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Opa, tá na hora de parar e investigar.

Para quem lembra do acidente do Boeing 777 da British Airways em 17 de Janeiro de 2008, aliás o único acidente com Boeing 777 até hoje e que felizmente não casou vítimas, tenho más notícias. Ocorreu um fato semelhante no último dia 26 de novembro, desta vez com um 777 da Delta, só que desta vez apenas um motor deu “roll back” não comandado para idle já em vôo de cruzeiro. Dois detalhes cruciais: Os 777 da Delta possuem o mesmo tipo de motor dos 777 da British: Rolls-Royce Trent 895. E o Vôo tava vindo do mesmo lugar: China.

NTSB (National Transportation Safety Board) já está investigando o incidente. O vôo DL18 estava sobrevoando Montana vindo de Shangai para Atlanta quando aproximadamente as 12:30 o motor 2 desacelerou para marcha lenta a 39.000 pés de altitude. A tripulação desceu para o nível 310 (31.000 pés) quando então o motor recuperou e respondeu normalmente aos comandos e o vôo seguiu sem problemas para Atlanta.
O Flight Recorder (FDR) e outros dados de monitoramento (QAR, DFDAU) e componentes do motor foram removidos e enviados para o laboratório para testes e avaliações. O investigador Bill English, que é o americano que estava auxiliando o pessoal de Londres a investigar o acidente com o 777 da BA está a cargo desta investigação do Delta, bem como um especialista londrino, trabalhando juntos para determinar se há aspectos em comum em ambos incidentes.
É muito estranho esse incidente, lembro que discuti sobre o a acidente anterior na Aerovirtual, e apesar de não conhecer a fundo o sistema de EEC dos RR Trent para o 777, ele não é muito diferente dos PW (que a United usa). Há características de software, no entanto, na investigação de Londres há sinais mecânicos de cavitação na Engine Pump (lado de alta pressão para o FMU), o que indica claramente falta de combustível. Os RR Trent têm re-heat de combustível, então cristais de gelo “teoricamente” não se formariam, mas é a única explicação até agora para o acidente de Londres (que inclusive gerou uma AD para os operadores).
Vou aguardar mais detalhes da investigação sobre esse Delta.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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