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Piloto S/A 2014 [parte 2]: Alterações no RBAC-61

Em março deste ano escrevi um artigo intitulado Piloto S/A 2014 onde eu destacava a minha preocupação com a entrada em vigor de mais alguns itens do novo RBAC 61, em particular a questão das 200 horas de voo em comando que seriam obrigatórias para a licença de instrutor de voo (INVA e INVH).

A minha preocupação era obviamente ligada à questão financeira da coisa, pois em média o camarada termina o curso prático de piloto comercial com até 100h de voo em comando, ou seja, seria necessário um investimento adicional entre 30 e 40 mil reais para chegar às 200h, isso se o camarada cogitasse pagar pelas horas adicionais.

Isto é, para quem já tinha gastado próximo dos 70 mil reais em sua formação, gastar mais 40 mil era algo muito preocupante, pois assim como eu, a maioria voa cada uma das 150 a duras penas. Muitos vendem carros, casas, deixam o lazer de lado, etc. O que é louvável, mas tecnicamente triste, pois a aviação é a rua principal de uma cidade, para não dizer de uma nação e o Brasil não poderia tratar o assunto como tem tratado nos últimos anos, com total descaso.

Neste mesmo artigo eu indiquei o que faria, no caso esperar até o meio do ano e ver se de fato este item entraria em vigor e se fosse o caso aguardar o comportamento do mercado para então continuar meu treinamento; ou ainda simplesmente vendo a obrigatoriedade sendo descartada, permanecendo assim tudo como era antes.

Bom, a resposta da ANAC veio antes do esperado, primeiro através de um workshop, logo em seguida pela publicação de uma minuta com possíveis alterações no novo RBAC-61, onde foi sinalizado que, entre outras coisas, a obrigatoriedade das 200 horas em comando para a licença de INVA seria retirada do regulamento, e por fim através da abertura de audiência pública para alterar o RBAC-61.

A quem interessar o assunto, e para ser franco deveria interessar a todos os pilotos, sugiro que não deixem de ler os artigos publicados pelo Raul no blog Para ser Piloto, especificamente na categoria Revisão do RBAC-61, e se achares que é muita coisa, leia pelo menos o resumo das alterações.

Fica claro na minuta da ANAC a intenção de retirar a obrigatoriedade das 200h. Certo mas esse é apenas um tópico da minuta (talvez o que interesse a maioria dos aspirantes a Piloto Comercial), contudo, os outros pontos certamente afetarão a grande maioria de nós seja agora, seja no futuro, afinal muitos querem virar PLA, muitos querem voar na Executiva, muitos querem contar horas em aeronaves Single Pilot voando como copila.

Sinceramente falando, eu não sei nada de regulamento além do que é obrigatório para as provas da ANAC, estou me esforçando para me inteirar no assunto, mas o fato é que eu ainda estou em treinamento, logo tenho pouca experiência e consequentemente minhas necessidades ainda são pequenas, mas sei que alguns de vocês possuem milhares de horas de voo, milhares de horas de manutenção, milhares de horas controlando o espaço aéreo e é a vocês que peço que ajudem na elaboração do nosso regulamento fazendo suas sugestões a ANAC até o dia 01/06/2012, próximo domingo.

Depois não adianta ficarmos reclamando que o regulamento é fraco, que é impreciso, que isso ou aquilo.

Por fim, eu decidi voltar a voar tendo em vista que tecnicamente o que eu precisava aconteceu. E aconteceu porque a nossa categoria se mobilizou, muita gente foi ao workshop, discutiram, propuseram e lograram êxito em muitos pontos, talvez sem essa mobilização as mudanças não teriam acontecido e nós, piloto-alunos, enfrentaríamos um grande dilema após o dia 22/06/14.

Agradeço e dedico este artigo especialmente ao Raul Marinho.

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Sobre o Autor

Sou aluno do curso de Piloto Comercial e tenho como objetivo me tornar piloto de uma grande companhia aérea.
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