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Panorama da aviação latino americana em 2016 – Brasil

O Brasil durante 2015 atravessa inegavelmente uma crise política e econômica e o reflexo é explícito na aviação, cujos números negativos se multiplicam nos balanços divulgados pelos operadores.

Apesar de toda esperança gerada em torno do PDAR – Plano de Desenvolvimento da Aviação Regional, o que se viu foi a construção zero de aeroportos, os poucos reformados ou inaugurados já remontavam a obras que se arrastavam por anos e apenas um novo operador surgiu e até o momento não está operando voos regulares, a FLYWAYS Linhas Aéreas cuja frota está composta por um ATR72-500 e um ATR72-200.

No campo regional, especula-se que a SETE Linhas Aéreas, operadora de 5 Cessna Grand Caravan e 3 Embraer 120 Brasília irá suspender operações no começo de 2016. No mesmo segmento disputam o mercado a amazonense MAP e seus 2 ATR72 e 2 ATR42 operando rotas na Amazonia em um serviço que vai além do transporte aéreo regular de passageiros, são rotas que beiram a integração social entre cidades onde o concorrente direto do avião é o barco que liga Manaus ao interior entre 7 e 21 dias. A MAP durante 2015 expandiu destinos, anteriormente operados pela extinta TRIP. Em Cuiabá encontra-se a ASTA, que era um taxi aéreo e agora se tornou linha aérea regular com uma frota de 3 Caravans partindo de CGB para destinos como Água Boa, Confresa, Juara, Juina, Aripuanã e São Felix do Araguaia. Em Porto Velho está a RIMA – Rio Madeira Taxi Aéreo que opera linhas sistemáticas desde sua matriz até Cacoal e Lábrea, igualmente usando o valente Cessna Caravan. Fechando as pequenas regionais está a PIQUIATUBA TAXI AÉREO, operando linhas sistemáticas a partir de sua sede em Santarém-PA com aviões Cessna Caravan (3) e Embraer 120 Brasília (2). Esta possuia planos verticais de expansão durante 2015, que foram abortados devido o momento econômico.

A maior regional de fato do país é a Passaredo Linhas Aéreas, em recuperação judicial (concordata), que vigora até Outubro do próximo ano, opera 4 ATR72-600 recebidos novos de fábrica e 10 ATR72-500 oriundos da TRIP e Europa. Durante 2015 inaugurou algumas rotas e otimizou sua malha para melhorar a conectividade com a TAM no HUB BSB. A empresa possui quase 1000 funcionários para girar a operação de seus 14 aviões.

Primeiro voo do A350 - ©Airbus

Primeiro voo do A350 – ©Airbus

Entre as grandes do país, a TAM deixará o seu nome em favor de ser LATAM ao longo de 2016, introduzindo também o novíssimo Airbus A350, dando segmento ao phase-out de seus A330 e a presença já maciça do Airbus A321 nas rotas de alta densidade do país. Segue sendo a número 1 do país no front doméstico e internacional, sendo que no doméstico é seguida de perto pela GOL.

A GOL tem se reposicionado no mercado, lançou uma nova pintura, novos elementos a bordo e segue de perto a TAM/LATAM no front doméstico. Como reflexo da crise a GOL encerrou as operações regulares aos EUA via Caribe com os Boeing 737-800. Espera em 2016 ampliar a oferta de aviões para leasing na alta temporada Europeia, reduzindo custos no Brasil e trazendo receita em moeda forte. Durante o ano corrente, introduziu também o Scimitar Winglets, com o qual espera obter maior economia de combustível.

Foto - ©Airfln Aviation Pictures

Foto – ©Airfln Aviation Pictures

Atrás de GOL e TAM está a Azul, operando uma frota padronizada em A330, E190/195 e ATR72-600. Durante 2015 completou o phase-out e venda dos ATR72-500, ATR42-500 e Embraer 175 oriundos da TRIP. Reduziu operações regionais na Pampulha, investiu em novos voos a partir de CNF e vendeu parte de seu capital para a chinesa HNA e a americana United.

Completando as 4 grandes do transporte de passageiros, está a Avianca Brasil, operando agora uma frota standard de A318/319/320, retirando de cena após 10 anos o Fokker 100. Seus A318 foram reduzidos na frota ativa, devido o precoce “falecimento” de seus motores PW6000, conforme comentários no setor. Opera também um A330-200 cargueiro e tem postergado o recebimento dos A330-200 de passageiros devido o cenário desfavorável.

Falando em carga, a RIO Linhas Aéreas se arrastou durante 2015, reduzindo linhas e frota e comenta-se no seu completo fechamento em 2016. Por outro lado a SIDERAL ampliou sua frota de 737-400F e 737-300F além de adquirir um ATR42-300 (PT-MFE, primeiro ATR do Brasil) e um 737-300QC, com os quais pretende atuar no mercado charter. A COLT Cargo iniciou operações durante 2015 e botou seus 737-400 para voar e recebeu o seu 757-200.

Completam os players ativos no Brasil a TOTAL, que pretende voltar ao mercado regional de passageiros, mas durante 2015/2016 prossegue nas operações RPN com seus 3 Boeing 727-200 e os 4 ATR42-500 para os fretamentos com a Petrobrás.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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