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Professor nota asa “descolada”, avisa aos tripulantes e é expulso do avião

A notícia veiculada no Metro1 está reproduzida abaixo.

 

Vou desconsiderar a opinião do tal professor de Mecânica dos Fluídos agora e começar pelo texto do jornalista:

“Uma aeronave da TAM foi flagrada […] com um ‘armengue’ prestes a decolar…”

Meu.Deus.Do.Céu. Veja que o jornalista acusa a TAM de fazer “gambiarras” em seus aviões e por em risco 200 passageiros. Uma coisa é o “professor” falar isso. Outra coisa é o veículo publicar uma asneira dessa sem ouvir o outro lado. Lamentável e absurdo.

Mas espere, não é só isso!

  • Asa da turbina. Não sei o que é isso, talvez o jornalista possa explicar.
  • Spoiler: Não, não, não. Já explico porque estava descolado, mas aquilo não é spoiler, é slat ou flap de bordo de ataque.
  • O vento empurra os spoilers? Gente do céu, isso não é um F86 Sabre de 1944, é um Airbus dos início dos anos 90!
  • Nunca viu uma situação dessa? Ou só voou de Boeing até hoje, ou nunca viajou de Airbus em dias quentes (já explico).
  • Opa! Ainda bem que asa estava fora da fuselagem, lá dentro ela não gera sustentação.
  • Controladores de voo foram até o avião? E quem ficou tomando conta da Torre?
  • “A TAM é irresponsável”. Não, não é. O único irresponsável aqui foi quem emitiu essa opinião sem conhecimento de causa e quem a noticiou sem averiguar os fatos.

O que é aquela asa descolada então?

Os aviões da Airbus possuem um sensor de aquecimento no bordo de ataque das asas, para que em caso de alguma falha (ou vazamento de ar) no sistema de anti-gelo, um aviso alerte os pilotos. Pois bem, em dias muito quentes (como os que pegamos nos verões brasileiros), o ar quente “preso” dentro dos slats pode atingir o limite de temperatura que o sensor interpreta como “overheat”, causando uma falha “falsa” que vai requerer intervenção de manutenção e que pode gerar um atraso no voo.
Qual a recomendação do próprio fabricante da aeronave para dias quentes? Deixar os slats estendidos, pois a circulação do ar não deixará a temperatura atingir o limite do sensor. Só isso.

O slat estendido fica, graças a Deus, descolado da asa.

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Eu já disse aqui antes que passageiros não são obrigados a saber tudo sobre aviões, e que em caso de dúvida, em nome da segurança, reportem suas preocupações aos tripulantes.

Agora, se mesmo após ser informado que se tratava de algo normal você continuar dizendo que outras pessoas estão correndo risco sem ter a mínima idéia do que está falando, aí o melhor que pode acontecer é ser “expulso” do voo mesmo, pois você passa a fazer parte de algo inseguro para o voo.

Não vou comentar a opinião do professor, pois entre o que aparece escrito na notícia e o que se fala há uma distância enorme.

UPDATE: O Metro1 publicou a resposta da TAM neste link. A minha resposta é bem melhor, pois explica o motivo de estar estendido e não a função do slat.

 

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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