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Os Aeroportos daqui e os Aeroportos de lá

Hoje vou abrir espaço aqui para publicar um relato de viagem do colega Duley, que foi recentemente à Europa e pode comparar os nossos aeroportos com os aeroportos da Europa.
Desnecessário dizer o quanto os aeroportos americanos são ainda mais avançados (Denver é um exemplo), o que só corrobora o quanto estamos atrasados em matéria de infraestrutura.

Segue o relato por Duley:

Estive de férias no último mês na Europa. Foram 9 voos nesse período e nove vezes surpreendido. Eu já conhecia a Europa, mas essa vez foi a que mais me chocou. Talvez porque já estou mais amadurecido e com uma visão crítica mais apurada. Estou me referindo ao quanto o Brasil está atrasado na questão de infra-estrutura aeroportuária. Existe anos luz de diferença.

O primeiro choque foi chegando a Lisboa. Mesmo descendo a bordo de um A330, uma aeronave relativamente grande, assustei ao não notar aquela freada absurda após o toque que estamos acostumados principalmente ao pousar em Santos Dumont e Congonhas e até mesmo nos aeroportos que tem pista longa. O avião correu a pista num pouso suave e tranquilo. O choque em Lisboa não foi tão grande porque o aeroporto apresenta algumas deficiências como, por exemplo, a pequena quantidade de fingers. A maioria das posições é remota. Desembarcar cerca de 250 passageiros na remota não é uma tarefa fácil, mas em Lisboa notei que eles são competentes pra isso. Estava esperando um desembarque mais lento o que não ocorreu. Mas a administradora do aeroporto não está parada. Vi obras pra todos os lados.

Segundo choque ocorreu em Zurique. Esse sim um aeroporto bem estruturado. Novamente notei que o pouso do A320 foi sem aquela freada que você tem que se segurar na poltrona. Muito pelo contrário, o avião percorreu toda a extensão de 3300m da pista 14. O reverso foi aberto, mas o piloto nem deu potência. Antes da metade da pista senti que o comandante desarmou o autobrake e deixou a aeronave rolar o restante da pista. Ao encostar no finger logo o sinal de cinto foi desligado. Ao contrário do que acontece no Brasil, o sinal demora uma eternidade mesmo depois que o avião já parou no finger e os motores já estão cortados. Depois notei que não foi só nesse voo que isso aconteceu e sim em todos. O inicio do desembarque foi rapidíssimo. Restituição de bagagem também foi uma lição. Ao chegar na esteira minha mala já estava lá girando. Tudo bem que levei quase uma eternidade pra cruzar todo o terminal, mas pelo menos você não fica parado esperando, muito pelo contrário, quem te espera é a mala. Dei todo o mérito ao aeroporto de Zurique, mas ao passar por Milão/Malpensa, Olbia, Viena, Praga, Londres/Stansted, Heathrow e Schiphol percebi que todos esses méritos na verdade não são mérito e sim serviço padrão. Nós que estamos mal acostumados.

Os terminais são sempre gigantescos, com espaço de sobra. Fila pra check-in é uma coisa que você quase não vê e quando tem é pequena, nada daqueles caracóis que GOL e TAM gostam de fazer. Passageiros descabelando, chorando, botando o dedo na cara dos agentes de aeroporto também não se vê. Outro detalhe interessante: os comandantes são extremamente claros e educados nos speech e passam informações bastante interessantes. Não digo que os comandantes brasileiros são mal educados, mas o tratamento é diferente. Antes do voo eles falam como vai ser o voo, duração, por onde a rota vai passar e o nível de voo. Durante o voo ele faz outro speech e antes do pouso outro. O passageiro não fica hora nenhuma desinformado. No trecho Zurique – Lisboa tivemos que desacelerar durante a descida porque havia tráfego pesado na manhã de sexta-feira. Levou menos de um minuto do momento que notei que o motor reduziu potencia até o comandante explicar o que estava ocorrendo.

Os sistemas de transporte que atendem os aeroportos também dão inveja. O que mais merece elogios é o de Viena e o seu CAT (City Airport Train). Barato (€9,00), extremamente rápido, deixa no centro próximo a todas as linhas de metro e obviamente pontual.

Ao voltar pro Brasil pousando em Confins voltei a nossa realidade: balcões da Polícia Federal para inspeção de passaporte gambiarrados, 35 minutos esperando minha mala na esteira e 1 hora e meia para chegar em casa no transito das 18 horas dependendo de um táxi que me custou 90 reais.

Pra não dizer que lá tudo é mil maravilhas, achei um defeito. Os funcionários do check-in e na sala de embarque não são funcionários da companhia aérea e sim funcionários da empresa que administra o aeroporto. Por causa disso notei certa lentidão por parte deles. Talvez por não estarem no clima da correria de uma Cia aérea, tudo era feito em câmera lenta. Na verdade não sei se estamos mal acostumados de ver aqui no Brasil o desespero dos agentes de aeroporto pra não atrasar mais o voo ou se realmente na Europa eles são lentos. Na fila do check-in da Niki em Milão, a mocinha estava levando cerca de 4 minutos por passageiro no atendimento. Aqui nos vemos check-in de menos de um minuto. Mas em compensação, apesar da lentidão, não existia fila já que eram 4 guichês atendendo o mesmo voo.

A minha conclusão é que pros aeroportos brasileiros começarem a caminhar para algo parecido é privatizar. Na Europa todos são administrados por empresas terceirizadas e é muito fácil notar que tudo funciona perfeitamente bem. Obras sempre têm, mostrando que as adequações estão sempre sendo feitas. Enquanto continuar da forma que está, um dia vamos chegar numa situação que o serviço de transporte aéreo vai ficar tão ruim que as empresas vão ser obrigadas a parar de crescer (se é que já não estamos nesse ponto).

É muito triste ver esse buraco gigantesco entre nós e o primeiro mundo principalmente no setor da aviação.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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