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Quem quer um MIG-29 Fulcrum particular?

Um MIG-29 Fulcrum, fabricado em 1989, voou ela primeira vez nos Estados Unidos no dia 23 de Janeiro deste ano, no aeroporto Snohomish County em Everett, Washington (perto da Being).

Foi o segundo MiG-29 particular a voar nos EUA (o primeiro está em Quincy, no estado de Illinois).

Este último caça soviético, N29UB, foi comprado pelo Historic Flight Foundation, uma companhia que se especializou em recuperar aeronaves “vintage” construídas entre 1927-57.

A coleção de aviões restaurados engloba um Waco UPF-7, P-51B Mustang, Spitfire Mk. IXE, T-33, Grumman Bearcat, e um B-25D Mitchell.

Porém, quando o fundador da companhia John Sessions ficou sabendo que um MiG-29 estava a venda em 2005 na Ucrânia, ele decidiu comprar e testar se um complexo avião de alta performance poderia ser restaurado seguindo as mesmas regras e procedimentos de um avião vintage.

O resultado acabou sendo um dos melhores MiG-29 que existem no mundo!.

Mas não foi fácil chegar aos Estados Unidos um avião que voa a Mach 2.2 e a 60,000 pés de altitude. A companhia contratada para transportar o jato dividiu o carregamento em duas partes (para se precaver contra sequestros): uma parte continha a asa e os motores e foi transportada através do oceano atlântico e chegou sem problemas e a outra parte que continha a fuselagem foi enviada através do oceano Pacífico.

Acontece que as coisas se complicaram quando a fuselagem estava sendo descarregada em Hong Kong para ser embarcada em outro navio, pois o transportador esqueceu de pedir uma licença local de importação e a fuselagem foi apreendida pelo governo como contrabando militar em 4 de abril de 2006.

Durante os dois anos seguintes, John Sessions viajou várias vezes a Hong Kong para conseguir tirar o MIG da burocracia do canal vermelho. Finalmente, em 2008, um juiz declarou que o jato havia sido propriamente desmilitarizado antes de entrar em Hong Kong e deveria seguir para o atual comprador, a Historic Flight Foundation. Em 2008, a fuselagem se juntou ao resto da aeronave no aeroporto Arlington Municipal no hangar Morgan Aircraft Restorations, a companhia que fez a restauração.

Morgan desmontou a aeronave completamente para inspecionar todas as partes danificadas (assim como no Overhaulin’) . Algumas partes que não chegaram aos EUA tiveram que ser fabricadas do zero, ou foram replicadas fazendo-se uma cópia exata e invertida de uma peça do outro lado da aeronave.

Os componentes que mostravam desgaste acentuado ou qualquer tipo de corrosão foram substituidos, incluindo os dois motores turbofans Klimov RD-33 com pós queimadores, especialmente fabricados pela fábrica da Klimov na Russia. Morgan também utilizou mecânicos experientes em MiG-29, que trabalharam décadas na linha de frente na Eslováquia.

Enquanto a aeronave era restaurada, dois Migs 29 da força aérea Russa caíram, e foi descoberto depois que a causa havia sido o rompimento do estabilizador vertical com a fuselagem por corrosão. A HFF então re-projetou todos os componentes de fixação do estabilizador vertical, fazendo-os em alumínio para prevenr que o mesmo ocorresse no modelo americano.

Como a aeronave havia ficado muito tempo estacionada “no tempo” na Ucrânia através de longos invernos e depois por quase dois anos em Hong Kong, muitas chapas metálicas precisaram ser substituídas.

A aeronave inteira foi desmontada e pintada, mas as marcações foram mantidas o mais próximo possível do original, desde o padrão de camuflagem até a pantera negra pintada no nariz.

A restauração terminou em Dezembro de 2010, exceto pelas cargas explosivas dos assentos ejetáveis, que haviam sido removidas na Ucrânia como parte da desmilitarização. Conseguir comprar estes explosivos e importar para os EUA foi outro desafio para a HFF, mas conseguiram instalar em meados de Janeiro e a aeronave estava pronta para voar novamente.

John Sessions e Doug Russell, um ex-piloto de F-15 que havia voado o MIG-29 na Europa, fez o voo de traslado no dia 23 de Janeiro do agora batizado N29UB de Arlington para Snohomish County.
John Sessions disse que o voo foi “sólido.”

“Em uma curva de baixa velocidade você começa a sentir “uma tremedeira”, como se fossem vários feltros presos na asa, mas bastou adicionar um pouco de potência e a tremedeira desapareceu”.

O único movimento no assento foi causado pelo corte do pós-queimador. “Eu senti um tranco para frente, foi uma experiência legal”.

O MiG-29 está agendado para fazer testes de voo em breve, voando a altitudes de 60,000 pés e velocidade de até Mach 0.97, além de manobras de High-G.

Sensacional não? Somente nos EUA se consegue fazer estas coisas, ter um avião militar particular. Aqui no Brasil é tanta burocracia e impedimentos que torna isso impossível. Uma pena.

fonte: EAA News

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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