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Resistência de uma asa

Há dois dias o flightblogger postou um artigo interessante sobre o quanto na realidade a Asa do Boeing 787 vai flexionar em vôo, baseado nos desenhos fornecidos pela própria Boeing e pelos documentos fornecidos para o planejamento dos aeroportos, e chegou à conclusão de que pode chegar até 10 pés (aprox. 3,2 metros) em relação ao neutro (aeronave no solo). Bem, levando-se em conta o quanto flexiona hoje em dia a asa de um Boeing 737-800 com winglet, nem é de se espantar tanto.

787 Flex Wing

O que espanta mesmo são os testes que as fábricas efetuam nas asas para se certificar que o projeto realmente vai suportar as cargas aerodinâmicas sofridas em vôo. Para você ter uma idéia, o regulamento (FAR25.303) do FAA exige que qualquer projeto deve suportar um nível de carga de 1.5, ou seja, 150% . Explicando: Digamos que um avião seja projetado para, em condições normais de vôo, sofrer cargas de 3G (valor fictício – 3 vezes a força da gravidade). Para que este projeto seja certificado, deverá então suportar forças de 7.5G! (esses valores são para exemplo somente, na verdade são maiores ou menores dependendo do tipo de aplicação e característica do avião).

E só há uma maneira de provar que o que os engenheiros projetaram vai funcionar na vida real: Levar a estrutura da asa ao extremo e e ver até onde ela suporta. Não sei se vocês lembram, mas em 2006, o Airbus A380 falhou no teste de resistência e quebrou a 1,45 de carga. Isso atrasou ainda mais a entrega do primeiro avião.

Em compensação o Boeing 777 passou com louvor! Esse teste de resistência é espetacular, vejam abaixo a filmagem feita em 1995. Observem o quanto a asa chega a curvar até se quebrar a 154% de carga. Depois de ver esse vídeo, tenha certeza de que quando o avião entrar em uma turbulência severa nada vai acontecer com a estrutura e você pode encostar no assento e dormir sossegado :)

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
  • Pingback: Destruição da Asa do 787 - Vídeo : Aviões & Músicas()

  • Removido tb… (só pra avisar né)…

    • Atualizado com novo vídeo, tks!

  • Luciano Gurski

    quero ver é dormir em meio a uma turbuência… :)

    • Depende de que tipo de turbulência você está falando…
      Usualmente há 3 categorias para turbulência: leve, moderada e severa.
      Leve é aquela que praticamente qualquer aeronave comercial pega pelo caminho em pelo menos alguma etapa do voo, especialmente quando atravessa algumas nuvens.
      Moderada pode ocorrer em uma parcela razoável de voos e é aquela que já faz alguns passageiros mais assustados cravarem as unhas no assento, quando o máximo que eles precisam fazer é afivelar os cintos.
      Severa é a turbulência efetivamente mais preocupante. Mas não exatamente pela aeronave, e sim porque os passageiros podem ser até arremessados contra o teto da cabine se não estiverem sentados com os cintos afivelados.
      É na turbulência severa que eventualmente há fraturas, quando há. Mas por outro lado elas não são tão comuns: geralmente ocorrem em (alguns) voos transcontinentais, voos que estão cruzando sobre cadeias de montanhas, proximidade de jet streams (correntes de jato) ou quando envolvem CAT (turbulência de céu claro).
      Registros de turbulência severa em espaço aéreo brasileiro acho que só mesmo naquelas situações em que pilotos entraram inadvertidamente em CBs, por exemplo.
      Eu diria que até a turbulência moderada é possível dormir, porque não é muito diferente de estar em um carro atravessando uma estrada esburacada quando se está caindo de sono. Dá alguns solavancos, mas o sono é mais forte.
      Já na turbulência severa ninguém conseguiria dormir, realmente.

      • Luciano Gurski

        Rapaiz, na leve até já dormi… Mas não sei o que é mais difícil: dormir com o avião trepidando igual a estrada esburacada ou a poltrona que inclinada fica praticamente de pé… (como em certas companias brasileiras…hehe).

      • Jonatas Elias

        A turbulência que dizem ser comum os voos enfrentarem ao cruzar o pacífico norte da Ásia para a Norteamérica se enquadra como moderada?

        • A ocorrência de turbulência nessa área pode ser comum, mas fica difícil fixar um grau de turbulência porque isso depende de vários fatores. Há casos registrados de turbulência severa em algumas rotas como essa, mas não significa que vão ocorrer em todos os voos, por exemplo. E mesmo em regiões fora da chamada Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) pode ocorrer turbulência severa. Justamente porque outros fatores podem levar a isso. Altitude, proximidade de zonas montanhosas, jet streams, deslocamento de células: a conjugação de alguns fatores também pode levar a turbulências. Existe uma probabilidade bem maior em zonas como a ZCIT, mas é importante esclarecer que a própria ZCIT é uma frente em deslocamento, ou seja, ela varia de posição conforme a estação do ano.

          • Jonatas Elias

            Obrigado. Pergunto isso porque voei Narita-Atlanta agora em dezembro/15 e lembro que vi no IFE ventos de cauda de mais de 250 km/h. O voo durou só onze horas e meia, das quais umas nove horas e meia foram turbulentas. Não turbulência severa, a ponto de machucar, mas muito “indigesta”. E já “ouvi” relatos de que praticamente todos os voos que sobrevoam o Pacífico passam pela mesma situação. Engraçado que o trajeto contrário, pelo círculo máximo, os voos parecem ser tranquilos nesse sentido.

  • Aproveitando que esse post foi desencavado…
    Quando Lito escreveu, em junho de 2008, o 787 estava recém sendo submetido aos primeiros testes de resistência de asa.
    Em março de 2010 a Boeing completou o “Ultimate-load Wing-up Bending Test” e o resultado foi este:
    http://s3.postimg.org/pjsemr9s3/index.jpg
    Imagem em alta resolução: http://zip.net/btqQ7K
    A flexão total da ponta da asa do Dreamliner chegou a 25 pés (7,6 metros)!

  • Tiago Felsky

    Bom dia a todos. Desculpe a ignorância, mas se a asa precisa suportar 1.5x ou 150%. Se o avião foi projetado para carga de 3G, logo 3G multiplicado por 1.5 o resultado é 4,5. Sei que o intuito do post é mostrar o quão resistente é uma asa, mas fiquei com essa dúvida, se realmente a asa precisa suportar 7,5G ou só os 4,5G.
    Obrigado a todos, e Lito estou viciado no seu blog e vídeos do YouTube, parabéns a você e a todos que tornaram isso possível.

    • Ítalo Souza

      De fato. É 4,5.

  • Gui Albuquerque

    E o vídeo…?

  • Gui Albuquerque

    O vídeo foi excluído. Será que é possível encontrar esse vídeo em algum lugar…?
    Uma coisa que sempre me deixa intrigado é a forma de fixação da asa no avião…!!!
    Como a asa é colocada sob o avião…?
    Esse talvez seja uma dúvida que me deixa com um pouquinho de receio na hora de voar…

    • Don Ramón

      Achei este aqui no Youtube. Deve ser o mesmo que estava postado na matéria anteriormente. E pra não deixar passar batido: dia 25/10 os robôs da Boeing começaram a fabricação da nova asa do novo 777x, uma maravilha aerodinâmica e tecnológica… Esse avião é demais!
      https://www.youtube.com/watch?v=WRf395ioJRY

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