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Osprey MV-22, veja de perto. #OSH14

osprey

E se a Boeing, maior fabricante de aeronaves do mundo se juntasse com a Bell, fabricante de helicópteros para um brainstorm, o que sairia? Um pirocóptero?

Quase isso, saiu o Osprey.

Ele não é, digamos assim, uma belezura que passaria no controle de qualidade de Kelly Johnson no quesito aerodinâmico. No entanto, provavelmente ele teria ficado encantado com os desafios de engenharia vencidos para que o Osprey simplesmente voasse como na visão dos designers.

Não estou falando de desafios simples como os enfrentados por fabricantes em geral, mas de uma aberração que demorou 24 anos em desenvolvimento, entre o primeiro voo e a primeira entrega. Vinte e quatro anos de mudanças, de soluções, de materiais, de computadores, de software – sim, porque esse bicho só voa em função da imensidão de linhas de códigos de seus computadores de controle de voo, alimentados por toda sorte de sensores – um ser humano não conseguiria controlá-lo sem o poder da computação.

Cockpit_of_V-22_Osprey

Se você gosta de helicópteros (tem gosto pra tudo :) e sabe como funciona o swashplate de um, dê uma olhada neste vídeo do youtube para ver como é o swashplate desse MV-22, coisa de louco. Helicóptero já é uma máquina de anulação de vetores, ou seja, mantêm-se em equilíbrio por subtração de forças, imagine então como é anular forças em dois rotores com swashplates invertidos e coloque no cálculo o controle de rotação independente de cada motor – isso é o Osprey.

Mas para chegar lá, muita coisa foi aprendida com os erros e infelizmente com acidentes, como esse. A falha é o caminho para o sucesso.

Mas por que fazer um híbrido assim? Porque a versatilidade que um helicóptero tem de se manter parado no ar e pousar em qualquer buraco, o impede de desenvolver altas velocidades – isto é inerente ao conceito de aeronave com asa rotativa. Um Agusta AW 139 por exemplo, que é um dos helicópteros em serviço mais rápidos, cruzam a 306 KM/h, enquanto o Osprey é capaz de desenvolver 465 KM/h levando muito mais peso e com uma autonomia muito maior. Tô ligado que existem os protótipos X da Sikorsky, que desenvolvem a mesma velocidade do Osprey, mas além de serem protótipos, olhem o tamanhinho deles.

Vi de perto o Osprey em Oshkosh e fiz um “walkaround”. No início do vídeo tem uma pequena demo de “hovering” sobre a pista 18/36 de Oshkosh; eu estava a uns 250 metros dele, e dava para sentir o vento dos rotores! Quando fui pesquisar, descobri que o vento gerado sob o rotor (downwash) alcança até 148 KM/h! Impressionante.

Enjoy.

Em tempo, dois estiveram no aeroporto Santos Dumont (RJ) este mês, vejam nesse link.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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