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Piloto decide se aposentar junto com o avião

O capitão da United Bob Russo baseado em Chicago ama tanto pilotar o “guppy” (a maneira que eles chamam o Boeing 737 por lá) que decidiu há muito tempo atrás que se um dia a United decidisse aposentar os 737, este seria o sinal para ele fazer o mesmo.

Bob, que tem mais de 17.000 horas nos cockpits do B737, é um piloto da United desde Junho de 1978 e exceto por poucos anos no B727, sempre voou o B737 em pequenas pernas. Ele será o comandante das três últimas pernas de voo do 737 no dia 28 de outubro, o último dia de operação comercial do modelo pela United.

O voo começa em Washington Dulles as 0600 da manhã, tendo o Chefe Regional dos pilotos Walt Clark nos comandos, que levará o avião até Chicago-O’Hare, onde Bob vai assumir.

O voo seguirá então com o First Officer Paul Fletcher, para Denver, depois Los Angeles, e finalmente para San Francisco, onde será recepcionado por canhões de água quando a aeronave taxiar para o gate, por volta de 1800hs.

“Nós temos aviões mais modernos e avançados em nossa frota agora,” diz Bob. “Mas o fato é que o 737 é o mais gostoso de voar e o que você leva mais ‘na mão’, com mais arte de pilotar”

“Sei que não é muito comum em uma empresa como a United, a maioria dos pilotos querem voar equipamentos maiores e pegar as rotas de mais glamour. Mas eu sei que não me adaptaria ao cenário de voar durante 14 horas nonstop. Eu gosto de voar para aeroportos pequenos, pegar pessoas e levar de volta a O’Hare, o aeroporto mais movimentado do mundo.” diz Bob.

Bob pousou o B737 mais de 5,500 vezes e quando ele tocar o solo em San Francisco no próximo dia 28 de outubro, será homenageado com os raros canhões de água. A sua esposa Sherry estará com ele neste último voo. Quando voltar a Chicago, seus planos serão de passar a aposentadoria voando seu Cessna 182 por prazer e como voluntário do “Angel Flight”, que oferece transporte aéreo gratuito para caridade e emergências médicas (poderíamos ter algo semelhante no Brasil né?)

“Eu entendo as duras decisões que a empresa teve que tomar” diz Bob sobre a decisão da United de aposentar toda a frota de 737 (300/400/500) “mas é realmente uma pena não termos mais o guppy voando. Eu sempre considerei o B737, particularmente o 737-200, a “ultimate flying machine”.”

Este é o relato de um piloto dos bons, que gosta de “pé e mão” e não de um joystick artificial. A arte de voar está acabando….

Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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