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Ranking de segurança das empresas aéreas, dá pra confiar?

face10

Está difícil arrumar tempo pra fazer o que os repórteres dos grandes portais deveria fazer: ter senso crítico.
Ninguém pensa mais, só postam as notícias como se fossem verdades e beleza, é o que temos pra hoje.

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Hoje em dia qualquer zé mané com conhecimento em estatística pode criar qualquer coisa compilando dados, colocar na Internet e pá!, passa a ser verdade. Ontem mesmo eu estava conversando com um estatístico e uma matemática e eles me falavam que até um quadro de medalhas de olimpíadas pode ser alterado [afinal o que conta na vitória? o número de medalhas de ouro? o número total de medalhas? o peso atribuído a cada categoria?] para favorecer o país interessado, quanto mais a análise pura e simples de vítimas de acidentes aéreos obtidas na Internet.

Aposto que você nunca ouviu falar da JACDEC, a empresa por trás desse ridículo ranking de segurança que aparece todo início de ano, no entanto as pessoas (que não acreditam em pesquisa eleitoral) acordaram hoje sabendo que a GOL, por exemplo, é a 52ª no ranking de segurança aérea do mundo. Estaria essa pesquisa correta?

O amigo JACDEC utiliza o seguinte método de avaliação pra criar seu ranking: Fatalidades entre 1985-2014 multiplicado por 1000 e dividido pelo RPK (Revenue Passenger Kilometers ou passageiro por quilômetro voado). Só isso, conforme pode ser visto neste link do próprio site. Pior do que usar uma metodologia tão simples, o item 15 do “disclaimer” do relatório deles fala assim:

Jacdec Safety Categories take into account all aspects of airline safety and therefore must be regarded as generally and inaccurate

Em uma tradução livre: “O JACDEC leva em conta todos os aspectos de segurança das empresas aéreas e portanto deve ser considerado como impreciso e generalizado“. Pelo menos não se pode negar que eles são honestos.

Não se pode analisar a segurança de uma empresa aérea baseando-se em número de acidentes e vítimas ocorridas em um determinado período. Na compilação do JACDEC os voos sequestrados da American Airlines e da United Airlines que se chocaram com o World Trade Center em Setembro de 2001 aparecem como acidentes e pesam no índice destas empresas, colocando-as como menos seguras.

A GOL teve apenas um (1) acidente aéreo com vítimas fatais em toda a sua história, quando um Legacy que voava em altitude incorreta se chocou com um de seus Boeing 737. A GOL foi vítima, mas pelo índice postado a GOL é considerada uma companhia aérea insegura, e isto está errado minha gente!

A metodologia usada pela JACDEC (abreviação de Jet Airliner Crash Data Evaluation Centre) contempla empresas aéreas mais novas que ainda não sofreram acidentes contra empresas anciãs que tiveram vítimas não interessando a causa. Como é que isso vira notícia?

Resumindo: Não se avalia a segurança de ume empresa aérea contando o número de vítimas do passado. No dia em que descobrirem um método de contar quantas decolagens deram certo, quantos motores funcionaram perfeitamente, quantos voos não desviaram por qualquer motivo, aí sim a gente pode conversar.

Até lá qualquer ranking é só notícia pra abastecer comentários de portais.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
  • Giuliano Rufino

    Caro Lito, a Internet matou o bom jornalismo, a mesma Internet que permite que você dissemine seu conhecimento a milhares de pessoas, e a mesma que deixou os jornalistas preguiçosos e replicadores de noticias, hoje em dia os sites de noticias não se preocupam mais com a veracidade da informação, até porque na velocidade digital, os caras não perdem tempo com isso, precisam preencher páginas e mais páginas de conteúdo fresquinho a todo momento, e já vimos que até as coisas mais banais viram noticia, e ganham uma repercussão muito maior do que o fato, e a mídia parou no tempo, hoje voar é uma coisa corriqueira no Brasil, mas a mídia ainda trata como se fosse uma coisa de outro mundo coisa só de gente rica, como era nos anos 80, ai qualquer simples atraso de voo, vira uma noticia enorme.

    • Em verdade a decadência do jornalismo brasileiro é anterior à própria internet. Negligência e preguiça com apuração não são tão novos quando parece, em se tratando de Brasil. Sem falar nas questões que envolvem falta de imparcialidade, que já caminhavam juntas com o nosso jornalismo desde os primórdios e que se acentuaram absurdamente dos anos 60 em diante. A questão é que hoje ficou mais fácil para o leitor médio perceber isso, porque ele tem mais fontes similares ao alcance para confrontar. Fora a infindável base de dados indexados pelo Google. Quando nos perguntamos por que a mídia continua semeando desinformação e medo sobre aviões, devemos nos perguntar também por que em pleno século XXI um jornal ainda dá destaque para horóscopo, “previsões de ano novo”, romarias, “primeiro bebê do ano” e outras coisas que faziam sucesso entre o final do século XIX e o início do século XX. A mídia é seletiva quando quer formar opinião, mas ao mesmo tempo abre mão de qualquer critério quando o assunto envolve tiragem e audiência. Nesse último caso só o que importa é vender esse produto de péssima qualidade que chamamos de jornalismo brasileiro.

      • Quando mesmo que existiu essa tal de imparcialidade? Quais são os meios de comunicação que podemos dizem que são realmente imparciais?

    • ochateador

      Internet não matou o bom jornalismo não. Apenas deu vazão aos péssimos jornalistas, afinal qualquer zé ruela pode criar um site/blog e sair postando o que bem entender.

      Bom jornalista existe em qualquer lugar (jornal, revista, internet, etc). Só está mais difícil de encontrar eles.

    • Papel custa mais caro que bits.

  • Humberto Kubrick

    Como dizia o imortal RAUL SEIXAS :”Eu não preciso ler jornais ,mentir sozinho eu sou capaz.”

  • Agora vocês imaginem que as notícias em áreas onde não temos tanto conhecimento também tem o mesmo tipo de abobrinha só que não percebemos tanto.

  • valter mello

    Gosto muito de uma frase, da qual não sei o autor, que diz algo como “Estatística é a arte de torturar os números, até que eles contem aquilo que nos interessa”.
    Esse fato, aliado à uma boa dose de má fé na busca por índices de audiência, e muita falta de senso crítico do público em geral, resulta nesse oceano de notícias tendenciosas e sem credibilidade alguma que nos afoga diariamente.

    • Daniel Silveira

      Valter Mello, simplesmente sensacional seu comentário. A frase foi a campeã. Concordo contigo 100%.

  • Usar a Jacdec como referência para segurança é como usar uma conversa de bar para embasar exploração espacial. Em vez de dizerem amém para o que é publicado na imprensa, as pessoas deveriam aprofundar suas pesquisas sobre certas fontes que a mídia usa. Jacdec, Ifalpa… nenhuma dessas siglas se refere a entidades com prerrogativa regulatória, fiscalizatória ou investigatória em nível de aviação comercial (e nem de aviação civil). Essa Ifalpa a revista Veja (e outros veículos do mesmo “naipe”) chegaram a anunciar como uma entidade que fazia parte da ICAO… Fui pesquisar e verifiquei que as únicas “ligações” que eles têm com a ICAO são: 1) possuem escritório no mesmo prédio da ICAO; 2) um de seus diretores já trabalhou na ICAO; e, 3) o emblema da Ifalpa tenta seguir os modelos usados por entidades da ONU (como a ICAO). Somente isso. Não há nenhuma ligação oficial entre Ifalpa e ICAO. Nem mesmo sob a forma de convênios ou acordos de cooperação. E a Jacdec é apenas uma consultoria privada alemã, formada por meia dúzia de ex-pilotos. O forte deles é enviar releases prontos para jornalistas incompetentes.

  • André Felipe L Dias

    O Mais engraçado é que a Azul que nunca sofreu acidente fatal e tem quase 200 milhões de pax transportados desde 2008, não aparece nem entre as 60 mais seguras do mundo, tal grafico somente contabiliza como mais seguras cias que já sofreram acidentes fatais ou a estatística deles é tão porca que nem para o propósito (já incorreto) de contar fatalidades entre 1985-2014 multiplicar por 1000 e dividir pelo RPK funcionou?

    • Guilherme Augusto

      A Webjet nunca sofreu sequer um incidente e eu nunca vi o nome dela em algum ranking desses ..

  • Ricardo Braz

    Tem razão, pois esses critérios utilizados não servem para medir a segurança de uma empresa aérea. Mas parece uma metodologia muito próxima àquela que as pessoas costumam utilizar para comparar número de vítimas de acidentes de carros e acidentes aéreos, pois também são desprezadas as proporcionalidades entre número de automóveis e aviões, quantidade de deslocamentos de cada meio de transporte etc.

    • Você está cogitando que os quantitativos usados para mostrar o genocídio no trânsito não são um termo confiável de comparação com a aviação, em virtude de não haver dados sobre os quilômetros percorridos por cada veículo automotor? Quando os números são extraordinários demais, eles falam por si só. Independem de contexto. Basta observar que a Organização Mundial da Saúde em nenhum momento manifesta preocupação com a aviação (até porque essas estatísticas diminuem na razão inversa do número de voos, ao contrário das estatísticas de trânsito), porém a entidade tem feito seminários frequentes sobre o problema rodoviário e trata isso como calamidade pública. De acordo com a OMS, em 2010 pelo menos 1,24 milhão de pessoas morreram em acidentes de trânsito em 182 países. A mesma entidade estima que em 2020 haverá cerca de 1,9 milhão de mortos por ano nas estradas e vias urbanas do planeta. Quase 2 milhões de mortos a cada ano – que contexto vai justificar isso de forma aceitável? Nem guerras matam tanto quanto carros.

      • Ricardo Braz

        Não, Marcelo. Estou dizendo que essa comparação (automóveis x aviões) também não leva em conta a proporção de veículos e viagens, além de outros dados ligados à proporcionalidade (acredito que há mais carros em SP do que aviões no mundo). Eu não quis dizer que automóvel é mais seguro que avião, pois estaria afirmando uma bobagem. Apenas comparei métodos imprecisos de avaliação.

        • Eu não acho que os métodos usados por organizações como ICAO e OMS são imprecisos. Eles talvez não sejam suficientes para quantificar em percentuais o quanto os aviões são mais seguros do que automóveis, mas que a diferença é brutal o número de vítimas entre um e outro não deixa margem para dúvidas. E depois tem outra coisa: se acrescentar o número de acidentes com invalidez permanente vira até covardia. Não tenho dados em nível mundial, mas usando o exemplo do Brasil dá para ter uma vaga ideia. De acordo com o DPVAT, em 2014 houve um total de 52.226 mortes no somatório de vias urbanas, estaduais e federais no país. No mesmo período, houve outros 595.693 sinistros por invalidez permanente. Ou seja: para cada morte no trânsito em 2014 houveram outras 11 pessoas com invalidez permanente. São as vítimas mais invisíveis ainda para a imprensa. Mas vamos pensar numa média otimista: vamos imaginar que os inválidos no mundo por causa do trânsito sejam “apenas” o triplo das mortes. Isso já colocaria os inválidos na ordem de quase 6 milhões por ano. E essa é uma perspectiva otimista.

  • JackCrazy5

    Lito, o que acontece quando um aeroporto não tem torre de controle?

    • Fabrício José da Silva

      Acredito que se não tem torre não pode se chamar de aeroporto.

      • Ricardo Bonotto

        Meu Deus !!!!!! ele limitou a inteligência mas não a ignorância !

    • Guilherme Augusto

      Coordena-se com outras aeronaves em frequências específicas ou na livre (123.45). Há ainda os aeródromos que possuem apenas estações com “operador de rádio”, que vai lhe passar algumas informações sobre o aeródromo e suas imediações, como condições de pista e meteorologia, por exemplo, sem no entanto, controlar as aeronaves.

      • Alberto Zucco Fantini

        Rádio operador tipo o “baruiada” lá de MG… Aquela foi sacanagem…

  • Andre Oliveira

    Obrigado Lito pelos esclarecimentos. Realmente qualquer um pode criar o indicador que quiser e sair por ai propagando um número. Achei muito instrutivo o contraponto que fez elencando o que seriam, por exemplo, indicadores válidos como: “um método de contar quantas decolagens deram certo, quantos motores funcionaram perfeitamente,quantos voos não desviaram por qualquer motivo”. Parabéns pelo estilo que usa no aviõesemúsicas: descontraído e muito instrutivo.

  • Henrique Souza

    Já que também estamos falando de estatística, lembrei-me de um texto antigo que uma vez uma professora da faculdade há mais de uma uma década e meia nos deu e uma de suas aulas de estatística. Chama-se “O homem que morreu de estatística”. O texto é meio antigo, mas bem interessante.

    O homem que morreu de estatística

    A estatística é a ciência segundo a qual se você comer dois frangos e eu nenhum, nós comemos, em média, um frango cada um.

    A estatística — como os frangos — tem seus apreciadores e seus fanáticos, e também os que morrem por sua culpa, como aconteceu, por exemplo, com o obstinado José Pitágoras, que passou pelo menos vinte anos de sua vida escravizado pelas médias ponderadas, projeções aritméticas e outros itens dessa filha bastarda da Matemática. Aos quarenta anos morreu estatisticamente.

    Ele era dono de um restaurante na Zona Sul e dirigia seus negócios de acordo com os estudos e as análises das estatísticas. Às Quartas-feiras, por exemplo, não oferecia feijoada como faziam todos os outros restaurantes. Oferecia bacalhoada, prato tradicional das Sextas-feiras. E justificava:

    —De cada dez pessoas, quatro não gostam e uma não pode comer feijoada, de modo que procuram meu estabelecimento. Assim eu sempre tenho uma média razoável de faturamento.

    Às sextas-feiras servia feijoada e invertia o argumento:

    — De cada dez pessoas…

    Não fazia absolutamente nada, nem mesmo em sua vida privada, sem examinar antes o cálculo das probabilidades e as indicações das médias. Certo dia, leu em um livro americano que nove em cada dez mulheres de origem japonesa são doze vezes mais pacientes, quatorze vezes mais fiéis e cinco vezes mais dedicadas aos maridos do que as mulheres de outras raças. E não descansou enquanto não desposou uma nissei.

    A mulher – Yoko – foi-lhe estatisticamente fiel durante quatro anos. A partir daí, começou a traí-lo, em média, duas vezes cada sete dias.

    Havia uma possibilidade em quatro de José descobrir a infidelidade de Yoko. Essa possibilidade aconteceu graças a uma carta anônima, pois está provado que, de cada cinco pessoas, duas curtem a nefanda prática da delação.

    Mesmo arrasado pela dolorosa realidade, José Pitágoras foi coerente com a sua mania. E propôs à adultera:

    —Vou submeter-me a uma “roleta russa”. Se eu me safar, dou-te o meu perdão e seremos felizes outra vez, pois as estatísticas provam que oito em cada dez mulheres perdoadas pelos maridos arrependem-se sinceramente
    e jamais voltam a trair. Se eu morrer, serás infeliz para sempre, porque sete
    em cada dez viúvas de suicidas vivem infelizes pelo remorso.

    Dito isso, contou as balas do revólver: seis. Tirou cinco, girou o tambor e pensou: “ Tenho cinco chances de continuar vivo e uma de morrer”. Levou a arma à têmpora, puxou o gatilho e caiu morto com uma facada nas costas.

    Ele não levou em conta que, segundo as estatísticas, de cada dez mulheres atormentadas pelas obsessões do marido, três são subitamente acometidas por incontrolável fúria homicida.

    • Geraldo

      Sensacional!!! Mas porque não considerar estatísticas sobre a segurança das cias aéreas, se tem que goste e considera, porque não seria válido? Eu não tenho duvida de que aéreas do oriente médio são melhores em conforto, pontualidade e segurança, graças a eventuais estatísticas, porque jamais voei em alguma
      delas.

      • Henrique Souza

        A estatística é uma ciência linda quando é usada para quantificar parâmetros simples. Quando você começa a lidar com parâmetros qualitativos com os quais ligam-se inúmeras variáveis, o seu resultado estatístico pode começar a ficar bem questionável. Um exemplo disso é “segurança de voo”. É algo por deveras complexo para se tratado como o Jacdec trata de maneira tão simplista. Seria como se alguém quisesse tentar demonstrar estatisticamente a possibilidade de alguém assassinar outra pessoa tomando por base a arma de fogo que essa pessoa carrega.

    • Marcelo Cardoso

      Obsessão e fanatismo em qualquer coisa na nossa vida só leva a catástrofe.

  • Humberto Kubrick

    “Crucificar ” a ciência estatística por causa de um estudo ,acima de tudo tendencioso ,e tentar reduzir a sua complexidade e primordialidade em todos os ramos do conhecimento formal ,podemos dizer assim,com opiniões e frases prontas típicas do senso comum é no mínimo jocoso.

    Acho que algumas pessoas acham que na ciência estatística só existem a Media ,moda,mediana ,variação e desvio padrão…

  • Eu não confio em nenhum tipo de ranking. Eles são facilmente manipuláveis. Da Internet então, nem se diga.

    “no entanto as pessoas (que não acreditam em pesquisa eleitoral)”

    Quem disse? As pessoas acreditam nas pesquisas (não só eleitorais) que dizem aquilo que elas querem ouvir.

  • Milton Coelho Neto

    Pois é! Achei um ABSURDOOOO o que fizeram com a Gol! Foi justamente o que pensei, Lito, a Gol, até onde sei, em toda a sua história, sofreu apenas UM ÚNICO ACIDENTE e por culpa de OUTREM que não ela! Como podem colocar a Gol quase que na ultima colocação? Isso é um absurdo! Ai, vem meu pai com ar de deboche e manda eu ver esse patético resultado dessas tão quando patéticas análises.

    • Marcelo Cardoso

      Patético mesmo, só para encher de likes e comentários, como disse o Lito.

  • Carlos

    Grande Lito, o ranking é ruim, tem imprecisão, mas qualquer índice de natureza similar vai depender, em alguma medida, de indicadores passados de acidentes.

  • WVJúnior

    Off topic
    Emirates confirmou o A380 na rota DXB / GRU a partir de 26 de março de 2017.
    Essa informação já reflete no sistema de reservas da empresa.

    • Marcelo Cardoso

      Que maravilha! Pelo menos meu sonho de voar em um A-380 está agora mais perto, a aeronave está vindo para cá!

  • Everton Everton

    Já que o assunto é estatística e suas distorções. Alguém me esclarecesse como é feito aquele “cálculo” que indica que é o transito é mais perigoso que os ares.

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