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O novo mega-aeroporto alemão: Berlim-Brandemburgo

Atualização (12/04/2013):

Depois que escrevi originalmente esta postagem, a inauguração do novo aeroporto de Berlim-Brandemburgo já foi adiada várias vezes. Na data desta atualização, até desistiram de marcar nova data exata, embora afirmem vagamente que será “no primeiro semestre de 2014″. Tenham isto em mente ao ler o post abaixo, embora eu o tenha editado para refletir essa nova previsão (ou falta de previsão).

Até lá, quem estiver viajando para Berlim deve conferir sua passagem, mas a maioria das companhias aéreas full-service (Lufthansa, Air Berlin, British Airways, Air France, KLM, Swiss, Iberia, Alitalia, Turkish, Delta etc.) e algumas poucas low-cost (como a Germanwings), por enquanto continuam operando no aeroporto de Tegel (TXL), ao norte da cidade e bem próximo do centro, mas sem metrô direto (há apenas ônibus e táxis).

Inversamente, a maioria das low-cost (como Ryanair e EasyJet) e algumas poucas full-service (como Aeroflot, TAP, Aer Lingus e El Al) ainda operam no aeroporto de Schönefeld (SXF), ao sul da cidade, bem mais distante, mas com boas conexões de ônibus e metrô de superfície (S-Bahn) para o centro.

 


 

Daqui a pouco mais de quatro meses, em 3 de junho de 2012, No primeiro semestre de 2014, se não houver mais adiamentos, será inaugurado o mais novo aeroporto da Alemanha, servindo a capital, Berlim. E já não era sem tempo, porque apesar de Berlim ter hoje dois aeroportos funcionando (já foram quatro), nenhum deles é adequado, nem de primeira linha, nem está à altura de uma das cidades mais vibrantes da Europa, um polo econômico e cultural revigorado depois da reunificação e uma das cidades preferidas dos turistas que viajam pela Europa, especialmente os próprios europeus (os demais parecem ainda não ter descoberto essa cidade absolutamente fabulosa – e não sabem o que estão perdendo!).

Berlim foi uma das primeiras grandes cidades europeias a terem um aeroporto e voos comerciais regulares, com o aeroporto de Tempelhof (pronuncia-se têmpel-hôf, com o “H” aspirado e o resultado proparoxítono), inaugurado em 1923 e com um novo terminal inaugurado em 1934 que é uma obra-prima e um clássico da arquitetura moderna (o projeto foi de Albert Speer, o arquiteto oficial do nazismo, mas que apesar de sua afiliação maligna é até hoje respeitado como um gênio em sua área – tanto que até o insuspeito e respeitadíssimo ícone da social-democracia alemã, o ex-chanceler e Prêmio Nobel da Paz Willy Brandt, lutou pela sua libertação da prisão). Tempelhof tinha um projeto muito interessante e ousado, com uma pista de taxiagem circular em volta da pista de pouso (uma segunda pista paralela foi construída na época do Bloqueio de Berlim). No tempo em que os aviões eram menores e não havia jatos nem jet bridges, o embarque e desembarque eram feitos em um imenso hangar coberto, protegendo os passageiros das intempéries. Tempelhof foi um projeto revolucionário, histórico e um dos mais belos aeroportos já construídos, como vocês poderão ver nas fotos a seguir:

 

Aeroporto de Tempelhof, Berlim

Vista atual do ex-aeroporto de Tempelhof no Google Maps. Observem as pistas de taxiagem circulares e, a noroeste (no alto, à esquerda), o pátio e o inovador terminal de Albert Speer. Tempelhof nunca foi usado como aeroporto militar pelos nazistas e por isto foi poupado nos bombardeios de Berlim, embora tenha sido sabotado pelos próprios nazistas no final da II Guerra. Por conta dessa sabotagem, o subsolo do terminal de Tempelhof é alagado até hoje.

 

Terminal de Tempelhof - vista aérea

Dá para acreditar que o projeto deste terminal é de 1934? Notem a área aberta no meio, um inédito hangar de passageiros, onde os aviões a pistão entravam e os passageiros embarcavam e desembarcavam cobertos e abrigados das intempéries.

 

Interior do terminal de Tempelhof

O belo interior modernista do terminal de Tempelhof

 

Berlim também tinha o aeroporto de Gatow (pronuncia-se quase como o português gato, mas com o “O” bem fechado e ambas as vogais mais prolongadas), construído em 1935, mas que exceto por um curto período em 1947-48 em que recebeu voos de passageiros da BEA (British European Airways, que em 1974 se fundiria à BOAC para formar a British Airways), funcionou exclusivamente como base militar (da Luftwaffe até 1945, da RAF depois disso) até ser fechado. Gatow ficava à beira de um lago e por isto também recebia voos de hidroaviões. Continuou em uso como base aérea britânica até 1994, já depois da reunificação, quando foi finalmente devolvido à Força Aérea alemã após 49 anos. Depois disso, a Luftwaffe usou Gatow por muito pouco tempo; já no ano seguinte, a base foi fechada, parte do terreno aproveitada para a construção de edifícios residenciais e parte das duas pistas preservada como museu de aviões antigos.

Depois da II Guerra, Berlim ganhou mais dois aeroportos: o de Tegel (pronuncia-se têguel), no norte da cidade, construído em apenas 90 dias no final de 1948 pelos franceses que ocupavam essa parte da cidade, porque Tempelhof e Gatow estavam sobrecarregados com a Ponte Aérea, e o de Schönefeld (chênefeld, proparoxítono, fazendo biquinho como no francês eux na primeira vogal), local de uma antiga fábrica de aviões desmantelada pelos soviéticos depois da guerra e que passou a servir como o aeroporto de Berlim Oriental.

Como vimos no post sobre a Ponte Aérea de Berlim, nos termos dos tratados do pós-guerra que criaram a divisão de Berlim em quatro setores de ocupação (americano, britânico, francês e soviético) e regulamentaram o acesso aéreo à cidade, somente aviões das quatro potências vencedoras podiam voar para a cidade, com tripulações da mesma nacionalidade do avião e em corredores aéreos estritamente definidos. Aviões alemães ocidentais eram proibidos de sobrevoar a Alemanha Oriental e os de qualquer país que não as quatro potências eram proibidos de pousar em Berlim. Por isto, por exemplo, voos “domésticos” de Berlim Ocidental para Frankfurt ou Munique eram feitos pela Pan Am, enquanto de Berlim para Colônia ou Stuttgart voava-se de BEA (mais tarde British Airways). A Lufthansa não podia nem pensar em sobrevoar a Alemanha Oriental, quanto mais voar para Berlim. A hoje poderosa Air Berlin nasceu nos anos finais da divisão da cidade, mas foi inicialmente registrada nos EUA, como “Air Berlin USA”, para poder operar em Berlim; só depois da reunificação transferiu seu registro para a Alemanha.

Mas Schönefeld, o aeroporto de Berlim Oriental, ficava ligeiramente fora dos limites da cidade, no território da Alemanha Oriental, e portanto essas restrições não se aplicavam a ele. Assim, a Interflug, companhia aérea alemã oriental, podia ter sua base lá. Por razões políticas óbvias, embora pelos termos dos tratados a Aeroflot pudesse voar para Tegel ou Tempelhof se quisesse, também preferia operar em Schönefeld. As poucas companhias de outros países que serviam Berlim (a maioria de países comunistas, mas também algumas ocidentais, como a SAS e a KLM) também tinham que operar em Schönefeld, que oficialmente não ficava em Berlim. Por ficar na zona rural e sem limitações de espaço, Schönefeld também tinha a maior pista: 3600 metros (a maior de Tempelhof tinha 2100 metros e a de Tegel, depois de várias ampliações, 3000). Mais tarde, Schönefeld ganhou uma segunda pista paralela de igual comprimento.

 

Aeroportos de Berlim depois da II Guerra Mundial

Os quatro aeroportos de Berlim depois da II Guerra Mundial. Tempelhof e Gatow estão riscados em vermelho porque foram fechados. Tegel é hoje o principal aeroporto de Berlim, mas em breve será também fechado. Observem que Schönefeld, que atendia a Berlim Oriental, fica ligeiramente fora dos limites da cidade. Por isto, não era sujeito às mesmas restrições dos demais aeroportos e podia receber companhias aéreas de outros países que não as quatro potências, incluindo a Interflug, da Alemanha Oriental. Embora tenha a maior pista, devido às suas instalações antiquadas e à distância é muito sub-utilizado e mais usado pelas companhias aéreas de charter e low-cost, mas está sendo parcialmente aproveitado no novo aeroporto de Berlim-Brandemburgo.

 

Tempelhof tinha uma estrutura um tanto antiquada e as pistas um tanto curtas para os jatos mais modernos, como os Boeing 727 que por muito tempo foram o carro-chefe dos voos da Pan Am e Air France para Berlim Ocidental. Operavam, mas com restrições de peso, pouco espaço para manobras em solo e reclamações quanto ao ruído, pois Tempelhof é quase no centro da cidade. Por isto, as operações foram gradativamente transferidas para Tegel, que tinha pista maior, mais espaço físico e uma localização mais suburbana, sem contudo ser longe demais, até que Tempelhof parou de receber voos civis em 1975 e mais tarde foi definitivamente fechado como base aérea americana, em 1981. Assim, Tegel passou a ser o único aeroporto civil de Berlim Ocidental e Schönefeld o de Berlim Oriental. Tegel foi ampliado e modernizado, e seguiu a tradição da cidade de inovar em projetos aeroportuários, com um novo terminal inaugurado em 1974 no qual o passageiro andava pouco mais de 30 metros entre a calçada e o avião, mais tarde copiado em vários outros aeroportos: por exemplo, Dallas/Fort Worth (embora desvirtuado na prática), Tampa e os terminais 2A a 2F de Paris-Charles de Gaulle.

 

Vista aérea do aeroporto de Tegel, em Berlim

Vista aérea parcial do aeroporto de Tegel, o principal de Berlim até junho de 2012

 

Em 1990, veio a reunificação alemã e só o trabalho que deu para mudar a capital de Bonn para lá e reintegrar os dois lados da cidade causou um aumento enorme no tráfego aéreo para Berlim – fora as novas obras, o tráfego de funcionários públicos e o fluxo turístico aumentado. Tegel ficou supersaturado e já em 1990 tiveram que reabrir Tempelhof por um tempo, para aliviar o tráfego. Mas o poderoso movimento ecológico alemão implicou com o ruído de jatos quase no centro da cidade e as históricas mas acanhadas instalações de Tempelhof não podiam absorver muito movimento, de modo que a saturação de Tegel continuou. Tempelhof reativado nunca teve muitos voos, a maioria deles em turboélices como o Bombardier Q400, por empresas aéreas pequenas e para destinos domésticos pouco procurados, como Saarbrücken ou Münster (uma das poucas notáveis exceções foi a Brussels Airlines, que voava de Tempelhof para Bruxelas no Avro RJ-85). Portanto, a reabertura de Tempelhof não adiantou quase nada para aliviar o congestionamento de Tegel.

Schönefeld tinha espaço de sobra, mas sua infraestrutura aeroportuária, herdada do tempo do comunismo, era antiquada e precária. Ficava longe do centro e o acesso não era lá essas coisas, de modo que os passageiros detestavam viajar por ele. Continuou sub-utilizado e apesar de ter taxas mais baixas para encorajar seu uso, só foi mesmo mais usado por empresas de voos charter e pelas low-cost, como Ryanair, EasyJet ou Germanwings. Enquanto isso, Tegel chegava a operar a 150% de sua capacidade – um caos, e humilhante para um aeroporto que até anos antes se orgulhava justamente de sua rapidez, eficiência e conforto para o passageiro.

A situação era insustentável. É óbvio que era extremamente caro e ineficiente para Berlim manter três aeroportos, sendo dois sub-utilizados, outro supersaturado e nenhum dos três ao nível da cidade ou dos últimos padrões de tecnologia e segurança. Já em 1996, começou a tomar forma o plano do novo aeroporto de Berlim-Brandemburgo, que concentraria todo o tráfego aéreo de Berlim. (Brandemburgo, ou Brandenburg em alemão, é o nome não só dos famosos e belíssimos concertos de Bach, mas da região alemã em volta de Berlim, na qual se localiza o novo aeroporto.) Pela fartura de espaço e pela infraestrutura já existente, Schönefeld era uma escolha natural como local do novo aeroporto, mas seria um engano achar que este seria apenas Schönefeld reformado ou ampliado: na verdade, a maior parte das obras seria totalmente nova e praticamente a única coisa a ser aproveitada de Schönefeld seria uma das pistas.

Como todo novo aeroporto na Europa atualmente, Berlim-Brandemburgo sofreu uma fortíssima oposição dos movimentos ecológicos e o início de sua construção foi atrasado por muitos anos, enquanto vários processos tentando embargar as obras se arrastavam pelos tribunais alemães. Finalmente, uma sentença irrecorrível de um tribunal superior alemão em 2006 deu o sinal verde definitivo e as obras começaram, a um custo estimado em 2,5 bilhões de euros.

A primeira coisa a ser feita foi fechar a pista 07L/25R de Schönefeld, a localizada mais próxima dos antigos pátio e terminal. A pista precisaria ser demolida para liberar seu espaço para a construção da via expressa de acesso ao novo aeroporto e do trem de alta velocidade que o ligará ao centro de Berlim. Como Schönefeld era sub-utilizado, a pista desativada não fez falta nenhuma. A outra pista de Schönefeld, mais ao sul do aeroporto atual e ainda em operação, será a pista norte de Berlim-Brandemburgo. Logo em seguida para o sul, ficarão o novo terminal de passageiros, inicialmente com capacidade para 30 milhões de passageiros por ano (Tegel e Schönefeld juntos atualmente movimentam 24 milhões), mas podendo ser ampliada para 50 milhões em etapas posteriores, e um terminal de cargas com capacidade para 60 mil toneladas anuais, podendo chegar a 600 mil posteriormente. Finalmente, ao sul do novo pátio principal ficará a nova pista 07R/25L, com 4000 metros de extensão.

 

Relação entre Schönefeld e o novo Aeroporto de Berlim-Brandemburgo

Este mapa de Maximilian Dörrbecker, tirado da WIkipédia, mostra a relação entre o antigo aeroporto de Schönefeld (SXF) e o novo aeroporto de Berlim-Brandemburgo (BER). Ao norte, veem-se os acanhados pátio e terminal atuais de Schönefeld e a pista 07L/25R, já desativada e demolida para dar lugar à nova Autobahn, à ferrovia e outras obras. Em cores mais claras, ao sul, as partes totalmente novas do novo aeroporto. Notem o tamanho muito maior do pátio e do terminal, e a nova pista 07R/25L com 4000 metros.

 

O projeto ainda prevê vários imensos complexos de hotéis, edifícios de escritórios e centros de convenções, além de extensas obras viárias e ferroviárias (inclusive trens de alta velocidade diretos para as principais cidades da Alemanha). Após a inauguração, Tegel será imediatamente fechado, sendo em seguida totalmente demolido e o espaço reaproveitado em parques e áreas residenciais. Tempelhof já foi novamente fechado em 2008, apesar de um intenso movimento popular para mantê-lo aberto. Mas devido ao seu valor histórico e arquitetônico, ele não foi, nem será demolido: a área entre as pistas foi mantida como um parque, enquanto o terminal foi preservado como edifício histórico e é usado, assim como o pátio, para eventos culturais. A maior parte do atual Schönefeld será demolida; parte do atual terminal será convertida num terminal VIP para o governo federal alemão, e por isto parte do pátio atual e alguns hangares também serão mantidos, mas obviamente seu uso será muito limitado.

Como Berlim agora passará a ter um único aeroporto, Berlim-Brandemburgo receberá o código BER na IATA, hoje o código genérico da cidade. O código na ICAO será EDDB, já usado atualmente por Schönefeld (hoje SXF na IATA, enquanto Tegel é TXL/EDDT). O nome oficial do aeroporto será Flughafen Berlin-Brandenburg “Willy Brandt”, homenageando o já mencionado ex-prefeito de Berlim Ocidental, Prêmio Nobel da Paz, ex-chanceler e personagem histórico da Alemanha do pós-guerra.

E assim, depois de Frankfurt e Munique, a Alemanha ganhará seu terceiro mega-aeroporto. O país precisa de tantos? Há dúvidas, apesar de Frankfurt continuar saturado e Munique estar com seu movimento crescendo também aceleradamente. Embora todas as companhias aéreas importantes da Europa tenham confirmado operações em Berlim-Brandemburgo, o perfil ainda é mais de voos intraeuropeus e alguns para o Oriente Médio; por enquanto, só há quatro voos de longa distância confirmados: da Air Berlin para Nova York, Miami e Bangkok, e da Hainan Airlines para Pequim. Mas a localização de Berlim torna-a ideal para voos rumo a leste, para a Europa Oriental, Rússia e principalmente Japão e China. Portanto, é possível que de médio a longo prazo, Berlim-Brandemburgo vire um novo hub para ligar a Europa com o Oriente. O tempo dirá. Mas enquanto isso, é certo que Berlim ganhará um belíssimo aeroporto, finalmente à altura dessa cidade incrível, capital e maior cidade do país mais rico da Europa e um dos mais efervescentes polos culturais do planeta.

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Sobre o Autor

Mineirim de BH exilado em Sampa, ex-informata, atual tradutor técnico, apaixonado por aviões desde o primeiro voo. Adora tititi de aeroporto, cheiro de querosene, barulho de turbina em decolagem. Sabe diferenciar um 737NG de um A320 passando pelo som dos motores. Frustração: não voou no Concorde (mas o viu pousar uma vez).
  • Anônimo

    Parabéns Goytá! Mais um fantástico post pra enriquecer esse ótimo blog!

  • Caetano

    Goytá, matou a pau !!!

    Sempre fui avesso aos aspectos culturais tedescos……too cold…..mas você me fez rever os meus pré-conceitos   !!!

    Parabéns

    Balvedi

    • Goytá

      Vá a Berlim na primeira oportunidade e você reverá COMPLETAMENTE seus conceitos sobre os alemães… e sobre muita coisa mais. Berlim tem menos da metade da população de Londres ou Paris, mas se equipara ou ganha das duas em matéria de efervescência cultural – e com um tom muito mais pirado, criativo, alternativo. Você seria capaz de ficar um ano inteiro em Berlim fazendo uma programação totalmente diferente todos os dias e não daria conta de ver tudo. Desde as quatro orquestras sinfônicas (incluindo a Filarmônica, tida como a melhor do mundo), passando pela KaDeWe, a loja de departamentos mais sofisticada do planeta, e um templo grego citado na Bíblia inteirinho em um museu, até raves que duram três dias e performances de vanguarda improvisadas de repente em prédios abandonados e ocupados (antes isso corria de boca em boca misteriosamente em questão de minutos, agora deve ser pelo Twitter), Berlim é uma cidade que pulsa de vida, de criatividade, de energia, de arte. É como se houvesse uma droga no ar dando barato só de respirar e seus neurônios dessem nó e virassem pelo avesso só de estar lá. É uma experiência indescritível e não há quem não se apaixone por aquela cidade única, maravilhosa.

      E mesmo fora de lá, a Alemanha tem seus encantos… Primeiro que só os alemães de até o tempo da guerra correspondem àquele estereótipo. Ou seja, os avós dos alemães que você vai conhecer. Segundo que qualquer possível frieza desaparece depois da segunda cerveja. Até uma cidade de trabalho como Frankfurt tem seus segredos. Por exemplo, Sachsenhausen, o bairro atrás do rio Meno, em frente às ruínas romanas da cidade. Sachsenhausen é cheio de bares, alguns dos quais passando de pai para filho desde a Idade Média, numa boemia sadia, frequentada por todo mundo. E por tradição, os bares de Sachsenhausen não têm mesinhas. Têm mesonas coletivas para 40, 50 pessoas que se sentam em bancos imensos e assim são obrigadas a conversar com quem nunca viram antes. Em cinco minutos você já fez novos amigos, pelo menos pela duração daquela rodada (eu detesto cerveja, então tomei “Apfelwein”, vinho de maçã, outra especialidade local). O astral do lugar é fantástico!

      No dia seguinte, vá curar sua ressaca nas termas de Wiesbaden, usadas desde o tempo dos romanos, a apenas 20-30 minutos de trem de Frankfurt, ou vá um pouco mais longe e fique contemplando o Reno, com barquinhos, vinhedos e castelos em ruínas em Rüdesheim, ou alugue um carro para dar uma volta pelas belas paisagens das montanhas Taunus, ou vá para Heidelberg, a uma hora e meia de trem, uma cidade onde você se sente dentro de um conto de fadas dos irmãos Grimm (com direito a castelo no alto do morro dominando a cidade, com acesso por uma floresta encantada que deve ser cheia de gnomos e uma estradinha de acesso que se chama, apropriadamente, Philosopherweg – “o caminho dos filósofos”, porque é impossível não filosofar caminhando por ele!).

      Vá por mim, a Alemanha é um t… de país! Agora, a Suíça e os suíços… Desses sim, passe longe! Tediosos, bitolados… Sabe aquela música dos Talking Heads que o Simply Red também gravou, “Heaven”? (“Heaven is a place where nothing ever happens…”) A letra daquela música é A CARA da Suíça!

  • http://www.facebook.com/people/Fernando-Roberto/100002647311690 Fernando Roberto

    Fiz um curso na Marinha para a manutenção do sistema X-4000 (leia-se SIVAM) e tive contato com vários alemães e posso dizer: são muito gente boa, adoram uma caipirinha, um churrasco e uma boa conversa!
    Falam muito dos alemães po causa da Segunda Guerra mas outros povos fizeram tanto ou pior que eles e se pesquisarem a fundo verão que nem todos eram assassinos e estavam naquilo por opção!
    Americanos, ingleses, japoneses, franceses, todos fizeram algo parecido com outros povos, então quem somo nós para julgar…
    Abs!

    • Goytá

      É bom lembrar que nós mesmos fizemos um dos maiores genocídios da História, na Guerra do Paraguai (isso sem contar as dezenas de etnias indígenas que simplesmente fizemos desaparecer em cinco séculos). Consta que mais de 90% da população masculina do Paraguai foi morta na guerra. Os poucos homens sobreviventes vagavam de estância em estância para engravidar as mulheres e assim reconstituir a população do país. O governo brasileiro diz que isso é exagero, mas não só está bem vivo na memória dos paraguaios até hoje (a expressão do rosto deles muda quando contam isso – não é de raiva, é de tristeza, aquela melancolia bem indígena), como até hoje TODOS os governos que o Brasil teve – civis, militares, eleitos, ditatoriais, tanto faz – se recusaram a abrir os arquivos oficiais da Guerra do Paraguai para os historiadores e assim não ajudam em nada a desmentir de vez o “exagero”.

      Mas é claro que nada se compara à máquina fria e eficiente de destruição e extermínio dos nazistas. Conheci um casal de judeus poloneses sobreviventes de Auschwitz. O homem tinha o braço tatuado com o seu “número de série” no campo de concentração. A mulher tinha só uma parte do estômago, depois de ter sido cobaia das experiências insanas de Josef Mengele. Os dois superaram em grande parte seus traumas, tiveram e criaram um filho no Brasil, estabeleceram-se como comerciantes prósperos, mas ainda acordavam de noite assustados com pesadelos. Não dá nem para imaginar os horrores pelos quais eles passaram.

      Felizmente para todos, isso é passado e lá deve ficar. A Alemanha tem hoje toda uma população nascida depois desses horrores e eles não podem nem devem ser responsabilizados pelos crimes de seus pais e avós, tanto quanto nós não podemos ser responsabilizados pelo genocídio dos paraguaios. No entanto, me dá mal-estar quando ouço uma piadinha de argentino. Além de eu achar injusto, porque fui muitíssimo bem tratado quando fui lá e tenho amigos argentinos adoráveis aqui e lá, enxergo nisso as mesmas sementes e a mesma porta aberta que, em condições propícias, permitiram que o nazismo aparecesse e florescesse. Somos todos seres humanos, afinal, com os mesmos defeitos e problemas. Que isso nunca aconteça aqui e que nunca abramos nem a mínima brecha para isso entrar.

  • http://www.facebook.com/rndomingues Rodrigo Domingues

    Mais um excelente post, parabéns Goytá!

    E enquanto os alemães, entranhados numa Europa que passa por sérias difículdades econômicas, inauguram novo mega-aeroporto, nós aqui no Brasil, país que é “a bola da vez”, que receberá Copa e Olimpíadas, inauguramos os puxadinhos e ficamos rezando para que o Terminal 3 de Guarulhos e tantas outras obras fiquem prontas na data prometida…

    • Goytá

      Mas não se esqueça que a construção começou antes da crise e já tinha verba alocada. Ademais, a Alemanha não foi tão afetada quanto os outros países, e eles não parariam a obra no meio. Se fosse Grécia ou Itália, aí sim. E é bom lembrar que a Olimpíada, com verbas públicas mal administradas, foi um dos fatores que contribuíram para o déficit público grego e a crise que veio depois.

  • Goytá

    A pouco mais de quatro meses da inauguração, vejam estas fotos que saíram no Planepictures.net mostrando o estado das obras em Berlim-Brandemburgo em 25/01/2012:

    http://planepictures.net/netshow.php?id=1112298
    http://planepictures.net/netshow.php?id=1112299

  • Valéria Melo

    A Alemanha apresenta uma das melhores estabilidades econômicas nessa crise. E, de fato, posso dizer que quase não foi afetada. E quanto a Berlim, ah Berlim…Íncrivel! Talvez seja esta a palavra, mas como o aeroporto é o foco em questão, aqui vai:
    Ei, rapaz…Cê tá ficando lindo, visse?

  • Valéria Melo

    *incrível

  • http://www.facebook.com/filipe.barrozo Filipe E Carol Barrozo

    Mais um excelente post do companheiro Goytá

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100003495088112 Eduardo Ivanovich

    Excelente post. Parabéns.

    E quando eu comprar a passagem para setembro… já será para o novo aeroporto?

    • Goytá

      Jawohl! :-)

      A inauguração será em 3 de junho. Nesse dia, Tegel e Schönefeld serão fechados e já começarão a ser demolidos.

  • Paulo Alves

    Estive neste tal aeroporto TEGEL, Berlim, em novembro de 2012 e achei o aeroporto uma droga! Fui largado no meio da pista e nenhuma indicação decente sobre o setor de bagagem, uma má vontade incrível dos funcionários e só vi gente bufando e reclamando dentro do aeroporto. Levei uma hora e meia para conseguir achar a minha mala. Quanto a cidade de Berlim! Bem, uma cidade insipida e totalmente sem graça! Apenas avenidas largas ladeadas por prédios horrorosos da época comunista. Nunca vi tanto velho na vida, a cidade parece uma clínica geriátrica. O Brasil é de fato um país horrível, destituído de infraestrutura e com uma desigualdade social vergonhosa, mas nada vi de interessante na Alemanha, um país sem vida. Aos que enchem a bola de Berlim,  apenas digo , vão para Madri ou Istambul/Turquia, cidades humanas, vibrantes e cheias de vida.   Paulo Alves.

    • Goytá

      Paulo, você não pode ter estado em Berlim em novembro de 2012, já que isso ainda será daqui a seis meses… Mas eu mesmo falei na postagem que Tegel estava supersaturado e não estava aguentando o movimento. Você sentiu isso na carne. E todo esse movimento tem um motivo: as pessoas vão a Berlim. E como você vê, você está sozinho: todo mundo adora o lugar e quer mais…

      Sinto muito, mas você parece ter ficado mais perdido do que cego em tiroteio e parece não ter visto nada da cidade. Já começa que sua descrição de “avenidas largas ladeadas de prédios horrorosos da época comunista” só bate com uma pequena área da cidade – o velho centro de Berlim Oriental, especialmente a área da Unter den Linden e Alexanderplatz (a área chamada de “Mitte”, que quer dizer “centro” em alemão, mas no caso de Berlim é um nome enganador, porque não é lá que o agito acontece, da mesma forma que o centro de São Paulo não tem mais nada hoje). Mas é nessa mesma área que você encontra a Ilha dos Museus (Museeninsel), na qual dá para passar uma semana. Só o portal de Ishtar da Babilônia e o templo de Zeus em Pérgamo, ambos remontados pedra por pedra no Pergamon Museum, já levam o queixo de qualquer um aos joelhos num “ohhhhhh!” interminável e já valem a viagem. Mesmo em Berlim Oriental, se você fosse para lugares como Prenzlauer Berg, encontraria bairros renovados e charmosíssimos.

      Quer dizer então que você não deu uma voltinha no Tiergarten pensando na vida e comendo um Bockwurst grelhado com salada de batatas da barraquinha de “Imbiss”? Não foi tomar o chá da tarde na KaDeWe, possivelmente a loja de departamentos mais luxuosa do mundo, e depois ver o pessoal bem vestido trotando pela Kurfürstendamm, ambas numa área do lado ocidental que hoje como na época da Guerra Fria é a mais reluzente vitrine do capitalismo mais “decadente” e de comunista nunca teve nada? Não foi ver as últimas novidades da Sony no mega-showroom da Potsdamer Platz? Não foi ver a cabeça de Nefertiti no Museu Egípcio de Charlottenburg, nem a espetacular coleção de arte indiana, chinesa e árabe antiga (sem falar da pré-colombiana) do Museu Etnológico de Dahlem? (É longe, mas Berlim tem um metrô eficientíssimo e facílimo de andar.) Não foi ver o Sans-Souci em Potsdam? (Idem, hoje se vai de S-Bahn.) Não reservou ingressos com antecedência pela Internet para ir ver o Simon Rattle regendo a Filarmônica? (Poderia pegar o lugar mais barato tranquilamente – não há lugares ruins no auditório da Filarmônica, que tem a acústica mais perfeita do mundo; a economia você gastaria nos canapés de caviar com champagne servidos na “lanchonete” no intervalo do concerto…) Não andou no meio da gente pirada de Kreuzberg, com os cafés e livrarias alternativos, como só se via em San Francisco dos anos 60, onde você poderia se informar sobre a performance muito doida (como só se vê em Berlim) que haveria em algum lugar por ali à noite (365 dias por ano), para depois esticar em alguma festa não menos doida até *depois* de o dia clarear (algo que, na Europa, só é possível em Berlim e na Espanha)?

      Olhe, a razão pela qual todo mundo (menos você) adora Berlim é justamente porque é uma cidade incrivelmente “humana, vibrante e cheia de vida” – como poucas no mundo podem se gabar de ser. Um amigo meu esteve no ano passado em Berlim e saiu de lá justamente para Istambul – e adorou as duas, muito diferentes mas com exatamente isso em comum. (Até porque há meio milhão de imigrantes turcos em Berlim, um sexto da população da cidade…) Lamento, mas é preciso estar muito desorientado e não ter feito o dever de casa para não sair de Berlim frustrado por não ter feito nem visto nem metade do que queria. Eu saí de lá assim, e olhe que na época havia muito menos a se ver e fazer do que hoje… Assim que eu puder ir à Europa de novo, Berlim será escala obrigatória e quero ver se desta vez passo pelo menos uns dez dias lá. Menos que isso é muito pouco!

  • Márcia

    Que

  • Marmore2

    Que sorte ter encontrado seublog!Vamos para a Alemanha no fimde maio e suas dicas foram muito úte.Obrigaad e parabésn.
    is

  • Vitor

    Prezado Goytacaz, boa tarde…
    Eu estou em Berlim neste momento…preciso de uma orientação sobre como chegar no aeroporto de Bradenburgo. Meu voo sai as 5:30 horas am e eu queira ir de metrô ou trem. Vc sabe o horário que os trens q vão para a aeroporto começam a funcionar? Qual a linha q eu devo pegar… Desde já agradeço a ajuda…
    Vitor

    • Goytá

      Vítor, meu nome é Goytá, não Goytacaz… Bem, não sei se minha resposta vai chegar a tempo, mas faz 30 anos que estive em Berlim, a cidade ainda era dividida pelo muro na época, e a rede de transportes da cidade foi completamente reformulada depois da reunificação. O aeroporto de Brandemburgo ainda não está operando; a inauguração foi adiada para março de 2013. Então, seu voo só pode sair de Tegel ou Schönefeld (acredito que seja Schönefeld, porque não tenho certeza, mas acho que Tegel, que fica na zona urbana, fecha de madrugada por causa do ruído).

      Se for Tegel (TXL), ele não é servido por nenhuma estação de metrô ou trem; é servido por várias linhas de ônibus, todas com conexões para o metrô, mas não sei se operam tão cedo assim. Consulte o site da companhia de transportes de Berlim, a BVG, em http://www.bvg.de/ . Se você estiver na área central de Berlim (Mitte, Prenzlauer Berg, Pankow, Charlottenburg, Wilmersdorf), um táxi não fica tão caro assim, porque Tegel não é muito longe do centro. Acho que é a melhor opção. Seu voo provavelmente sairá de Tegel se for numa companhia aérea “full-service”, como a Lufthansa, Air Berlin, KLM, British Airways, Air France, Swiss, SAS etc. – elas geralmente operam a partir de Tegel.

      Se for Schönefeld (SXF), as opções de transporte público são melhores, também com várias linhas de ônibus e ainda com a S-Bahn (metrô de superfície) – duas linhas da S-Bahn vão para lá, a S9 e a S45. Porém, mais uma vez, não sei se esses serviços operam de madrugada, e se não operarem, você terá que gastar num táxi – e como Schönefeld é longe, um táxi para lá fica bem caro, a menos que você esteja na zona sul de Berlim (Rudow, Neukölln, Mariendorf, Treptow, Köpenick). A maioria das companhias “low-cost”, como Ryanair, EasyJet e Germanwings, opera de Schönefeld, fazendo que, como ocorre frequentemente, o barato possa sair caro no fim das contas. Algumas “mainline” também operam em Schönefeld, como a Aer Lingus, TAP, El Al e Aeroflot (que por razões óbvias, já operava lá no tempo do comunismo e simplesmente ficou onde estava), mas o grosso do movimento lá é das “low-cost” e voos charter.

      Boa sorte, e depois conte para nós como você se saiu.

  • Pauloroberto S Alves

    Eu quero fazer um reparo em meu comentário, realmente, estive em Berlim em novembro de 2011. E peço desculpas por ter feito um comentário sem base e qualquer fundamento. Eu cheguei a cidade de Berlim debaixo de um frio extremo e a incomodação do aeroporto acabou com qualquer boa vontade que eu viesse a ter com a cidade. Na realidade fiquei na cidade apenas um dia, tendo comido um salsichão na Potsdamer Platz e impossível conhecer uma cidade do tamanho de Berlim em uma tarde! É uma cidade que tem história e é sem duvida uma das mais importantes capitais europeias.Deixei sim de conhecer a elegante Kurfürstendamm ou mesmo o famoso bairro de Kreusberg ou ainda o  famoso shopping KaDeWe. Eu assisti pela internet um filme que retratava a Berlim de 1935, por incrível que pareça o desenho da cidade já era o mesmo de hoje. Um geografia urbana de espaços amplos e o Tiergarten park já estava lá. O nazismo foi uma experiência terrível, entretanto, a tremenda maquina de guerra alemã impressionou o mundo! Eu sou neto de português moro no Rio há décadas, mas sou também gaúcho, uma terra cheia de descendentes de alemães. O seu comentário Goytá foi um incentivo para que eu volte a Berlim! Voltarei em 2014 para conhecer Londres e redescobrir Berlim em longas caminhadas por todos os bairros possíveis.Bicicleta em Berlim é também uma ótima opção. E tenho certeza que vou amar as duas cidades.E torço para que o nosso Brasil, melhore e muito! O Brasil conseguindo ter um dia, a cara do meu amado Rio Grande do Sul, no aspecto social, já será um progresso e tanto! Alemanha! Bem, é outro papo!   Paulo Alves.

    • Goytá

      Tudo bem, Paulo. Se bem que você viu uma coisa que eu não vi: quando estive lá, o muro passava bem no meio da Potsdamer Platz, que tinha sido arrasada pelas bombas da guerra, com todos os prédios depois demolidos por segurança e não reconstruídos, e a praça permanecendo como um sinistro descampado deserto, abandonado e cheio de mato, atravessado pelo muro. Hoje é o que você viu, com alguns dos mais reluzentes prédios da nova Berlim reunificada. Mas vá por mim: vale a pena, e é para passar MUITOS dias explorando a cidade, mesmo. Vale até mais a pena fazer isso em Berlim que em Paris, onde o que você tem que ver é aquilo que está nos guias turísticos, mesmo, mas Berlim tem uma surpresa inusitada em cada esquina.

      Dei uma informação errada na minha primeira resposta: quando estive lá, a Cabeça de Nefertiti ( http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1f/Nofretete_Neues_Museum.jpg/409px-Nofretete_Neues_Museum.jpg ) realmente ficava no Museu Egípcio de Charlottenburg, que foi onde eu a vi. Mas depois soube que o museu foi fechado e todo o seu acervo está agora no Neues Museum (um museu de antes da II Guerra que ficou fechado todos estes anos e foi restaurado e reaberto recentemente) – mais um motivo para visitar a fabulosa Ilha dos Museus, em Mitte (o velho centro da cidade, que ficou em Berlim Oriental no período da divisão da cidade).

      A KaDeWe (“Kaufhaus des Westens”, “Empório do Ocidente”) não é um shopping, é uma loja só, mas imensa e superluxuosa. É uma das maiores lojas de departamentos da Europa, comparável à Harrods de Londres ou às Galeries Lafayette de Paris – mas mais chique que as duas. Dê só uma olhada em http://www.kadewe.de/en/home_english/ .

      Berlim tem mais de 800 anos de idade, mas como a Alemanha é recente como país (até o século XIX, era um mosaico de minúsculos principados independentes, com poucos reinos maiores), Berlim era relativamente inexpressiva até o século XIX, quando a Prússia (da qual ela era capital) emergiu como potência e depois unificou a Alemanha sob seu comando (e do chanceler Bismarck). Como ainda por cima a cidade foi arrasada na II Guerra, não espere ver muita história por lá, pelo menos não como você veria em Roma, Atenas ou Madri: tirando as coleções dos museus (a Nefertiti tem mais de 3000 anos!), quase tudo que você verá lá tem menos de 100 anos, ou no máximo data de uns 150 anos (o que foi anteontem para os padrões europeus). Ao contrário do que acontece na maior parte das cidades europeias, Berlim é um lugar que você visita com olhos não no passado, e sim no presente e no futuro. Você vai lá para sorver contemporaneidade, modernidade e até vanguarda – nisso, ela é única e imbatível, e é justamente o que a torna tão fascinante.

      No mais, aconteceu com você mais ou menos o mesmo que com um amigo meu que foi a um congresso em San Francisco e odiou a cidade, que achou feia, suja e cheia de mendigos, sem entender como todo mundo babava e dizia que era uma das cidades mais lindas do mundo. Acontece que o caminho do aeroporto para o centro de San Francisco passa pela antiga zona portuária, que é justamente a *única* parte feia da cidade. Ele ficou num hotel da parte central da Market Street, que é realmente muito suja e cheia de mendigos, e não saiu de lá para nada, por causa do evento. Assim, é difícil… Foi a mesma coisa que se alguém descesse no Galeão e depois, do Rio de Janeiro, só visse a Avenida Brasil e a Presidente Vargas, já imaginou? Mas o resto de San Francisco é mesmo um deslumbramento total e tem um astral fabuloso. Sua experiência com Berlim foi mais ou menos o mesmo. Dê outra chance à cidade. Garanto que no dia de ir embora, você vai entrar em depressão!

  • Selma

    Oi Goytá
    Estou com viagem marcada para Berlin 02/05/2013,meu filho me pegará no aeroporto,mas ele está em dúvida : na passagem dele dizia TEGEL TXL na minha tem TEGEL BER.Será esse novo aeroporto que voce fala ou o velho.Esse novo fica a que distancia do centro da cidade?

    • Goytá

      Você ainda vai descer no velho aeroporto de Tegel. O novo aeroporto agora só será inaugurado em 2014 e a inauguração já sofreu tantos adiamentos que eles até desistiram de marcar nova data exata por enquanto. Tegel fica na região norte da cidade e é bem próximo ao centro – com bom trânsito, uns 15 minutos de carro.

  • http://www.garpereira.blogspot.com.br/ Guilherme Pereira
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