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Senado rejeita proposta de desregulamentação de franquia de bagagem

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O Senado rejeitou a proposta de desregulamentação da bagagem despachada, alegando que “aquela casa sempre agirá em defesa do consumidor”.

É um retrocesso sem tamanho, que nos deixa ao lado dos seguintes países que praticam franquia: Rússia, Venezuela, China e México. Ninguém procurou se informar sobre a proposta da ANAC, todos só leram que as empresas passariam a cobrar por bagagem despachada.

Acontece que hoje em dia TODO MUNDO já paga a bagagem, ou você acha que as empresas levam sua bagagem de graça? Você vai rapidinho ali no Rio de Janeiro passar o fim de semana levando só a sua mochila? Não interessa, vai estar embutido na sua passagem o custo de levar 23kg no porão. Eu acho que isso é ser um consumidor lesado, mas o Senado acha que não.

O autor do projeto, senador Humberto Costa (PT-PE), argumenta que, apesar de a Anac alegar que a medida vai levar à redução do preço das passagens, a agência não cobrou das empresas aéreas nenhum compromisso com a diminuição de preços

Sim meu caro senador, porque a agência não deve regular preços de passagens, pois enquanto fez isso até 2002, nós pagávamos 2 vezes o que pagamos hoje após a desregulamentação. Ninguém lembra, mas o preço médio de uma passagem aérea em 2002 era de R$ 670,92. O preço médio em 2016 é R$ 322,44 mesmo com a inflação destes anos todos! (Fonte)

O argumento mais comum dos que são contra a medida é que “as empresas aéreas não vão reduzir o preço para quem não levar bagagem e ainda vão cobrar acima de quem levar”. É o mesmo argumento que usaram em 2002, que se a ANAC liberasse os preços de passagem todas as empresas iriam cobrar o que quisessem e tudo ficaria muito mais caro. No parágrafo acima está bem visível o que ocorreu em 14 anos de desregulamentação não é?

Tem uma coisa que eu não entendo muito bem ainda, baseado em todas as reações que vi no twitter quando eu disse que a medida da ANAC era uma coisa boa: As pessoas NÃO CONFIAM no Governo, mas querem que o próprio Governo cuide do preço das coisas pra elas…pra mim não faz muito sentido.

Low Cost

Uma empresa de low cost é aquela que cobra o menor preço de passagem possível pra levar uma pessoa de A até B. Se a pessoa tiver bagagem pra despachar, cobra-se uma tarifa. Se a pessoa fizer checkin no aeroporto (e não pela internet), cobra-se tarifa. Se quiser comer a bordo, cobra-se. Esse tipo de modelo de negócios deixa as passagens extremamente baratas para quem se sujeitar a ser simplesmente levado de um lugar para outro. Hoje temos inveja de saber que na RyanAir cobra o equivalente a R$ 50 para um trecho similar à ponte aérea (usando aeroportos alternativos). O pessoal aplaude e reclama que no Brasil as passagens são caras – mas jamais vai poder existir uma RyanAir aqui se as empresas são OBRIGADAS a incluir no preço uma franquia de bagagem.

Quantos empresários que gostariam de investir no modelo Low Cost serão impedidos se o congresso rejeitar a proposta como o Senado fez? Quantos anos mais ficaremos no atraso do desenvolvimento? Eu sempre lembro da Reserva de Mercado, que componentes de informática não poderiam ser importados, teríamos que comprar só da Zona Franca de Manaus para engrandecer a indústria nacional….sim, é possível ver o quanto avançamos não é mesmo?

Mas o preço da passagem ia cair mesmo

E eu sei lá? TUDO indica que sim, pois 35% das pessoas que voam levam só bagagem de mão (dados de 2015). A empresa aérea sabendo de antemão quem despacharia bagagem, poderia utilizar espaço no porão para transportar carga e aumentar a eficiência de sua operação podendo baixar ainda mais o valor da tarifa. O fato é que do jeito que está temos a certeza de que os preços não cairão, então pode comemorar os que acharam que o Senado fez uma coisa boa. As pessoas esquecem que há métricas muito bem definidas para compor o preço de uma passagem e abusos seriam regulados pela concorrência.

Entre as regras rejeitadas pelo Senado, havia o encurtamento do prazo para ser reembolsado por mala perdida (sete dias, após o prazo para devolução da bagagem, para indenizar os passageiros. Atualmente, não há prazo para o pagamento da indenização), a capacidade de remarcar um trecho de voo perdido sem que a perna de retorno seja perdida, o aumento da franquia de peso para bagagem de mão (hoje vale a regra do século passado de 5kg), entre outras coisas.

Em resumo: Enquanto as fabricantes criam aviões fantásticos e cada vez mais eficientes, a nossa legislação do século passado impede que essa eficiência seja usada em prol do próprio passageiro, focando apenas na questão de que “vai pagar bagagem”, sem explicar que “já se paga de qualquer jeito”.

P.S. Escrito às pressas, eventuais erros ortográficos serão corrigidos ao longo do dia.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
  • Leonardo Barbosa

    Lito, em outros países o setor aéreo é desregulamentado e permite-se que empresas estrangeiras operem vôos domésticos?

    • Emanuel Schott

      Não. Isso é regra do ICAO. Pra uma companhia aérea operar voos domésticos, ela precisa ser homologada pela agencia reguladora do país em questão. Isso se deve por conta de segurança, uma companhia aérea poderia conseguir homologação em uma agencia mais frouxa e ir voar em um país onde a agencia é mais dura nos requisitos de segurança. Nem ANAC, nem FAA (EUA), nem EASA (Europa) e nem qualquer outra agencia reguladora de qualquer país permite isso.

      Você não vê companhias aéreas europeias fazendo voos domésticos nos EUA e vice-versa por conta disso.

      A confusão começou com aquele projeto de lei que permitiria companhias aéreas BRASILEIRAS tivessem 100% de capital estrangeiro com direito a voto, não permitir que uma companhia aérea estrangeira operasse por aqui livremente.

  • Henrique Souza

    Viajar pela RyanAir e poder pagar 35 euros de Bruxelas à Barcelona foi, para mim, uma experiência muito interessante. O bordão popular com a RA é “the more you click, the more you pay”, o qual considero muito justo para quem só viaja com a bagagem de mão que é o caso de muita gente. Pena que isso demorará tanto tempo para chegar ao Brasil. Em outubro tive que ir de São Paulo para Navegantes passar uns dias e levei apenas uma mochila com poucas coisas: R$1000 a facada no bolso direito para ir e voltar.

  • Ricardo

    Faça esse post chegar a ANA BRAGA, ela falou muita besteira ontem, até o ESTúDIO I na globonews falou bobagem

  • Felipe Costa

    Ryanair:
    Londres (Stansted, não Heathrow) – Estocolmo: £5!!!
    Liverpool – Dublin (ambos em aeroportos principais): £9.99!!!

    RJ – SP: há 7 anos, paguei R$ 950… SETE ANOS ATRÁS!!!!

  • Felipe Costa

    E ainda pior são os vôos internacionais: 2 X 32kg!!!
    Qual não deverá ser a participação desta “aberração” no preço?
    Quase todos os vôos iniciados na Europa, têm uma franquia de 23kg… e todo mundo vive bem com isso…. algumas cias ainda oferecem 2 X 23kg (TAP, por exemplo, em alguns vôos)… Mas aí, é uma “oferta” da cia… concorrência é isso!

    • Gabriel Gome

      Concorrência que não existe num país dominado por 3 cias aéreas. Em muitas cidades (assim como na minha) só uma cia opera. Daí ou eu pago a passagem e ainda por cima a bagagem, ou vou de ônibus, afinal só ela opera e eu que me exploda.

  • William Riukstein

    Desculpa Lito,

    Adoro seu site, acho ótimo seu jeito fácil de explicar as coisas,

    Mas desta vez, me permita discordar.

    As empresas durante as audiências públicas, não demostraram nestas “métricas bem definidas” qual era a participação da bagagem despachada na composição da tarifa.

    Obviamente, não garantiram que o preço da passagem vai diminuir.

    Acho também a comparação com a desregulamentação do setor meio indevida.

    Primeiro, que, por óbvio, garantir um direito mínimo ao consumidor numa prestação de serviçõs é bem diferente do que tabelar preços e inibir a concorrência, como era feito até 91.

    A rigor, a concorrência já existe e vai continuar a mesma, nenhuma nova empresa vai operar no Brasil só pq foi liberada a franquia de bagagem.

    Abusos regulados pela concorrência? bonito na teoria, completamente diferente na prática, até porquê nem todas as rotas tem concorrência.

    Segundo, que, associar a redução do preço das passagens exclusivamente a desregulamentação, que começou em 92 e terminou em 2003, com diversas “fases”, pode ser um pouco prematuro.

    O preço das passagens diminuiu por uma série de fatores macro e microeconômicos da economia brasileira dentre eles a desregulamentação de alguns setores), Vale lembrar que os processos bilionários das empresas da época (VR, VP, TB) contra a união se baseiam em DEFASAGEM tarifária, ou seja, as tarifas ficaram mais baratas que os custos (em época de inflação galopante, um mês sem reajuste ou com reajuste menor).

    A desregulamentação foi tão mal feita, que contribuiu para a quebra de todas as empresas do setor, além de um sistema anacrônico e obseloto de infraestrutura aeroportuária.

    Um dos erros da desregulamentação da época, dada as devidas proporções, foi fazer exatamente como estão fazendo agora, ir de uma situação muito regulada, para a liberdade total do mercado, sem um período de transição adequado.

    Acho a franquia de bagagem brasileira exagerada, mas faz 70 anos que é assim, não da para tirar do dia para a noite, óbvio que vão surgir reações, ainda mais sem contrapartida.

    Deveriam ter reduzido primeiro.

    Tirou-se um direito e não se garantiu nada em troca.

    O brasileiro esta acostumado a ver que a redução de custos ao empresário não é repassada ao consumidor, exemplos não faltam: Combustível, juros bancários, produtos indexados ao dólar.

    Dificil acreditar que com aviação vai ser diferente

    Abraço

    • Lucio Karasawa

      Logico que não se vê, já que o consumidor também não faz a sua parte. Então porque fazer algo ficar mais barato ou melhor? Se não há reclamação, protesto ou simplesmente trocar de fornecedor ou deixar de comprar ou usar os serviços.

    • “O brasileiro esta acostumado a ver que a redução de custos ao empresário não é repassada ao consumidor, exemplos não faltam: Combustível, juros bancários, produtos indexados ao dólar.”

      Todos os exemplos citados possuem regulação do Estado.

      “A desregulamentação foi tão mal feita, que contribuiu para a quebra de todas as empresas do setor, além de um sistema anacrônico e obseloto de infraestrutura aeroportuária”

      A infraestrutura hoje é infinitamente melhor do que na época da Varig/Vasp/TBA concorda? A PanAm era a maior empresa aérea do mundo quando havia regulação, e quebrou após, dando lugar a novos entrantes. Não teríamos uma Azul hoje se ainda estivéssemos no passado.

      • William Riukstein

        Lito,

        Passaria várias respostas discutindo desregulamentação com você, mas além de ser um tema chato e pesado, acredito que não é o foco do seu blog.

        E com todo respeito, no Brasil, dificilmente você vai encontrar dados empíricos que confirmem a relação direta entre a desregulamentação e queda no preço das tarifas (que esta mais associada ao crescimento do PIB).

        Mais dificil ainda vai ser achar exemplo em que a atuação Estatal para desonerar o produtor ou fornecedorm, foi repassada para os consumidores (veja que o objetivo da desoneração pode não ser este).

        Quanto a infraestrutura, existem problemas estruturais e conjecturais, muitos deles estão sim relacionados a uma abertura do mercado mal feita no passado.

        Comparativamente falando (demanda x infraestrutura) é dificil saber se evoluímos ou regredimos neste tema.

        Não acho que devemos viver de passado, mas devemos aprender com os erros, para que a Azul do presente não seja a Varig do futuro, pois o custo é muito alto.

        Não sou contra a livre iniciativa, pelo contrário, acho que o estado deve intervir somente nos casos de falhas ou insuficiências do “livre” mercado.

        A relação de hiposuficiencia entre consumidor e fornecedor é uma falha clássica na auto-regulamentação do mercado, tanto é assim que não sabemos qual é o custo efetivo do despacho de bagagem, que “todos” pagam, para somente “alguns” utilizarem.

        Se isso ficasse claro, provavelmente não existira reação nenhuma.

        Por isso não vejo como justificar liberação de franquia de bagagem com abertura de mercado e um suposto benefício a concorrêcia e consequentemente ao consumidor.

        Mas é só uma opinião.

        Abraço

        • Gabriel Mannarino

          “E com todo respeito, no Brasil, dificilmente você vai encontrar dados empíricos que confirmem a relação direta entre a desregulamentação e queda no preço das tarifas”
          Cara, se for seguir essa lógica, a conversa não vai progredir pra lugar nenhum.

          “O brasileiro esta acostumado a ver que a redução de custos ao empresário não é repassada ao consumidor, exemplos não faltam: Combustível, juros bancários, produtos indexados ao dólar.”
          Tenho que discordar fortemente de você aqui. Combustível é regido por uma empresa estatal, juros bancários são movidos pelo BC, e o último tópico, cara, você está muito errado.
          Na área da computação, os produtos funcionam por estoque. Se uma peça é comprada com dólar a 4 reais, vai ser vendida com preço de dólar a 4 reais enquanto estiver no estoque. Dure isso 1, 2, 3 meses.
          Se você pegar o preço de componentes de PC (área que eu trabalho), vai ver que teve uma redução considerável no preço com a queda do dólar. Qualquer componente que for pesquisar, em pleno final de ano está mais barato do que 6 meses atrás, quando o dólar estava mais alto. Então sim, o consumidor brasileiro está acostumado a ver o preço diminuir SIM, só que você repara muito mais quando o preço de um produto sobe 5% do que quando cai 10%.

          E também, na área da computação pode pegar exemplo de como diminuir a regulamentação ajudou diretamente na queda de preços. Basta ver o que aconteceu com a implantação da lei do bem (que reduzia impostos sobre produtos eletrônicos). Incluindo, foi essa lei que ajudou a diminuir o comércio de produtos pelo mercado negro (aqueles que nego traz escondido sem pagar imposto). E ver como o mercado estagnou (principalmente na área de smartphones) com a revogação da mesma.

          • William Riukstein

            Vamos lá….

            Evidentemente que estava me referindo as tarifas aéreas.
            Não há relação direta entre desregulamentação e baixa das tarifas das passagens, como o Lito fez em seu post.
            Não há dado empirico que prove isso.
            A liberdade tarifária começou em 96 até 2002 a redução foi 0%.
            Depois a reduçao do preço guarda relação com o crescimento do PIB, quando ele parou de crescer o preço médio da passagem parou de cair e agora até subiu com a retração do PIB.
            Por isso que disse que não achava a comparação apropriada.

            Mais uma vez estamos fugindo muito do assunto do post original, mas vamos lá:

            Combustível, o preço na refinaria é definido por uma empresa estatal, quando ela sobe este preço o repasse é automático nas bombas para os consumidores, quando ela baixa o preço, o repasse é menor, ou nenhum.

            Juros, o BC. determina a taxa de juros básico, a chamada Selic, temos um negócio chamado spread bancário, que é a diferença entre a captação do dinheiro e o repasse para o consumidor.

            Aumenta a Selic, aumentam os juros aos consumidores, baixa a Selic, os juros não diminuem na mesma proporção, parte vira lucro simples.

            Não tenho dados sobre o setor de informática, com relação ao impacto com o consumidor de varejo da variação cambial, mas se ela de fato existir é exceção (tem várias exceções, o setor de alimentos deve ser a maior delas). Outros setores como automóveis, eletrônicos, linha branca, o repasse não á automático como deveria ser.

            Com relação a desoneração, a linha branca, por exemplo, não houve o repasse do desconto do IPI para o consumidor, os autómóveis aumentaram o preço para depois reduzi-los com o IPI mais baixo, e ainda sim não houve o repasse total.

            Acredito que a MP do bem pode ter surtido este efeito, de redução de preço ao consumidor “legal”, pois com relação a produtos de informática, pois a questão tributária tem forte impacto no setor.

            Mas enfim o que quero dizer é desonerar o produtor ou fornecedor não é sinônimo de que os preços serão reduzidos.

            Idem para desregulamentação.

            A Franquia de bagagem é excessiva? SIm tb acho! Se acabar vai baixar o preço?Quanto?Em que prazo?

            Não dá retirar um direito consagrado dos consumidores com base em achismo, para beneficiar as empresas aéreas, sem nenhuma contrapartida.

            Abraços

          • Queda no preço de tarifas aéreas associada a crescimento de PIB?

          • William Riukstein

            Não é um dado a ser considerado isoladamente, pois como disse lá na primeira resposta: “o preço das passagens diminuiu por uma série de fatores macro e microeconômicos da economia brasileira dentre eles a desregulamentação de alguns setores”.

            É estranho (pois contrário ao senso comum), mas é possível estabelecer uma relação entre o crescimento do PIB e o aumento vertiginoso da demanda a partir de 2003 (+ 10% a.a.) e o preço médio das passagens.

            E um ajuste natural acontecendo agora com a retração do PIB.

            A lideração tarifária por sí só, não produziiu este efeito, antes do aquecimento da econômia.

          • Esse silogismo é equivocado. Você deduziu que havia alguma relação tão somente porque nos últimos dois ou três anos o PIB caiu e as tarifas aumentaram. Você desconsiderou inúmeros fatores (incluindo variações cambiais e o fato de que contratos de leasing são feitos em dólar, e que o combustível é regulado pelo preço do barril de petróleo no Golfo do México) e atribuiu a política tarifária das companhias ao cenário interno.

          • Humberto Kubrick

            Na realidade quem mais define a formação preço do barril de petróleo no mundo e conseqüentemente a questão de combustível é o contrato Brent com aproximadamente 68% no mar do norte e o contrato Brent tá na mão de seis bancos em wallstreet e todos americanos.

          • William Riukstein

            Desisto…..kkk
            Eu comecei a minha resposta falando que o dado não deveria ser considerado isoladamente e repetindo que o preço dependia de vários fatores, dentre eles os macroeconômicos….
            Mas, o preço médio das passagens teve queda constante desde 2003 até 2014, independente da variação cambial e do preço do petróleo (que subiram e desceram no período), difícil, portanto, não atribuir ao cenário interno esta política de redução tarifária.

          • Na verdade você tentou remendar o que havia dito. Porque no comentário em que colocou o PIB na história, foi você mesmo que afirmou que a queda nos preços estava “mais associada ao crescimento do PIB”.

            O gráfico abaixo é o desempenho do PIB nos últimos 16 anos. Em 2000 era 4,3%. Em 2001 caiu para 1,3%. Só a partir de 2004 que engatou uma certa estabilidade.

            Mas, veja que incrível: as tarifas despencaram em 2001, quando a GOL entrou no mercado vendendo passagens quase a preço de ônibus.

            Em 2006-2007, com o chamado “caos aéreo”, as tarifas tiveram ligeira elevação. Mas o PIB, veja, também estava em ascensão.

            No final de 2008 a Azul começou a operar e também provocou queda nos preços. Nessa época o PIB não só já havia iniciado outra curva descendente, como terminou o ano de 2009 em 0,3%. Mas as tarifas também caíram.

            Teu argumento não só é inconsistente, como eu gostaria de saber de onde exatamente você tirou esse raciocínio. Porque se você conversar com qualquer yield management de companhia aérea ele vai te listar dezenas de fatores mais importantes do que índices de PIB.

            https://uploads.disquscdn.com/images/b354d4d829ad5b39e2327f8a46962292ad36e1e41b243f6c3cfeeee193d08635.jpg

          • William Riukstein

            Sinceramente, não sei aonde você quer chegar.
            O gráfico mostra o CRESCIMENTO do PIB (em maior ou menor grau) exatamente na época da redução do preço médio das passagens….não da para ficar discutindo todos os fatores ocasionais e sazonais neste post, como se a GOL e sua estrategia de focar numa classe emergente inserida no mercado de consumo e surgimento da Azul no momento do cristo decolando, não tivessem nada haver com a situação econômica do pais.
            Se você não vê relação entre o crescimento econômico do pais e a redução do preço das passagens, não sou que vou convence-lo.

            Abraços

          • Você não vai me convencer porque não tem nenhum estudo ou parâmetro consistente para validar o que insinuou (e que depois contemporizou citando outros aspectos). Também não vai me convencer porque eu sei como é feita a composição de tarifas aéreas, e o que é efetivamente considerado no cálculo. Você está bem perdido em relação a isso, William. Seu problema é ter partido de uma premissa equivocada, fazendo silogismo com um dado que te pareceu primário – e que é para lá de secundário. O mais incrível é que o PIB oscilou mais do que vento no SDU e você só enxergou crescimento no gráfico.

          • Humberto Kubrick

            Marcelo ,quem tá perdido é você ,me desculpe!

          • Humberto Kubrick

            Adoro você ,cara mas você tá flutuando.

          • Se você é aquele mesmo rapaz que já andou por aqui uma vez, e que sofre de EDIT congênito, recomendo você não esquecer que a primeira resposta é enviada para o e-mail do interlocutor…

          • William Riukstein

            Completamente desnecessário e deselegante!

          • Deselegante é editar as mensagens da maneira que você edita. Quer que eu mostre os prints?

          • William Riukstein

            Quero!

          • Segue 1 exemplo. Quando você acrescenta e/ou muda coisas DEPOIS que alguém já respondeu ao comentário específico, isso é deselegante. Bastante, eu diria.

            https://uploads.disquscdn.com/images/9085a0e90c5dba2729a3defbffdd534e6495c8eb381e82748b39cbdc4247cbca.jpg

          • William Riukstein

            Quem tinha respondido meu post quando eu editei?

          • William Riukstein

            Passou vergonha e ficou sem resposta né?
            Afinal só você tinha respondido meu post e mais de uma depois da alteração.
            Deixou bem claro ao seu próprio público a quem cabe o papel de no mínimo deselegante e mal educado, só sabendo utilizar o argumento da autoridade!
            Só o blog perde credibilidade com este tipo de atitude.
            Desabilite os comentários se não sabem lidar com a opinião contrária.
            Pelo menos não fazem papel de rídiculo!

            Mas eu aceito as desculpas que vocês não vão pedir e me retiro!

      • Humberto Kubrick

        Lito tu falar em Panam ,Ruan Tripe um parasita que sempre se aproveitou do estado ,monopolizou….

      • Rafael Rodrigues

        Lito, juros bancários são regulados pelo Estado?

    • Rafael Lindoso

      Muito boa análise, podiam ter reduzido a franquia aos poucos. Primeiro pra 18 em 1 volume, depois pra 12. Alem disso deveria ser informado previamente e de forma clara o valor da bagagem extra. Hoje eh um número desconhecido.

      • Rafael Lindoso

        A mesma coisa com a participação de estrangeiras, ia pra 49, se afoitaram pediram 100 e aí não veio nada.

  • Pior é ver entidades como OAB e PROCON se deixando contaminar por esse astigmatismo crítico, agindo contra o consumidor sob pretexto de estarem protegendo o consumidor. Se essa proposta não passar as companhias vão continuar diluindo as perdas relativas à carga nas tarifas, e esses gênios nem vão perceber. Ou seja: quem transporta pouca bagagem vai ter que continuar subsidiando quem transporta muito.

    • Ricardo Braz

      Faltou você citar o MP que, aliás, tem como uma de suas funções legais a defesa do consumidor.

      • Verdade. Mas é bom frisar que isso não depõe a favor da intervenção. E nem a favor do Ministério Público.

  • Fernando

    “As pessoas esquecem que há métricas muito bem definidas para compor o preço de uma passagem e abusos seriam regulados pela concorrência.”
    O problema é que a gente não vê isso acontecer no Brasil. Basta ver o que acontece com a banda larga: ao invés da concorrência se auto-regular, levando a serviços mais rápidos e baratos, as empresas se uniram para impor uma franquia de tráfego RIDÍCULA para usuários de Internet fixa; e a Anatel prontamente abriu as pernas para esse retrocesso.
    O ceticismo em relação a essa medida é justamente porque as leis de mercado não parecem se aplicar aqui, no país onde o mercado odeia concorrência, o consumidor é sempre a última prioridade e já aprendeu que sempre vai ser tratado como lixo. Se os governantes fossem o único problema do Brasil, isso aqui seria um paraíso.

  • Humberto Kubrick

    Concordo com o William Riukstein ,o debate não é tão simples como se pensa e a cobrança na bagagem despachada acredito que não seja ” a panaceia ” para resgatar as aéreas brasileiras da situação que estão .

    Comparar a realidade brasileira com a de outras países também é um equivoco pois a estrutura de impostos que incidem sobre o bilhete aéreo é diferente até mesmo porque a legislação sobre impostos tanto nos EUA como na Europa (exceto a Alemanha ) são bem simples se compararmos coma realidade brasileira .

    Enquanto o debate não focar na “guerra fiscal ” entre os estados sobre a questão do ICMS não teremos avanço .

    • Dario Lemos

      Eu também acho da necessidade de uma reforma fiscal para que essa desregulamentação obtenha os objetivos esperados.

  • Giuliano Rufino

    A questão é que o brasileiro reclama dos políticos, mas adora um estado paternalista, aquele que lhe da cesta básica, bolsa disso e daquilo, vale gás, vale compras…e todo mundo reclama, mas adora um político populista, só que todo mundo sempre se esquece que não existe almoço grátis, alguém sempre vai pagar a conta…e nesse caso das bagagens, mais uma vez resolveu se fazer bonito e jogar pra galera com o chapéu alheio.

    • Humberto Kubrick

      Interessante ,você jogar o peso da situação nos ombros do povo mas,não cita (não sei se por desconhecimento ) quem mais se aproveita desse estado paternalista é o sistema financeiro parasita e com a PEC 55 sem o mínimo esforço vai ficar com pelo menos 25% a mais das riquezas produzidas pelo povo.
      Meu caro ,quem mais recebe bolsa nesse país São os banqueiros especuladores.

      • Euler

        É só mencionar que mais da metade do orçamento da União é destinado a pagamento de juros.

        • Giuliano Rufino

          Então o Estado gasta muito em juros porque ele gasta mais do que arrecada e logo precisa pegar dinheiro emprestado no mercado, e o mercado empresta dinheiro ao governo se ele ofertar um bom pagamento de juros, se o Estado tiver um orçamento equilibrado, e que não precise recorrer ao mercado financeiro para cobrir o orçamento, os juros cairiam para todos.

          • Humberto Kubrick

            Senso comum.

          • Euler

            O mercado financeiro é o detentor da divida pois é uma divida fabricada. Você sabe o nome e sobrenome de quem estipula o quanto o governo tem que pagar? E qual o motivo de não poder auditar a divida publica? Resposta é oposta ao que você pensa.

          • Rafael Rodrigues

            Eu não me incomodaria se você explicasse porque em quase 200 países tivemos quase sempre nossos juros da dívida entre os mais elevados.

            Você REALMENTE acha que é algo meramente devido ao risco do nosso papel?

            Porque então países com risco muito maior de insolvência tem juros consideravelmente menores?

      • Dario Lemos

        Você tem razão quando citou o sistema financeiro como, talvez, o principal responsável mas não podemos deixar de culpar o povo que, infelizmente, “enxerga” o Estado como um provedor de suas necessidades básicas.

  • Mak Mak

    No meu caso enquanto pude viajar de avião eu viajei,mas agora já voltei para o meu devido lugar…a rodoviária,é a realidade e tenho que dançar conforme a música.

  • Euler

    Lito. Ótimo ponto.

  • Gustavo Silva

    Gostei, porém, vendo muitas coisas aqui nesse país maravilhoso que um dia um meteoro irá destruir e levar esse povo espertinho pro inferno, duvido muito que o preço cairia, pelo menos na proporção do custo ou não da bagagem.

  • Eduardo Papa

    Top demais a discussão aqui… E eu pensando que um dia esse país poderia se tornar melhor. Se as coisas de primeiro mundo não pode ser aplicadas aqui, como um dia poderemos nos tornar um país de primeiro mundo? Que seja pelas leis, educação, saúde e etc… Continuemos pensando e agindo como países de terceiro mundo. Temos o que merecemos nada além disso.

  • Jefferson Shoiti Arruda

    Parabéns pelo texto, Lito!! Concordo em gênero, número e grau!

    Realmente nossa indústria de aviação está muito atrasada em relação ao restante do mundo.

    O excesso de regulamentações, que inclui não só a bagagem, mas como por exemplo garantir acomodação em hotéis devido a atrasos, mesmo que a causa seja por fatores meteorológicos, faz com que as companhias aéreas acabam diluindo todos estes custos na passagem área.

    O que teoricamente era para beneficiar os consumidores acaba por prejudicar, porque todos estão pagando igualmente estes custos.

    O melhor modelo realmente é você pagar pelo que você usa. Se você viaja com uma mochila e não precisa de 23kg, você não precisa pagar implicitamente por isso.

    A livre concorrência e a não intervenção do Estado na economia é o que precisamos para tirar não só a aviação deste atraso, mas todos os outros setores!

  • Tony Coelho

    Lito e todos, eu não tenho opinião formada sobre esse assunto mas o retrospecto das regulamentações e até desregulamentações nunca trouxe resultado prático.

    Sem dúvida existe uma descredulidade natural de tudo que parta dos nossos governantes. Qualquer modificação de regra a gente já fica com a pulga atrás da orelha tentando descobrir quem vai ser o real beneficiário disso.

    Já descreveram aqui vários casos onde não houve nenhum benefício para o consumidor (preço dos combustíveis, juros, etc).

    Concordo contigo que é muito absurdo liberar 2 bagagens com total de 64kg mas vc sabe bem que pouquíssimos usuários embarcam nesse limite máximo então as aéreas já têm um cálculo médio da bagagem despachada por pax para cada rota operada. A rota SDU-CGH por exemplo tem de índice de despacho de bagagens muito menor que nas rotas mais longas. Então partindo desse princípio as empresas já usam esse espaço disponível para cargas desacompanhadas pagas. Duvido que se um dia acontecer de todos os paxs comparecerem com 64kg consigam embarcar tudo.

    Também nossa história mostra que a única companhia verdadeiramente low cost / low fare que tivemos (Webjet) foi comprada pela Gol com benefício oficial para ser fechada. Hoje temos 3 compahias e meia, já que Avianca não atinge todo território. Nada impede que num simples almoço de 4 pessoas nos jardins decidam cobrar absurdos por bagagem extra.

    Também não podemos comparar nossa estrutura aeroportuária com Europa ou Estados Unidos. Infelizmente nós não temos aeroportos secundários sub-utilizados que possam ser usados por empresas low fare então acabarão competindo com as atuais empresas nos slots.

    Sou favorável à não intervenção do Estado porém acho que o principal motivo do nosso mercado não se desenvolver é a falta de estabilidade das regras que podem mudar completamente de uma hora para outra. O congelamento quebrou algumas, não há lei que garanta que isso não pode voltar a acontecer.

    • Tony, compreendo tua colocação e receio. Mas se as tarifas diminuíram – muito – de 2001 para cá, como que não teve resultado prático? O que fez as tarifas caírem, literalmente da noite para o dia, foi o conceito introduzido pela GOL (mais tarde outros players também forçaram redução, como Webjet e Azul), que já existia em outros países mas era inédito aqui. Certos luxos e extras foram subtraídos dos voos para ser possível reduzir as tarifas. Porque até então tudo que era oferecido como bônus estava disfarçado na tarifa. As pessoas se vangloriavam dos jantares a bordo nos voos da Varig, mas não sabiam que elas próprias estavam bancando tudo. Nunca teve nada grátis: tudo sempre foi pago pelos passageiros – e com ágio em muitos casos. Ao tirar comida quente dos aviões (= forno = peso = consumo de combustível), brindes, assentos de couro, bilhetes de embarque e outros itens é que foi possível reduzir as tarifas. Não existe mágica: para diminuir preço tem que cortar o que não é essencial ao voo ou não é usado por todos – senão todos têm que bancar quem usa (porque as companhias nunca vão bancar isso).

      • Tony Coelho

        Marcelo, sem dúvida a Gol teve e ainda tem um papel importante na redução das tarifas. Parte pelo corte de custos e outra parte graças ao apoio das nossas instituições governamentais, tanto que a empresa já está fechando o acordo de leniência e vai pagar R$ 12 milhões antes que seja tarde.

        Qualquer análise do balanço da Gol mostra que é uma empresa quebrada. Esteve muito mal administrada até poucos anos atrás chegando ao ponto de perder mais com especulação com derivativos cambiais do que no operacional. Contavam que nosso legislativo aprovasse a participação de 100% de capital estrangeiro, que não aconteceu e talvez nem venha a acontecer já que complicou qualquer tipo de “lobby” junto aos políticos. Além disso se a Gol parasse de voar hoje seria um caos, já que a malha e frequências são insubstituíveis no curto prazo.

        Pode reparar que cada governo protege uma empresa. Assim foi no governo militar (RG), depois Collor (VP), FHC (Tam) e agora Dilma/Lula com a Gol e depois desse ciclo as empresas não conseguem se manter.

        Como a Tam tinha maior parte de suas ações ordinárias com a família Amado, viabillizou-se o artifício da Lan ser majoritária no capital na empresa enquanto os Amado artificialmente como “donos de mando de campo” na Tam.

        Já a Azul fez um belíssimo trabalho de união de pontos longínquos do país e só não está fazendo mais porque as condições mercadológicas não pemitiram nos últimos 2 anos. Não podemos chamá-la de low fare. Ela não precisa baixar preços porque em muitas rotas não tem concorrência. Para mim o David Neeleman é um gênio que teve a sorte de ter nascido em SP. Aproveitou ser um cidadão “brasileiro” e criou a empresa dentro da nossa legislação com “empréstimo” de investidores estrangeiros. Se ela está no lucro ou no preju não sabemos já que não tem capital aberto e não precisa publicar seus balanços.

        No meu ponto de vista o que mais forçou a queda do preço das passagens de 2001 para cá foi a compra direta nos sites e a concorrência nessa busca de melhores preços. Principalmente nos finais de semana e na madrugada (Avianca) porque sabem que pessoas jurídicas não são tão sensíveis a tarifas e não compram nessas horas.

        Quem mais perdeu foram os agentes de viagem. A mercadoria “voo” é altamente perecível, tem prazo de validade. O avião fechou a porta com o assento vazio é preju, não adianta mais baixar o preço.

        • Empresa quebrada? Acho que você se precipitou nessa análise, Tony. Se tem algo que eu acompanho pontualmente desde 2003 ou 2004 são os releases trimestrais da GOL. Tenho formação contábil e sempre me interessei pelo aspecto administrativo das companhias aéreas, porque este é um negócio com traços incomuns no mundo corporativo.

          A GOL encerrou o 3T16 com liquidez total de R$ 1,83 bi (R$ 1,15 bi de caixa efetivo e R$ 0,68 bi em contas a receber). Resultados trimestrais negativos não significam necessariamente uma empresa quebrada. Isso seria o mesmo que pressupor a insolvência de alguém baseado em meses seguidos com despesas mais elevadas do que as receitas, sem considerar o dinheiro em banco e o patrimônio dessa pessoa. A GOL tinha gordura para queimar. Queimou bastante, é verdade. Mas ainda não está nem perto de uma empresa em situação de falência.

          Quanto à questão do acordo da GOL, melhor aguardar para fazer juízo disso tudo. Dificilmente alguma empresa vai escapar de ter que prestar conta sobre suas atividades, caso os ministérios públicos estejam realmente a fim de moralizar o Brasil. Se você pesquisar aqui no blog, vai ver que já fiz menção inúmeras vezes sobre não haver santos no mundo empresarial brasileiro. Acredito piamente que meus vários anos como fiscal tributário me autorizam a dizer isso. Essa é uma questão bem complicada, que – ao contrário do que muitos pensam – ultrapassa a esfera política.

          De modo geral tenho observado que não se tem muita noção de montantes envolvendo empresas e autarquias. Para uma companhia aérea, por exemplo, R$ 12 milhões é nada. Note que não estou dizendo isso para ironizar o acordo da GOL: só estou tentando pontuar que não é isso – também – que quebraria a empresa. Os números no setor aéreo são tão superlativos quanto os números em uma grande empresa pública. Só em combustível a GOL gastou R$ 668 milhões no 3T16.

          Sobre a questão das tarifas: há inúmeros parâmetros e inúmeros fatores que influenciam, mas é bom frisar que o fato gerador do início da queda nos preços foi tão somente a entrada da GOL em si (naquela ocasião). A empresa já chegou praticando preços bem abaixo do mercado, justamente porque ofereceu um modelo de negócio diferente do que era praticado. A empresa não esperou o resultado das compras via site ou da reação da concorrência: ela ditou o preço.

          Inclusive o cenário interno era totalmente desfavorável para a criação de uma companhia aérea em 2000-2001 (a GOL foi legalmente constituída em agosto de 2000, mas os estudos conduzidos pelo Mello vinham desde 1998). Naquele momento lançar uma companhia aérea no Brasil era quase um suicídio. E ficou pior ainda depois de 11 de setembro de 2001, porque daí os fatores que são mais relevantes (dólar e petróleo) afetaram em cheio companhias no mundo inteiro.

          Leasings de aeronaves e de motores (muitos não sabem que são separados), seguros, contratos de manutenção pesada, sistemas dedicados (que são produzidos pela Boeing, HP e outras)… tudo é em dólar. E tudo foi para a estratosfera. Para completar o Brasil vivia um período turbulento não só na aviação: o cenário econômico era de incerteza total, por conta da inflação que voltava a dar as caras e pelo surgimento de denúncias que complicavam cada vez mais o governo da ocasião (embora este tenha escapado incólume).

          No meio de tudo, é bom lembrar que Ozires Silva, então tentando dar um último suspiro para a Varig, acusou a GOL de dumping e afirmou que a RG não iria se submeter a essa política tarifária [http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0802200129.htm]. A TAM também fez vários questionamentos sobre a estratégia de negócio da GOL. Todas diziam ser “impossível” reduzir as tarifas. Foram pautadas pela GOL e tiveram que reduzir para se manterem competitivas – e aí a tarifa média (que é outra coisa que o pessoal confunde muito, porque compara com tarifas de voos específicos em situações e dias específicos) também começou a cair.

          Não teve PIB, nem conjuntura econômica: o que decretou a queda nas tarifas a partir de 2001 foi a entrada de um novo player propondo um modelo de negócio inovador na ocasião (graças, obviamente, à abertura permitida pela desregulamentação no setor). As demais empresas não seguiram esse player porque o PIB estava alto ou porque o cenário era favorável: seguiram porque era imperativo se adaptar.

          E mesmo assim essa adaptação não foi fácil: levou anos até que os demais players realmente equalizassem seus custos. No início eles ofereceram contraposição de preço sem real capacidade competiva, apenas para não perder mercado para a GOL. É importante compreender isso. A Webjet, por exemplo, tentou impor uma política de preços que foi benéfica para o setor, mas suicida para a própria companhia – que não tinha a mesma estrutura organizacional e as mesmas garantias patrimoniais da GOL.

          Só para encerrar, porque sei que o comentário ficou longo demais (não era a intenção): esse fluxograma simples abaixo dá uma vaga ideia da estratégia que a GOL tinha. Eles sabiam que os demais players teriam dificuldade em acompanhar e manter a política de preços capitaneada pela empresa. Tanto estavam certos, que alguns caíram pelo caminho e outros tiveram que se reinventar – como a TAM. Eu acho que isso foi bom para todos, apesar de tantas reclamações e incompreensão sobre o que favorece redução nas tarifas.

          https://uploads.disquscdn.com/images/9f52c1d552a7373daf1dd85ef3435ad774634ad735fc5434d370fe84aa05178d.jpg

          • Tony Coelho

            Marcelo, por força do meu trabalho no mercado de capitais também acompanho os balanços da Gol e recebo seus informes. Você tem razão quando eu disse “empresa quebrada”. Ela não é tecnicamente um empresa quebrada. Apresentou um pequeno lucro contábil no 3T16 depois de vários trimestres de prejuízo alto.

            Também conta com o apoio dos empréstimos da Delta e Air France/KLM que sabemos bem é um empréstimo conversível em ações a emitir no futuro quando a legislação assim permitir.

            Além disso a Gol também tem se capitalizado emergencialmente com recebimentos antecipados de resgates do Smiles.

            São artifícios contábeis aceitáveis e como você bem disse, a contabilidade de uma aérea é muito peculiar, difícil analisar.

            Também concordo contigo que R$ 12 milhões é nada. Apenas citei o acordo de leniência como exemplo que o futuro das empresas que precisam contar com benesses públicas está ficando incerto, felizmente.

          • Gabriel

            A entrada de um concorrente sempre irá beneficiar o consumidor final. O Senado rejeitar a proposta mostra, mais uma vez, a falta de preparo de nossos políticos e daqueles que os colocaram lá… infelizmente!

            Eu acreditei e continuo acreditando que os preços baixariam se houvesse a desregulamentação de franquia de bagagem…

    • carlos

      Bom (dia/tarde/noite), alguém desta discussão, explica para uma pessoa ignorante no assunto, como é que uma passagem SDU-CGH no qual os passageiros praticamente embarcam sem bagagem pagam tão caro? Óbvio que não estou falando das promoções de 79 reais, e sim das que temos que comprar no dia ou dia anterior que em alguns casos chegam a bater os 1000 reais um trecho (vamos combinar uma média de 700 reais, ok?), por favor explica para um leigo e que acha que é pura especulação $$$ da empresa que “prefere” voar com o assento vazio a vender um pouco mais barato.

      • Já ouviu falar em Lei da Oferta e da Procura? (ver abaixo)

        A ponte aérea CGH-SDU tem alta demanda. E é alimentada por um público de alto poder aquisitivo, como artistas, empresários, atletas, etc.

        Não são passageiros que voam eventualmente: há pessoas que fazem esse trecho todos os dias, por razões profissionais. É uma rota tão disputada que é regulada por slots e as companhias nem podem colocar todos os voos que realmente gostariam de colocar nesse trecho. É simplesmente o “filé mignon” da aviação brasileira.

        Nenhuma empresa vai oferecer tarifas baratas no trecho CGH-SDU-CGH. Simplesmente porque se um assento for oferecido a R$ 1.500, ainda assim vai ter comprador.

        Pode ter certeza que as companhias não têm prejuízo na ponte aérea. Pelo contrário: se não fosse a ponte aérea para subsidiar os (vários) trechos deficitários no Brasil, a nossa aviação comercial seria inviável.

        https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Lei_da_oferta_e_da_procura

        • carlos

          Eu estou a par de tudo isto que você falou, e se a grosso modo, simplesmente tirarmos conclusão do que você citou, as tarifas CGH-SDU-CGH não vão diminuir para quem viaja sem bagagem e os trechos “carne de pescoço” não irão diminuir o valor, pois como você mesmo falou eles são subsidiados pelos trechos “filé”. Sei que não é tão simples assim, mas desta forma caímos num ciclo vicioso difícil de solucionar.
          Em tempo, eu não sou empresário, artista, ou alguém com grana sobrando, mas já me peguei em diversas situações que gostaria de ir a São Paulo porque por exemplo num determinada semana um parque infantil resolveu fazer promoção, ou consegui um tempo para ir a uma feira e acabo não indo porque não consigo passagem a valores acessíveis para fazer um “bate e volta”.

          Grande abraço e obrigado pelas explicações.

  • Comentarista

    Uma coisa é certa. Jamais as empresas repassarão a diminuição dos custos aos usuários. JAMAIS!. Aposto o que tenho! Para não ficarem mal faladas, inicialmente devem diminuir alguns centavos mas depois que ninguém mais falar o assunto, os preços vão até subir. Alguém aposta ao contrário?

    • Eu teria o maior prazer em apostar com você. Mas devo me reportar a quem exatamente? Se você tem tanta convicção assim, era mais coerente assinar.

      • William Riukstein

        Eu aposto….
        Mas você precisa me dizer qual é a % da bagagem despachada na composição da tarifa….

      • Comentarista

        Temos “n” exemplos. Lembra quando a contribuição patronal de algumas empresas caiu de 20% individual para 2% total folha? Lembra da retirada dos impostos dos alimentos que são da cesta básica? Lembra da diminuição dos impostos sobre bebidas? Lembra, recente agora, das 2 baixas que a BR fez na gasolina? Lembra da diminuição dos juros que a dona Dilma exigiu? Deve ter mais “n” casos onde se diminuem os custos, desoneram empresas para que estas repassem ao consumidor e elas não o fazem e quando fazem, não repassa na totalidade é somente por um período. Você acha que as cias aéreas seriam diferentes? Eu não acredito em doendes e papai noel.

        • Aos 44 anos eu lembro de inúmeras coisas na errante vida econômica desse país. Vividas in loco. Lembro até de quando os dígitos da inflação não cabiam no visor de calculadoras pessoais e os aluguéis dobravam de valor de um mês para outro. Mas o que isso tem a ver com aviação? Eu prefiro não fazer esse tipo de silogismo. Acho que almejar entender o todo com base em partes é muito arriscado. Ainda mais quando essas partes estão distorcidas e são bradadas por pessoas que não são do setor – como juristas e procuradores.

          • Comentarista

            Não estamos falando de “aviação”. Estamos falando de mercado consumidor e empresas que prestam serviços e vendem produtos. Isso qualquer empresa tem em comum, inclusive aéreas, que é ter o maior lucro possível. Os valores não vão baixar, ainda mais que é super difícil ter um preço fixo de passagens que muda de hora em hora.

          • Lucas Vieira

            Com concorrência abaixa sim, já ocorreu a partir de 2002, ao ponto de uma passagem aérea hoje ser mais barata que a rodoviária… Ah, só pra lembrar, a ANTT regula preços do setor rodoviário e não permite concorrência. Vamos andar de ônibus que é mais barato regulado!

    • il Quasímodo

      Amigo, a mão invisível do mercado faria com que os preços baixassem… Ou você acha que se criasse uma low cost no Brasil, as empresas grandes iriam manter preços altos?

      • Comentarista

        Low cost já existe. Aliás existiu uma de verdade que foi eliminada. Como disse todas baixam uma mixaria que depois se algum tempo vão subindo até ninguém mais lembrar.

        • Lucas Vieira

          Com certeza o Comentarista não andava de avião na época das 3 grandes… Quase ninguém voava.

          • Comentarista

            Não mesmo. Morria de medo. Voei a primeira vez em 2010 forçado. Até a primeira forçada da turbina pra decolar. O medo se foi.

      • pantaneiro

        É só ver como a mão invisível do mercado funciona muito bem no Brasil, vide telefonia e internet, automóveis e demais oligopólios..

        • Gabriel B.R.

          O distinto comentarista acredita que o Brasil é um paraíso do livre mercado?

          • Rafael Rodrigues

            Conte-me mais sobre como o mercado automobilístico no Brasil é regulado. Gostaria muito de saber.

      • Fernando

        “Amigo, a mão invisível do mercado faria com que os preços baixassem… ”
        Cara, a gente não tá discutindo religião aqui.

        • Capitalista Selvagem

          Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

          Mano, não tô lendo isso…
          “Amigo, a mão invisível do mercado faria com que os preços baixassem… ”
          Cara, a gente não tá discutindo religião aqui.

          Sério msm que você tá pensando q mão invisível é religião? Isso é um conceito do economista Adam Smith… Sai um pouco dos livrinhos fictícios de Karl Marx aí e procura se informar melhor hahahaha. #naovaitergolpe

          Por isso que esse país é um poço sem fundo. Lamentável.

          • Fernando

            “Sério msm que você tá pensando q mão invisível é religião? Isso é um conceito do economista Adam Smith… ”
            Toda religião, todo deus, também é um “conceito”, cara. Isso não muda nada. O fato é que acreditar na mística da “mão invisível” é tão anacrônico e esquizofrênico quanto acreditar no Estado como salvador do mundo. A realidade não é tão simples.
            E eu não preciso ler Marx para perceber que o que nós temos hoje no Brasil é um falso liberalismo que espera que o consumidor pague a conta por todos os erros do mercado, e chega ao cúmulo nefasto de se definir como “liberal na economia e conservador nos costumes”. Isso não é Adam Smith, isso é Benito Mussolini.

          • Humberto Kubrick

            Não perde teu tempo …um sujeito que começa um texto como ele começou ,no mínimo deve ser pagodeiro…

        • Rafael Rodrigues

          hahahahahahahaha

          Boa!

  • il Quasímodo

    Isso que dá tentar modernizar um país com tanta gente ignorante!
    Mesmo papo com a PEC do teto. Mal comparando, mas o texto do projeto tem várias coisas boas que impedirão gastos faraônicos e a tigrada só dizia que era ruim e isso é aquilo sem ao menos ter lido a proposta. É dose!

    • Humberto Kubrick

      Rapaz ,eu acho que quem não leu o texto da PEC foi a sua pessoa e se leu não entendeu…

      • Fernando

        Eu acho que ele não leu a PEC ou deve ser dono de banco e não precisa de saúde e educação pública.
        Só no Brasil que priorizaram o pagamento de juros aos bancos do que a saúde e educação.

        • Humberto Kubrick

          Esse cara mora em Paris na catedral de Notre Dame .

        • Gabriel B.R.

          Quem mais paga juros é quem não tem as contas em dia. Se você coloca um teto e não contrai dívidas feito um louco, não paga (tantos) juros. Estou errado?

          • Alessandrex

            Está. O país tem a dívida interna. Se vc aplicar no tesouro direto vc se torna credor do governo e receberá bons juros pagos com seus próprios impostos. É o que os bancos fazem enquanto não emprestam dinheiro.

          • Rafael Rodrigues

            Está. Ter dívidas elevadas faz parte do cotidiano de qualquer país grande. É normal um governo emitir títulos de dívida. A maior do mundo, com sobra, por acaso é a dos EUA.

            O que NÃO faz parte do cotidiano de nenhum outro lugar é remunerar esta dívida com juros obscenamente sexuais como os praticados aqui. 14% ao ano é um acinte.

            Se considerarmos que na composição dos credores os bancos privados e os fundos de investimento respondem por aproximadamente 2/3 de nossa dívida trilionária, não fica difícil entender quem, como e porque faz lobby para que isso não acabe nunca.

      • carlos

        ele só leu a Veja

  • Robson de Melo

    Caro Lito e caros colegas que aqui opinaram.

    Pergunto: algum de vocês foi reembolsado pela cia. aérea ao despachar uma

    bagagem pesando menos que a franquia?

    • Porque deveria com a regra atual?

  • Fernando

    Eu entendo o pensamento do Lito, mas o empresário brasileiro também não é confiável por isto a desconfiança do brasileiro.
    Agora, que esta nova regra é mais justo esta claro, se eu levo bagagem pago, se não levo não pago.
    Espero que revejam esta nova regra e aprovem.

    • carlos

      Não tem mais “empresário brasileiro” nessa indústria amigo, só tem tubarão nadando nessa praia

  • Klein

    Esse é um dos (entre tantos outros) piores problemas do Brasil. A cultura do “me engana que eu gosto”.

  • carlos

    Essa história que as tarifas seriam reduzidas com o fim da franquia é conversa mole. É da lógica do negócio o aumento do faturamento, seja cortando/cobrando pelo lanche, seja pelo “espaço mais”, seja pela cobrança da bagagem…é ignorância ou má fé dizer que essa medida vai reduzir o preço das passagens, as empresas vão se apropriar dessa margem e colocar mais no loló do consumidor. Vejam que nos EUA já tem empresa querendo cobrar pelo maleiro interno.

    • Ricardo

      Na hora que o projeto entrasse em vigo apareceriam empresas que limitariam bagagens a apenas mão….o que tornaria mmmmuito, mas muuuito mais barato as operações de solo e peso de combustível….o preços não seria menos que 40% mais barato que as tradicionais e iria seduzir executivos o que deixaria a Gol e a Tam loucas pra reconquistar mercado com preços menores

  • carlos

    se as empresas se comprometessem dizendo “a franquia de bagagem representa “X %” do custo do ticket, assim, se a retirarmos a franquia, o ticket vai ser reduzido proporcionalmente”…aí as pessoas veriam a proposta com outros olhos, mas agora da forma como propuseram fica claro que o objetivo é aumentar só o faturamento.

    • Ricardo

      uns 30%

  • Luiz CR Trindade

    Lito, creio ser complicado essa coisa de barateamento de passagens devido á mudança proposta.
    Lembre-se que a AZUL chegou com a proposta de LOW COST, LOW FARE. Coisa nenhuma, cobra preços absurdos!
    Viajei recentemente a Maringá, com minha mulher, e a tarifa mais barata, NA GOL, saiu por R$ 2.946,00, incluindo-se nesse preço a cobrança de excesso de bagagem, 11kg, no valor de R$208,00.

  • Roberto

    Saudações aeronáuticas Lito!
    Sei que o post tem mais de um mês, porém tem algo que não vi ninguém falar (talvez alguém tenha falado…) sobre essa questão da desregulamentação da bagagem: os security check nos aeroportos estariam prontos para essa mudança “cultural”? O quanto iria impactar no processo de embarque dos passageiros, visto que mais pessoas levariam bagagem de mão?
    Abraço!

  • O Ministério dos Transportes divulgou um vídeo desenhando aquilo que Lito já tentou explicar — que “franquia gratuita” é uma quimera, um recurso de marketing. Aliás é um situação bem semelhante àquela dos serviços de bordo glamorosos, onde você pagava um restaurante francês embutido na tarifa e ficava feliz porque havia comido faisão a bordo de um avião.

    https://youtu.be/b2-3m9wRrtE

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