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Papa Tango Charlie

Aprendi, em um artigo do Gianfranco Beting, que o Comandante Omar Fontana da TRANSBRASIL dizia que aeronaves se tratavam como She, ou seja, não é O AVIÃO, é A AERONAVE. Porém, fico em dúvida se me refiro ao amigo PAPA TANGO CHARLIE ou a AMIGA CHARLIE… Falando nisso, Charlie é o nome da personagem de Top Gun, que vira o par romântico do Maverick! Pois bem, na dúvida, vou escrever sobre o PAPA PAPA – PAPA TANGO CHARLIE, o primeiro ATR da TRIP.

Nasceu em Toulouse, sendo o 35° ATR fabricado. Voou pela primeira vez em 19 de Dezembro de 1986, a TRIP nem existia e, se bobear, o José Mário estava na escola ainda, e não sabia que fundaria uma empresa aérea. Predestinada, a aeronave foi entregue em 23 de Dezembro de 1986 para a companhia Air Tahiti. Foi voar no Paraíso… A companhia operou este exemplar de ATRs até 27 de Janeiro de 1999, quando em processo natural por troca por ATR72, o devolveu para a ATR! Mas o 035 não queria deixar de voar no Paraíso e logo encontrou um novo dono. Uma companhia pequena, apoiada em um par de EMBRAER 120 Brasília, precisava de um avião maior, e logo o 035 se ofereceu! Foi preparado, pintado e finalmente chegou a TRIP em 19 de Dezembro de 1999, 13 anos depois de voar pela primeira vez! Seu destino? Fernando de Noronha! O paraíso… tal como fazia na Polinésia Francesa.

As cores do PP-PTC em 1999

As cores do PP-PTC em 1999 – Foto de Paulo Carvalho

Na TRIP, literalmente carregou a companhia nos braços. Na rota de Noronha, desbravou o centro-oeste como um legítimo bandeirante da aviação regional. Não se negou hora alguma a cumprir seu trabalho. Formou muitos profissionais, entre eles, mecânicos, pilotos, comissárias, despachantes… Muitos aprenderam a trabalhar na aviação ou melhorar seu currículo sob suas asas. Vestiu uma segunda roupa quando a empresa trocou de cores em 2004. Com esta roupa simpatizou tanto, que foi o último avião a trocar de cores na companhia, quando a mesma estava já com a terceira identidade visual lançada em 2008. Só apareceu com tais cores em 2012! Mas o PP-PTC, primeiro ATR da TRIP, já tinha tantos irmãos que a TRIP era o maior operador de ATRs do mundo, mas ele seguia cumprindo seu papel. Após um período em Check pesado, subiu para Manaus, a fim de desbravar a Amazônia ao lado de outros ATRs. Voltava a um reduto da empresa, mas já não era a estrela da frota. Ele já tinha até Embraer Jets como parceiros. Certo dia, ironicamente dois ATRs500 tiveram panes e, em nome da segurança, ficaram em solo. Quem socorreu a malha? O imortal PP-PTC.

A pintura por volta de 2004

A pintura por volta de 2004 – Foto de Matheus M. de F. Barbosa

Até que começou o mês de abril em Cuiabá. Para se despedir no hub que fez a companhia dominar o Centro-Oeste, o PP-PTC foi comunicado de que ali terminava seu papel pela Azul. Isso mesmo, a TRIP já havia unido forças com a Azul, sob uma única marca. E na manhã de 6 de Abril de 2013, um pouco mais de 13 anos depois, ecoou em sua cabine “TRIP 9964 livre decolagem…” ao recolher seu trem de pouso em Cuiabá, voou pelo imenso Brasil até ver diante do seu nariz, ou melhor, do seu radome, a pista do Aeroporto Zona da Mata. Se animou ao rever colegas como PTI, PTJ, MFE (primeiro ATR Brasileiro), TTL, TTE… Viu até jatos Embraer 175… e pousou… O som inconfundível dos PW121 cessaram… O PTC pousava para não mais operar pela TRIP. Cumpriu impressionantes 28.212 horas de vôo e 26.309 ciclos como aeronave da TRIP.

Quando do lançamento da marca nova da Azul TRIP, sugeri pessoalmente ao José Mário Caprioli que este avião tivesse seu lado esquerdo repintado nas cores de 1999 e o direito mantido com as cores atuais e que voasse da Pampulha para Campo dos Afonsos em uma doação da Azul TRIP para o Museu Aeroespacial, como forma eterna de gratidão ao avião que transformou uma pequena empresa regional na terceira força da Aviação Comercial Brasileira. Me perdoem os clássicos, mas para mim o PP-PTC no Musal tem o mesmo valor do PP-SMA (que já deveria estar em um Museu, diante do seu papel de primeiro 737-200 da América Latina) e do PP-VJM (Electra II da Ponte Aérea)… se vai acontecer? Não sei, mas dei a ideia…

Em 2012, a última troca de roupa pela Trip

Em 2012, a última troca de roupa pela Trip – Foto de Maikson Santos

Completando o ponto lá do início, Gianfranco, hoje, é o Diretor de Comunicação e Marca da Azul e ele escrevia muito sobre Omar Fontana, que fundou a Transbrasil de onde alguns diretores da TRIP vieram. A Transbrasil era minha segunda empresa favorita e sempre esteve no meu coração. Pois bem a TRIP minha segunda empresa… o PTC foi o terceiro avião da TRIP, e foi o meu terceiro turboprop na carreira. Voei o PP-PTC de SBBH à SBQV, SBJF à SBRJ, SBMK à SBBH, SBBH à SBQV mais uma vez, SBBH à SBMK, SBBH à SBQV de novo… não mais o voei… o vi sair do Check C… queria a oportunidade de mais um voo… só posso agradecer ao PP-PTC. Os voos que fiz com o mesmo foram agradáveis seja no JUMP ou na poltrona com a visão completa de sua asa e motores…
A este avião, todos da TRIP devem ser muito gratos por tudo…

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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