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Ovos e Segurança Operacional

Ahn? Que diabos de título é esse?

Pois bem, estava agora pela manhã na cozinha preparando meu café da manhã e numa falta de atenção, pus 2 ovos em cima da mesa, e um deles caiu e fez aquele melê no chão.

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Pois é... (Foto: Jasper Nance, clique para abrir no Flickr)

Tá, mas o quê isto tem a ver com Segurança Operacional e Aviões? TUDO.

Bom, vamos do começo! Eu trabalho há alguns meses com o Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO) num dos elos do Sistema Brasileiro do Controle do Espaço Aéreo (o famoso SISCEAB), e muitos dos conceitos que me foram apresentados me deram certeza de que há na aviação uma preocupação plausível e não utópica com a segurança.

Pra começar, vale a pena esta definição oriunda da IAC 139-1002 da ANAC:

Um SGSO é um conjunto de medidas, procedimentos e práticas, que são coerentes, integradas e documentadas, para o gerenciamento efetivo e seguro das operações aéreas. O SGSO também deve integrar, além da segurança da operação aérea propriamente dita, todos os aspectos de segurança, inclusive ocupacionais, aplicáveis às atividades associadas, direta ou indiretamente, às operações aéreas, em conformidade com a legislação específica em vigor. (IAC  139-1002, ANAC, 12/05/2005, http://www.anac.gov.br/biblioteca/iac/IAC139_1002.pdf)

Tá, mas essa definição é muito vaga, qual é o FOCO do SGSO? Um folheto da mesma ANAC responde, com grifos sublinhados meus:

2. Qual é o foco do SGSO?
O foco do SGSO está na melhoria contínua da segurança operacional. Entende-se por segurança operacional o estado no qual o risco de lesões às pessoas ou danos aos bens é reduzido ou mantido em um nível aceitável, ou abaixo do mesmo, por meio de um processo contínuo de identificação de perigos e gerenciamento dos riscos. (Folheto sobre SGSO, ANAC, Julho/2010, http://www.anac.gov.br/dicasanac/pdf/10_Coisas_SGSO_Dicas_ANAC_10.pdf)

Eu pessoalmente acho este trecho sublinhado a grande genialidade por trás do SGSO. O risco sempre vai existir, e acidente zero só irá acontecer se tivermos vôos zero. Isso não é mais aceitável hoje, e temos o exemplo do vulcão islandês neste ano de 2010 para mostrar o quanto dependemos da aviação e quanto prejuízo financeiro e social teríamos se parássemos de voar!

Já que você não pode ter 100% de segurança, o que fazer então? Identificar e gerenciar o risco, tomando medidas que atenuem os impactos dos imprevistos! E como se faz isso? Tornando os sistemas que atuarão no caso de emergência, mais eficazes, por exemplo. O desejo de todos é que os bombeiros de um aeroporto nunca sejam acionados, mas sabemos que isto não só PODE, como VAI acontecer, e QUANDO acontecer, eles deverão estar treinados e dominando os equipamentos eficientes que eles devem ter.

Voltando ao meu exemplo do ovo caído no chão, qual foi o erro? Eu ter colocado os ovos em cima da mesa que é plana ao invés da pedra que tem as bordas elevadas, mesmo sabendo que deveria colocá-los na pedra e mesmo tendo feito isso desde que eu cozinho ovos. Percebem como isto é exatamente o script de alguém que trabalha na aviação?

Enquanto existirem ovos e nós os usarmos para cozinhar, eles poderão cair no chão durante o manuseio. O que podemos fazer a respeito? Tomar cuidado já faz com que este evento não seja tão corriqueiro. Mas se fosse aposto que haveria alguém vendendo toalhas de papel especiais para limpar ovos caídos no chão, tornando as ações pós-evento mais eficientes. Percebem como este conceito pode ser aplicado não só à aviação, mas a qualquer área? Num mundo em que a eficiência passa a ser o Santo Graal a ser buscado, estes conceitos formam os caminhos a serem trilhados, para a segurança física e financeira de todos.

Bom, é isso, qualquer reclamação, sugestão, os comentários estão aí!

Lucio Daou

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Sobre o Autor

Espaço dedicado aos textos dos leitores do AeM que colaboram com artigos de aviação.
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