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O lado humano – e emocionante – da aviação


Hoje foi um dia especial para mim, e emocionante.

Eu tive a oportunidade de poder ajudar e acompanhar uma visita ao Boeing 777 da United, planejada pela Infraero, com crianças carentes do “Clube de Mães Girassol” e também adultos do GAPC (Grupo de Assistência aos Portadores de Câncer).

Estes últimos foram os que me deixaram mais emocionado.

Não só pelo fato de estarem ali os voluntários que cuidam dos portadores de uma doença tão grave quanto o câncer, mas pelos próprios pacientes estarem alegres e encantados de simplesmente poderem estar ali.

Eles passavam por mim com um respeito e admiração que eu não sei descrever. Eram pessoas muito humildes.
Pelo PA (alto-falante do avião) eu fiz um pequeno “speech” e perguntei quem estava dentro de um avião pela primeira vez…quase todos levantaram a mão. Daí eu disse que a United estava muito feliz de tê-los por ali, que aquele avião era um Boeing 777 muito moderno e que iríamos servir um lanchinho (que foi cortesia da LSG Skychefs).

Eles aplaudiram, e queriam tirar fotos comigo e com o P. Solarenco (um outro funcionário da UA que estava ajudando). Era como se fôssemos algo mais do que éramos, só por causa do uniforme. Passei entre os assentos para conversar com vários deles, muitos que disseram que tiveram medo até de subir a escada para entrar, quanto mais voar.

Foi incrível, o nosso dia-a-dia que as vezes consideramos tão “sem importância” significando tanto para aquelas pessoas que nós não temos idéia do sofrimento pelo qual passam.

Não estava na programação, mas apesar de serem quase 100 pessoas na visita, eu fiz questão de que todos visitassem a cabine, pois provavelmente não teriam outra oportunidade.

Era muito rápido, de três em três, entravam e se encantavam com “tantos botões” e com telas de “video game”.

E então, um dos últimos a entrar foi um velhinho, com uma grande cicatriz que descia do pescoço pelo peito e com óculos escuros…ele sentou na cadeira do observador (uma cadeira que fica atrás da cadeira dos pilotos, no centro do cockpit) e falou:

Esse era o meu sonho….

Não sei expor em palavras o arrepio que senti ao vê-lo ali, realizando um sonho. Sonho este que não pediu a ninguém para que fosse realizado, mesmo estando ali tão perto.

Foi de cortar o coração, eu só pude dizer que estava muito feliz de ver que ele estava realizando o seu sonho. Uma senhora que entrou com ele me abraçou e pegou na minha mão e pediu para “que todos os santos me protegessem, me dessem muita saúde e felicidade”.

Foi um dia humanamente maravilhoso, humanidade construída dentro de uma máquina maravilhosa que continua encantando e realizando sonhos, tanto de crianças quanto de velhinhos….

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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