

Quando vi uma aeronave de perto pela primeira vez, fiquei muito admirada. Um pássaro gigante, era o que me parecia e eu queria tocar, falar com ele. Infelizmente, na minha infância e início da adolescência não tive muito contato com quem vivesse no ramo da aviação. Tudo o que conhecia sobre aeronaves era fruto do que passava na televisão e, de alguma coisa que lia em livros. Até que chegou o ensino médio e, consigo, as aulas de Física. Aerodinâmica me impressionava. Pensava comigo: “Eles vão explicar como esse monte de metal se desprende do chão, assim, lindamente… Peraí que essa disciplina merece mais do que a minha costumeira atenção!” Devorei muita leitura voltada à área, inclusive artigos nonsense de uns “especialistas” por aí… Acontece, rs. Estas informações me permitiram conversar com menos temor com quem, de fato, conhecia o assunto.

Um colega, que era amigo do filho do professor de matemática da escola que estudava, o pai do menino, por sua vez, amigo de um grande professor de Física de uma conceituada universidade federal (…e assim criavam-se as redes sociais, hehe), me conduziu ao que chamo de “minha primeira grande conversa” com alguém.

Doutor Guedes – Ex Mecânico de Aeronaves e Professor Universitário pós graduado em Aerodinâmica – era/é O Cara! Esta minha conversa com ele renderá uma postagem um dia :).

Bem, saí daquela Universidade decidida a ser professora de Física ou mecânica de avião (na verdade, eu achava que poderia ser as duas coisas). Voltei a estudar pássaros e dessa vez foquei nas águias. Isso, foi daí mesmo que surgiu a atração fatal pelo Concorde.

É fato, a engenharia aprendeu muito a partir de aves como as águias. Só a título de exemplo: as asas da águia, se muito longas, podem levá-la para fora das térmicas e, por consequência, aquele voo alto no céu não acontece. São as asas também, que oferecem o equilíbrio entre elevação e comprimento. Winglet? Inspiração a partir delas também! Ela – a águia – acaba por enrolar as penas nas pontas para cima, de modo que ficam quase na vertical e, assim, um bloqueio contra o vórtice de voo é criado. Muito bacana, né?

Vamos à surpresa advinda da minha referida entrevista de emprego. Passados 15 dias de trabalho, minha coordenadora me chama à sua sala. Termino minhas aulas e vou. Sou informada de que aquele questionário tinha o objetivo de me avaliar (dããã, claro né, cara coordenadora!) cognitivamente e, acima de qualquer outra coisa, psicologicamente.

Pronto, pensei, constataram que sou doida e incapacitada de lecionar em uma escola regular, haha! “Valéria, você conhece o professor Gurgel, sim?” Pergunta a coordenadora. Só conhecia um professor Gurgel, então, respondi com um sim meio dúbio. “Ele lecionou aqui na nossa instituição por muitos anos, tem uma bagagem muita boa no que diz respeito a postura profissional e, em razão disso, sempre que podia nos ajudava nos processos seletivos da escola. Bem, como você deve ter notado, ele não participou da sua. Mas estava por aqui essa semana e mostramos a ele os questionários que o seu grupo respondeu. Ele me pediu para te entregar isso.” Era um bilhete, folha de rascunho rsrs, com os dizeres:

“Pelo Concorde, há uma boa probabilidade de ser a Valéria que tenho em mente. Caso seja, e se assim desejar, entre em contato. Caso contrário, ignore o recado.

Grato,

Gurgel Pedroza

Telefone: xxxx xxxx“.

Arregalei o olho, peguei o bilhete e saí da sala. Lágrimas caíram no carro.

Tinha certeza que ele sabia do “abalo” que a primeira conversa que tivemos, havia exercido sobre mim. Mas já não estava tão certa quanto a sua ciência da comoção que a lembrança, em forma de bilhete, me causaria. Claro que entrei em contato e o depois dessa prosa, contarei em outra postagem pra essa não ficar longa demais, rs…

Os pássaros me levaram aos aviões, que me levaram a Física. Quando conheci a Física, vi que a ordem era outra, ela me encaminhou aos aviões. E os pássaros? Eles me inspiram a tentar voar mais alto, em grupo ou individualmente. E por falar em voo, que me remete a avião, que me remete a manutenção, rsrs… Começo meu curso de MMA agora em março, pré inscrição já realizada. Tenho somente que esperar o evento mais importante do ano passar, para que as aulas comecem. Afinal, carnaval é carnaval, né? SQN!

“…Mas a poeira é só a vontade que o chão tem de voar.”

 

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Sobre o Autor

Potiguar, Professora. Ama Física, Avião e Música (necessariamente nessa ordem e em maiúsculo). Estudante de Manutenção Aeronáutica.
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