Estatística global de acidentes aéreos em 2009

Medo de voar talvez seja uma das palavras mais associadas à aviação.

No entanto, SEGURANÇA é a palavra mais usada por todos os profissionais que trabalham na área.

A IATA (International Air Transport Association) divulgou os dados relacionados a acidentes aéreos ocorridos em 2009, e apesar de uma citação surpreendente em relação à erros cometidos por pilotos, 2009 foi o segundo melhor ano para a segurança aeronáutica mundial desde que o índice começou a ser compilado (só ficou atrás do ano de 2006).
Considerando o quanto o tráfego aéreo cresceu em várias partes do mundo (principalmente na América Latina), só temos que comemorar os números.

A razão de acidentes em 2009 foi de 0.71 por um milhão de voos (em 2006 foi de 0.65). Se for considerado acidentes em empresas que fazem parte da IATA somente (as grandes empresas comerciais), a razão cai para 0.62 por milhão de voos.

Os dados foram derivados da análise de 19 acidentes com aviões construídos no hemisfério ocidental (90 acidentes no total com todos os jatos) contra 22/109 no ano de 2008. No total, 685 fatalidades contabilizadas no ano inteiro.

Para se ter uma idéia, no Brasil morre por ano nas estradas aproximadamente 40.000 pessoas. Só nas estradas federais, em 2009 foram 455 mortos. Na aviação foram 685 fatalidades no mundo todo!

Como diz o Roberto Carvalho, “a única parte realmente perigosa da aviação é o trajeto de casa para o aeroporto e vice-versa“.

Uma coisa bem legal para se comemorar olhando o gráfico é que NENHUM acidente ocorreu com empresas áreas brasileiras que possuem jatos construídos no hemisfério ocidental! (lembrando que o acidente com o Air France AF447 contabilizou para a Europa e não para a América Latina).

Um coisa para se lamentar continua sendo os números muito pobres da África, mas isto infelizmente tem uma explicação (e um dia eu ainda escrevo mais sobre a minha temporada trabalhando no continente africano em 1993).

A África representa apenas 2% de todo o tráfego Global mas contabiliza 26% de todos os acidentes com jatos ocidentais.

Resumo dos números interessantes de 2009:
• 2.3 bilhões de passageiros voaram em 35 milhões de voos (27 Mi em jatos e 8 Mi em turbo-hélices);
• 19 acidentes envolvendo jatos ocidentais contra 22 em 2008;
• 90 acidentes (todos os tipos de avião, ocidentais e orientais) contra 109 em 2008;
• 18 acidentes fatais (todos os tipos de aviões) contra 23 em 2008;
• 685 vítimas fatais comparadas a 502 em 2008.

Seria interessante ter as tabelas de acidentes por tipos (modelos) de aviões, mas a IATA não disponibilizou esses números.

Imagem do gráfico retirada do Flight Global

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Turbulência – A história se repete

Eu já escrevi aqui no blog várias vezes (aqui e aqui por exemplo) sobre a importância dos passageiros manterem o cinto de segurança SEMPRE afivelado.

Não é possível prever CAT (Clear Air Turbulence) e quando ela ocorre não há tempo de se segurar, portanto senhores passageiros, a menos que precisem ir ao banheiro (que afinal é o único motivo realmente plausível para se levantar do seu assento durante um voo) estejam sempre sentados e com o cinto afivelado.
Mais uma dica: Se você estiver dormindo e coberto com uma manta, passe o cinto de segurança meio folgado por FORA da manta. Desta maneira os comissários vão ver que você está de cinto quando o aviso de apertar cintos acender e não vão te acordar.

Sabe aquele grupo de viajantes espertos, que manjam tudo de aviação, não têm medo de voar e que ficam conversando em pé no corredor? São apenas ignorantes sortudos…
Curioso: quem manja mesmo de aviação, incluindo aí os pilotos, NUNCA soltam o cinto.

Turbulência em voo da United Airlines deixa 20 18 feridos

Os passageiros tiveram apenas ferimentos leves. Boieng 747 ia de Washington, nos Estados Unidos, para Tóquio.
Mais de 20 18 pessoas sofreram ferimentos leves durante um voo da capital americana para Tóquio, no Japão. O Boeing 747, da United Airlines, enfrentou uma forte turbulência, com 245 pessoas a bordo. Alguns passageiros tiveram que ser retirados em macas.

Fonte da notícia: Globo.com

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Vídeo da semana – Um tour dentro do Boeing 787 de testes.

Este vídeo é bem interessante, mostra o ZA001 (primeiro 787 a voar) por dentro,, com muitos equipamentos de testes instalados e muitos fios de telemetria por todos os lugares.
Tem também um teste de acionamento da janela foto-cromática.

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Como funcionam as máscaras de oxigênio em um avião?

Hoje tem um post sobre uma pergunta que veio pelo Twitter, da
@paulinha_dtinel

@avioesemusicas Como funcionam as mascaras de oxigenio em um avião? Existem compartimentos de oxigênio separados ou é um só e são interligados?

Curiosa esta pergunta não? Afinal, é curioso mesmo: em caso de despressurização, de onde vem tanto oxigênio para tanto passageiro?
Bem, como há mais de uma resposta para esta pergunta, vou intencionalmente deixar de lado a maneira antiga e falar apenas de como funciona nos aviões modernos ok?

Antes de começar convém falar que o oxigênio que os pilotos usam é totalmente diferente e separado do sistema dos passageiros. O oxigênio da tripulação é armazenado em uma garrafa com pressão controlada pela manutenção.

Agora vamos ao sistema dos passageiros: Os aviões mais modernos utilizam um “cartucho” químico, chamado de Oxygen Generator (Gerador de Oxigênio) que fica localizado acima da caixa onde as máscaras ficam armazenadas (ver desenho abaixo).

E como funciona isso?

Bem, se houver uma descompressão na aeronave por qualquer motivo, um sensor de altitude de cabine sente que a pressão interna diminuiu e um comando elétrico é enviado para todas as caixinhas que ficam acima da cabeça dos passageiros (e mais algumas que ficam nos banheiros e acima dos assentos das comissárias).
O sinal elétrico chega no atuador da porta e ela destrava, fazendo as máscaras caírem.

Quando as máscaras caem, eles ficam presas por um fio (cabo de acionamento). Quando você puxa a máscara, esse cabo aciona o gatilho do gerador de oxigênio e uma mistura química ocorre dentro desta “lata” (azul no desenho – Cloreto de Sódio+Peróxido de Bario+Perclorato de Potássio).

Quase instantaneamente essa mistura cria Oxigênio que pode durar até 15 minutos (em caso de descompressão, em questão de 3 ou 4 minutos o piloto já terá descido a aeronave para uma altitude em que se possa respirar – abaixo de 10 mil pés).

Um detalhe interessante: Essa mistura química para produzir oxigênio gera um calor absurdo dentro da “lata” do gerador, e a temperatura desta pode chegar a 260º C (pra quem lembra do acidente que aconteceu com o  ValuJet  592,a causa foi transporte incorreto de geradores de oxigênio, que se incendiaram dentro do porão de carga).

Então é assim que funciona o sistema de oxigênio em aviões modernos, simples, eficiente e leve.

Agora a parte interessante :)

_Todas estas máscaras são dobradas e encaixadas de uma maneira correta, para que não aconteça da porta do compartimento abrir e a máscara não cair e o passageiro ficar sem oxigênio.

_Como o pessoal da manutenção vai ter certeza que todas as portinhas vão abrir e as máscaras vão cair quando houver uma emergência? Heim? Heim?

Bem, tem um switch no painel dos pilotos que acionam todas as portas para abrir, mas se ele for acionado e todas as 300 e poucas máscaras de um 777 caírem, vai demorar umas 5 horas pra dobrar tudo e “resetar” cada acionador da porta… hummm, convenhamos que não é uma atitude inteligente certo?

Pensando nisso os engenheiros criaram uma travinha que fica embutida na porta, a manutenção tem que colocar todas as travinhas em determinada posição e acionar o switch. As portas vão destravar e descer alguns centímetros e encaixar nesta outra travinha, evitando que as máscaras se desdobrem, mas vai ser bem perceptível que a porta abriu e as máscaras se deslocaram.

Muito bem bolado e facilitou muito o trabalho dos mecânicos :)

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O fascínio da aviação começa desde cedo.

Eu pelo menos ainda tenho bem guardada a lembrança da primeira vez que fui levado pelo meu irmão ao aeroporto de Congonhas.

Eu não lembro a minha idade, não lembro em que ano foi.
Mas lembro que era noite e vi Electras, 727, 737. E vi pessoas trabalhando perto dos aviões, vi caminhões de comida encostando nos aviões, vi muitas luzes piscando e ouvi o barulho de jatos e hélices.

E lembro que não queria mais ir embora…

Entendendo esse fascínio que a aviação provoca nas crianças, a United Airlines possui um programa anual chamado de “Fantasy Flight”, em que um dia no ano é reservado para levar crianças para conhecer de perto um avião da empresa (as vezes com um voo de verdade, que se tudo der certo acontecerá ano que vem aqui no Brasil também).

Alguns funcionários (como eu e de vários outros setores) tornam-se voluntários durante este dia, ajudando com tudo o que for possível para ver o brilho no olhar das crianças.

Já fizemos este Fantasy Flight para crianças carentes de uma comunidade em Guarulhos, para filhos de funcionários da Infraero, para filhos de funcionários da própria United, enfim, tentamos abranger o máximo possível. E com a segurança de hoje em dia nos aeroportos, tem sido cada vez mais difícil, mas temos conseguido a cooperação das autoridades.

Para as refeições a bordo, nós conseguimos lanches do McDonald’s, refrigerantes das empresas que fornecem comissaria para as empresas, organização com o pessoal da segurança e todos se juntam para ajudar, dá um pouco de trabalho mas é muito recompensador.

O último Fantasy Flight aconteceu no dia 17 de Dezembro e tivemos até a visita de um cão da Polícia Federal (veja no vídeo 1).

Mas o mais interessante deste ultimo voo de fantasia foi um garoto chamado Pedro, que é fissurado em aviação e que eu acompanhei desde a entrada no aeroporto até a saída, e fiz estes dois vídeos que valem muito a pena assistir.

Observem o naipe das perguntas dele..rs

Parte 1 – A chegada e entrada no aeroporto.

Parte dois: Encantamento com o cockpit

As fotos do evento:

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