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Piloto automático

A British Airline Pilots Association (BALPA) oficializou recentemente uma reclamação de que “os pilotos de linha aérea estão perdendo as habilidades básicas de vôo e podem se tornar incapazes de lidar com uma situação de emergência como uma súbita falha mecânica”. A BALPA adverte que os pilotos estão se tornando muito confidentes na automação de sistemas e não são encorajados ou treinados para voar “manualmente”.

Tá aí uma coisa a se pensar. Eu não concordo muito com a advertência e sou extremamente a favor da automação total, acho que o vôo “guiado” por computadores é mais seguro do que voados na “mão”. Se houvesse um sistema central de monitoramento (CMS) naquele vôo da TAM que caiu após a decolagem em Congonhas, o acidente NÃO teria ocorrido. Humanos erram mais que computadores bem projetados. Kasparov perdeu para o Deep Blue, pra quem se recorda. Se houvesse um sistema gerenciador de vôo naquele avião do Comandante Garcez, o Varig não teria se perdido na Amazônia. E posso citar mais vários casos com a palavra “se“. Eu acredito que toda essa segurança que se sente hoje ao voar e o número cada vez menor de acidentes foi conseguida graças a automação.
E também não acho que pilotos percam as habilidades do vôo manual, a maioria voa aviões pequenos por hobby quando não estão trabalhando, e os que não fazem isso batalharam muito tempo em aviões pequenos até assumir o comando de um avião moderno automatizado. Em um caso de emergência total, as habilidades voltarão em um segundo, além do quê, hoje em dia, mesmo com a perda total de energia os computadores de bordo ainda funcionam e gerenciam os sistemas do avião, deixando os pilotos com a tarefa de se concentrar apenas na emergência (claro né? Se você compra um no-break por 200 reais no mercado pro teu computador não parar de funcionar quando faltar energia, quanto mais um avião de 230 milhões de dólares [777-200ER]).

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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