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Os E-Jets no Brasil #história

A Embraer, criadora do EMB110 Bandeirante, EMB120 Brasília e a família de jatos regionais ERJ135/140/145, estes últimos nada mais do que um EMB120 esticado com asas diferentes e motores na cauda, partiu para o desenvolvimento de um jato regional do zero, desta vez chamados de E-Jets sendo esta família composta pelos E170-100, E170-200, E190-100 e E190-200, comercialmente vendidos como EMB170, EMB175, EMB190, EMB195. Em 2001 aconteceu o roll-out do belo avião seguido da primeira operação comercial efetuada pela Polonesa LOT.

O modelo recebeu o apelido jocoso de “Jungle-Jet”, no entanto não herdou o apelido pior ainda de EMB180 (180 graus na cabeceira e volta pro pátio em Manutenção) dos ERJ145. No Brasil o avião demorou a pegar, demorou muito! Simplesmente um produto excelente (muito confortável para os passageiros, inteligente operacionalmente e de manutenção agradável) não despertava encomendas. Um blefe da VASP foi o primeiro rumor da operação do 170 no Brasil, mas obviamente não aconteceu.
Posteriormente “ameaças” sempre surgiam de operadores querendo chamar atenção, mas a primeira encomenda concreta veio mesmo da BRA, porém como sabemos a empresa quebrou logo em seguida e o fato não se realizou. Até que em 2008 o avião apareceu com uma encomenda concreta da Azul do EMBRAER 195, e também a chegada de duas aeronaves EMBRAER 190 oriundas da JetBlue (PR-AZA, PR-AZL) para iniciar a operação. A TRIP optou pelos EMBRAER 175 e os recebeu no começo de 2009, quando cerca de 10 aviões já atuavam pela Azul. A FORÇA AÉREA BRASILEIRA resolveu substituir os belos Boeing 737-200 recebidos em 1976 por um par de EMBRAER 190BJ, versão executiva. E por fim o ultimo operador a embarcar nos E-Jets foi a VALE DO RIO DOCE, mineradora que já operava um EMB120 (PT-SOK) e ERJ145 (PT-SPM) e recebeu o segundo E190 construido e o matriculou como PR-ADV para posteriormente receber um novo da fábrica matriculado como PP-ADV.

NA AZUL

Coube a Azul estrear a aeronave no Brasil trazendo duas unidades da JetBlue que foram os primeiros aviões da empresa, matriculados PR-AZA e PR-AZL. Estes aviões trouxeram de volta a tradição de batizar os aviões com nomes. Logo depois a companhia recebeu os primeiros E195 de fábrica, PR-AYA, PR-AYB, PR-AYC, curiosamente estes aviões possuem uma faixa em cor diferente que remete ao PT-TAA, TAB, TAC da TRANSBRASIL em uma direta homenagem do Gianfranco Beting a um ícone da aviação comercial Brasileira, o Cmte.Omar Fontana. A Azul massificou o uso de EMB190/195 no país, começou a utilizar-los também em pinturas diferenciais como um todo azul claro para promover sua agência AZUL VIAGENS e outro com a bandeira nacional em homenagem ao país. A frota da Azul conta com heads-up display para os pilotos e televisão individual para os passageiros. Hoje a Azul após fusão com a TRIP se tornou a maior operadora isolada do tipo no continente e um dos maiores operadores mundiais da família E-Jet

PR-AYV

PR-AYV – Foto cortesia Azul

NA TRIP

A TRIP foi a lançadora no pais dos EMBRAER 175, recebidos em Junho de 2009, matriculados PP-PJA, PJB, PJC foram os três primeiros a começar a operar em rotas de maior densidade da companhia como Rio – Curitiba – Londrina – Cuiabá – Ji-Paraná / Guarulhos – Cuiabá – Porto Velho – Manaus / Vitória – Belo Horizonte – Goiânia – Cuiabá – Sinop – Alta Floresta. Logo chegou uma quarta unidade, o ex PP-XJG, que foi protótipo, voou na Air Caraibes (F-OFLY) e Cirrus (D-ALIB) e na TRIP assumiu a matricula PP-PJD voando por algum tempo com 78 assentos. A companhia ainda recebeu outros 2 da encomenda original (PP-PJE, PP-PJF) e por fim os três últimos PP-PJG, PP-PJH e PP-PJI. Logo em seguida a empresa decidiu ampliar a oferta de assentos e entrar na competição para valer em rotas ponto a ponto e fazer de Confins definitivamente seu hub e importou 3 EMBRAER 190 desativados pela extinta BABOO da Suiça. Estes aviões assumiram matricula PP-PJJ, PP-PJK, PP-PJL em configuração de 100 assentos. A companhia ainda encomendou e recebeu diretamente da fábrica o PP-PJM / PJN / PJO / PJP / PJQ / PJR / PJT / PJU / PJV. Com a fusão com a Azul cogitou-se desativar todos os E175, o que acabou não acontecendo ficando os aviões recebidos zero de fábrica

Foto Cesar Novaes

Foto Cesar Novaes

OUTROS OPERADORES

A FORÇA AÉREA BRASILEIRA retirou de serviço seu par de Boeing 737-200 recebidos em 1976 e optou por um par de EMBRAER 190 para os deslocamentos presidenciais na América do Sul e dentro do Brasil, focando a operação do A319 apenas para trechos longos ou deslocamentos internos eventuais. Os aviões ficaram belíssimos nas cores do GTE e estão operando com sucesso na FAB ao lado de praticamente todos aviões construídos pela EMBRAER como EMB110, ERJ135, ERJ145 e o EMB120. Já a companhia de mineração VALE, que havia iniciado a ponte aérea BH-RIO com o EMB120 PT-SOK, optou por expandir serviços com um ERJ145 e depois estudou o EMB170, mas adotou mesmo o EMB190 PP-ADV configurado em 80 assentos que voa nas rotas Belo Horizonte – Rio / Belo Horizonte – Carajás e as vezes faz Belo Horizonte – Natal – Conakry.

Foto Thiago Almeida Denz

Foto Thiago Almeida Denz

O AVIÃO EM SI

Muito confortável do ponto de vista do passageiro, silencioso, agradável e espaçoso internamente com ótimos bins (bagageiros). Na minha opinião só não é muito simpático em turbulências onde acaba balançando um pouco mais do que os Boeings e Airbuses que existem por aí. No mais trata-se de uma máquina e tanto para se viajar, sobretudo pela configuração de seus operadores nacionais. Como técnico gosto do avião, ainda que o mesmo siga a filosofia Embraer de ter alguns acessos complicados ou lógicas sem muita lógica. Sua cabine de comando é estilo COLD AND DARK, com 5 monitores LCD para dispor o EADI/EHSI, ND, EICAS, cujo design é muito bom, sem falar no seu overhead “limpo”. Cold and Dark significa que se tudo está apagado, está tudo bem com a máquina. A manutenção dispõe de um CMC (Central Maintenance Computer) inteligente e prático de trabalhar. No continente outros operadores tem êxito com a aeronave como a AUSTRAL na Argentina que opera mais de 20 EMBRAER 190, a TAME do Equador que possui E170/E190 e na Colombia a COPA COLOMBIA opera E190. Desta vez podemos dizer que a EMBRAER fez O AVIÃO, quando lembramos o que é trabalhar com o ERJ145 e EMB120…

PP-ADV - Foto de Junio Gracielo

PP-ADV – Foto de Junio Gracielo

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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