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Onde estariam os Brasílias da extinta Rio Sul?

EMB 120 Brasília – Rio Sul

A RIO-SUL foi a primeira empresa Brasileira a usar o veloz e encapetado EMB120 Brasília, sua fidelidade ao avião foi tal que chegou inclusive a renovar antigos Brasílias com novos Brasílias, quando os primeiros PT-SL* deram lugar aos PT-SR* no final dos anos 90. Estes aviões desbravaram dezenas de destinos no sul e sudeste do Brasil, com direito a aparições na Bahia como Rio-Sul e até Recife, Natal e Fernando de Noronha quando a Rio-Sul adquiriu a Nordeste e emergencialmente reforçou a frota daquela empresa (que terá seus aviões citados em nossa série…)


PT-LUS (EMB120RT – SN 120071) – O “LUS”, alusão a SUL ao contrário em seu prefixo foi um avião que operou na RIO-SUL entre 1989-1992. Esta aeronave originalmente foi adquirida pela CSE Aviation Ltd como G-BRAS, prefixo que recebeu em 28 de Março de 1988 e arrendada para a NORSKAIR como LN-KOF entter 15 de Abril de 1988 e 16 de Abril de 1989, retornando a ser G-BRAS e recebido pela RSL em 11 de Agosto de 1989. APós sua saída da RIO-SUL foi matriculado como N267UE em 30 de Setembro de 1992 pela Atlantic Coast Airlines a serviço da United Express, passou para a Gret Lakes Airlines em 09 de Junho de 1994 com o mexmo prefixo e em Maio de 1998 para a Skywest com o mesmo registro. Em 12 de Julho de 1999 foi rematriculado como N71GL para a Great Lakes Airlines e até hoje está nesta empresa.


PT-LXN (EMB120RT – SN 120052) – Chegou a RIO-SUL em 1 de Novembro de 1989 e ficou até 03 de Setembro de 1997 quando foi encaminhado para a Embraer e esta o vendeu para a META Linhas Aéreas, empresa de Roraima que infelizmente encerrou operações em 2011, deste então o avião está lá em Boa Vista, em condições desconhecidas. Antes de voar na RSL e MSQ, o PT-LXN foi D-CEMG entre 15.07.1987 até 01.11.1989 pela empresa alemã DLT, extinta subsidiária regional da gigante Lufthansa.


PT-SIH (EMB120 – SN 120004) – O primeiro Brasília de linha aérea tem uma extensa carreira, inclusive passando em quase todos operadores do tipo no Brasil, mas vamos lá ao famoso 004. Em 09 de Maio de 1984 o “004” fez o seu primeiro voo e participou da campanha de homologação do EMB120, com o prefixo PT-ZBC, posteriormente foi recondicionado e passou a ser o avião com o qual a Embraer divulgaria o seu produto e assim em 15 de Janeiro de 1986 com prefixo Brasileiro PT-SIH, o 004 estreou na Alemanha nas cores da DLT até 17 de Julho de 1987 quando retornou à Embraer.  Poucos dias depois foi para a França em 3 de Agosto daquele ano para a Cie Aerienne Du Languedoc, que se fundiu 8 meses depois na Compagnie Air Littoral.
Em 24 de Outubro de 1988 o avião retornou a Embraer e atravessou o atlântico para iniciar sua carreira nacional, chegando à RIO-SUL em 28 de Dezembro de 1988, e nesta ficou até 01 de Fevereiro de 1992 quando retornou a Embraer. Nesta época apenas a RIO-SUL operava o avião e então a fábrica conseguiu alocar o avião na KMV Taxi Aéreo, que utilizou o avião em voos entre João Pessoa, Natal, Recife e Fernando de Noronha, na primeira experiência de um taxi aéreo com o EMB120 entre 26/08/1992 até 22/12/1992, alguns meses em SJK e o avião seguiu para a Bahia meu rei, sendo entregue à Nordeste Linhas Aéreas, então conhecida como NLA no período de 14 de Março de 1993 até Fevereiro de 1994.
Seis meses depois da experiência baiana, o avião foi encaminhado ao México como XA-SQN voando quase 1 ano em terras mexicanas na Aerosudpacifico, entre 04.08.1994 e 04.05.1995, retornou a Embraer onde assumiu o prefixo PT-WGE, coube ao PT-WGE dar inicio a vida da mais antiga empresa regional em atividade atualmente no Brasil, o 004 foi o primeiro avião da PASSAREDO, voando entre 30 de Junho de 1995 até 15 de Março de 1996 pela empresa de Ribeirão Preto, enquanto seus novíssimos EMB120 Advanced não ficavam prontos, chegou a ser pintado para a HELISUL Linhas Aéreas, baseada em Curitiba, no entanto não chegou a voar nesta uma vez que a empresa foi vendida para a TAM e equipou sua frota com meia centena de Cessna Caravan.
Mas quem disse que o 004 ficou parado? Seguiu em 02 de Agosto de 1996 para a PENTA Linhas Aéreas, empresa sediada em Santarém no Pará e gostou tanto da região que em Março de 1997 trocou a PENTA pela RICO Linhas Aéreas, onde encerrou sua carreira em 13 de Agosto de 2002 após uma pane hidraúlica que o levou a sair da pista em Manaus, tornando sua recuperação inviavel economicamente, segundo fontes nossas, o avião hoje é “enfeite” de uma fazenda da família proprietária da RICO Taxi Aéreo.


PT-SLA (EMB120RT – SN 120064) – O primeiro Brasília a operar comercialmente em sua terra natal foi o 64° construído, seu primeiro voo foi realizado em 20 de Janeiro de 1988 e em 04 de Fevereiro de 1988 entregue para a RIO-SUL, aplicado na linha Caxias do Sul – Congonhas, atuou nesta empresa até 01 de Dezembro de 1988 quando foi preparado para a Acre Taxi Aéreo, sem realizar nenhum voo nesta, esteve em negociações para a TRIP, o que não se concretizou, retornou as mãos da Embraer e ficou em SJK a procura de um operador até que em 2001 seguiu para Manaus como PT-WJG para a RICO Linhas Aéreas, em Março de 2006 o avião foi envolvido num leasing de 9 meses para a TRIP, operando full colors nesta, exceto os motores em metal polido que não eram padrão da empresa de Campinas. Retornou a RICO e foi o único avião pintado nas novas cores da empresa amazonense, foi transferido para a RICO Taxi Aéreo onde atua com alta regularidade na região amazônica.


PT-SLB (EMB120RT – SN 120070) – Voou pela primeira vez em 09 de Março de 1988 e foi entregue a RIO-SUL em 27 de Julho do mesmo ano, em 01 de Dezembro de 1997 retornou a Embraer, sendo repassado meses depois para a RICO Linhas Aéreas de Manaus como PT-WRO, até que na noite de 14 de Maio de 2004 sofreu um acidente fatal, um CFIT quando aproximava para pouso na pista 10 Manauara, sem sobreviventes.


PT-SLC (EMB120RT – SN 120094) – Ganhou os céus pela primeira vez durante Agosto de 1988 e foi entregue par aa RIO-SUL em 30 de Setembro daquele ano, durante o phase-out final do equipamento na Rio-Sul esteve em vias de ir para a Polícia Federal, fato não concretizado e foi então negociado para a OceanAir Linhas Aéreas, sendo o terceiro avião daquela empresa a partir de 05 de Julho de 2002 pintado em cor “verde-lima marca-texto desbotado”, repintado depois de “vermelho Ferrari”, foi retirado de serviço em Maio de 2008 e ficou em Sorocaba, SP, em busca de um novo comprador, fato que não ocorreu, em 2013 o avião foi desmontado e sua fuselagem disponibilizada para venda em um ferro-velho.


PT-SLD (EMB120RT – SN 120147) – Voou pela primeira vez em Agosto de 1989 e chegou para a RIO-SUL em 29 de Setembro de 1989, nesta ficou até 20 de Março de 2002, sendo inclusive um dos poucos EMB120 a receber a última pintura da Rio-Sul, passou para a OceanAir como o segundo avião desta, em cor amarela, no final de 2004 parou em Sorocaba para um check-D do qual só saiu para a PASSAREDO em 2008, ficou nesta até Maio de 2011 quando foi batizado de Juruá, com uma imensa onça na cauda, operando para a Air Amazonia, uma empresa de logística aérea ligada a HRT Petróleo, com o encerramento das operações desta ficou estocado na capital Amazonense até ser entregue em 03 de Março de 2014 para a Colombiana SARPA como HK-5013.


PT-SLE (EMB120RT – SN 120161) – Voou a primeira vez em Novembro de 1989 sendo entregue a RIO-SUL em 07 de Dezembro de 1989, onde voou até o final de 2001, foi visto em Dezembro daquele ano pintado completamente de azul claro, em Janeiro de 2002 se descobriu que havia o nome OceanAir pintado na fuselagem, então uma pequena taxi aéreo que voava entre Santos-Dumont, RJ e Macaé, RJ. Foi o primeiro avião da empresa que se tornou Avianca Brasil, programado para ser retirado de serviço por várias vezes, retornava para salvar a malha, foi para a Passaredo em 2010, pintado então nas novas cores da empresa paulista, em Maio de 2011 ganhou uma arara na cauda se tornando mais um avião da Air Amazonia, batizado de “Solimões”. Em 12 de Setembro de 2013 seguiu o caminho da Colombia, onde voa na SARPA como HK-4973 até o momento. Participou do traslado de corpos do acidente da Chapecoense para o Brasil.


EMB 120 Brasília – Rio Sul


PT-SLF (EMB120RT – SN 120043) – Voou pela primeira vez em Maio de 1987, seguiu para a Alemã DLT como D-CEME em 03.06.1987, retornando para a Embraer em 19.10.1990, após retornou foi matriculado PT-SSZ e em 31.01.1991 foi voar na Midway Commuter como N318MC até 30.06.1991, ao retornar para a Embraer foi entregue em 09.07.1991 como PT-SLF para  Rio-Sul, onde permaneceu até 03.08.1997, devolvido a Embraer como parte da renovação em favor dos “Sierra Romeu”. Em 24 de Junho de 1998 foi entregue para a RICO Linhas Aéreas como PT-WRQ, onde operou até a noite de 30 de Agosto de 2002, quando se acidentou em Rio Branco, no Acre, com grande número de fatalidades e poucos sobreviventes, um fato curioso deste acidente é que a despeito das vítimas fatais, a imprensa praticamente ignorou o acidente, com foco total nos 2 Fokker 100 da TAM que se acidentaram no mesmo dia, sem vítimas, em Birigui e Campinas, ambas em São Paulo.


PT-SLG (EMB120RT – SN 120068) – Voou pela primeira vez no começo de Dezembro de 1987 e logo foi matriculado como D-CEMJ para a alemã DLT a qual recebeu o avião em 18 de Dezembro de 1987, devolvendo o mesmo em 19 de Novembro de 1990 para a Embraer como PT-STA, o avião então seguiria para os EUA como N319MC para a Midway, mas o negócio não se concretizou e foi entregue em 27 de Janeiro de 1991 a RIO-SUL como PT-SLG, onde ficou até 20.10.1997, quando retornou a Embraer, logo depois seguiu para Santarém, no Pará, para a PENTA como PT-MPJ, sendo que em 2002 em disputa judicial a Embraer optou por “perder” o avião, que se encontrava totalmente canibalizado, hoje está no meio do mato no aeroporto da icônica cidade paraense.


PT-SLH (EMB120RT – SN 120041) – O “LH” é mais um ex-alemão da história da Rio-Sul, sendo entregue como D-CEMD para a DLT em 27.04.1987 onde ficou até 21.09.1990 quando retornou para a Embraer como PT-SSN, entregue em 14.11.1990 para a Midway Commuter como N316MC e por lá ficou até Junho de 1991, quando voltou e foi entregue em 04.12.1991 como PT-SLH para a RIO-SUL, sendo devolvido a Embraer no meio de 1997, se tornando então PP-ISD a partir de 07.09.1997 na InterBrasil Star, retornando a Embraer em 1999, foi preparado e pintado para a PASSAREDO como PP-ISD, negócio não concretizado, entregue a RICO Linhas Aéreas como PP-ISD em 15.02.2001, sendo rematriculado PT-WZM nesta em 05.2001. Em 2010 parou para revisão, apenas no começo de 2017 o avião foi restaurado por completo e faz parte da frota da RICO Taxi Aéreo.


PT-SLI (EMB120RT – SN 120044) – O 44° EMB120 foi entregue em 26.06.1987 para a Alemã DLT como D-CEMF, retornando a Embraer em 25.07.1990 como PT-SSB, caro leitor não estranhe a Embraer ter usado prefixos que posteriormente foram usados pela Rio-Sul em Boeings 737-500, prefixos podem ser reutilizados normalmente, apesar de não ser uma prática comum. Após curta temporada na América como N312MC, o avião foi entregue em 25.11.1991 para a RIO-SUL, sendo repassado em 06.11.1998 para a Fly Brazil Taxi Aéreo, sendo convertido para “QC – Quick Change” com a finalidade de operar cargas, devolvido a Embraer em Fevereiro de 2000 foi preparado então para ser entregue a META Linhas Aéreas com o mesmo prefixo PT-FLY em 08.07.2000 na qual operou até Maio de 2011 quando foi parado em Boa Vista, RR e lá está abandonado após o fechamento da META.


PT-SRB (EMB120ER – SN 120309) – Construído originalmente durante 1996 para a Great Lakes Airlines, o PT-SXB não foi entregue e então a RIO-SUL disposta a ter Brasílias mais novos e avançados, caso deste aparelho, o incorprou em 14.08.1997 como PT-SRB, em renovação dos aviões mais antigos da frota, durante 2002 com todos os problemas do Grupo VARIG, retornou para a Embraer, ficando estocado em São José dos Campos até 2004 quando foi entregue para a Força Aérea Brasileira como FAB 2010 e nesta está até o momento


PT-SRC (EMB120ER – SN 120311) – Mais um “NTU – Not Taken Up” da Great Lakes Airlines, ficou matriculado PT-SXD até 14.08.1997 quando foi entregue a RIO-SUL como PT-SRC, retornando durante 2002 para a Embraer e somente em 2005 foi reencaminhado para a FAB como FAB2011, onde permanece até os dias atuais.


PT-SRD (EMB120ER – SN 120315) – Entregue a Rio-Sul em 25.08.1997 como PT-SRD, onde operou até 26.05.2002 sendo devolvido a Embraer, em 2004 se tornou FAB2012 na Força Aérea Brasileira, onde permance até hoje.



EMB 120 Brasília – Rio Sul


PT-SRE (EMB120ER – SN 120324) – Entregue a RIO-SUL em 14.08.1997 como PT-SRE, operou até 11.03.2002 quando foi devolvido a Embraer e estocado até 2004 para entrar em serviço militar pela FAB com o prefixo FAB2013, o qual utiliza até hoje.


PT-SRG (EMB120ER – SN 120331) – Entregue em 25.08.1997 para a RIO-SUL como PT-SRG, retornou a Embraer em 01.07.2002, o fabricante então tentou utilizar esta célula como demonstrador, encaminhando durante 2003 para a SATENA, empresa aérea da Força Aérea Colombiana, como FAC-1175, mas sem sucesso na transação o avião retornou ao Brasil como PT-SRG e em 2004 foi entregue ao serviço aéreo militar como FAB2014, prefixo que utiliza até o momento.


A passagem do Brasília na RIO-SUL foi um ícone da nossa aviação regional, se mesclando a história da empresa aérea gaúcho-carioca, sem registrar nenhum acidente fatal.


Atenção: Dados coletados em 23 de Abril de 2017

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
  • Carlos Dias

    Muito bacana, bom saber que uma boa parte dos Brasílias ainda estão em operação

  • Fabio Malvar

    Resumo.. Eu JAMAIS viajaria por essa RICO. 2 acidentes fatais e 1 acidente “leve” com EMB 120, 1 pane de flaps com 737-200.. Isso numa pesquisa bastante rápida…

    • A VARIG teve muito mais que isso e todo mundo idolatrava, a TAM teve 3 relevantes (1 A320, 1 F100, 1 EMB110)…

      • Fabio Malvar

        Não tenho conhecimento para discutir isso. Muito menos com vc que é fera. Mas no meu ponto de vista, se formos colocar em acidentes/horas de vôo ou mortes/km percorridos por aeronaves ou acidentes/quantidade de passageiros transportados (qualquer relação, só para quantificar a comparação) aí acredito que comparar a RICO com a Varig ou a Tam é como comparar um uno com um ônibus na arte de transportar pessoas (só comparando uma grandeza qualquer para ilustrar)…

  • Vitor Ferreira
  • C. A. Oliveira

    Voei num desses de CXJ a CGH em 1992, o mais interessante dele é que a cabine dos pilotos não tinha divisória!

  • Eokiko?

    Não entendi a parte do ‘encapetado’. Alguém me explica, por favor?

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