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Só porque o avião tem hélice não significa que seja antigo

Muita gente olha para um avião com hélice e pensa estar embarcando em algo com tecnologia obsoleta, perigosa, onde os jatos são muito melhores que os “cata-vento, avião de corda, ventilador, entre outras jocosidades”. Mas é realmente assim? O que é o tal do turboprop?

Tuboprop nada mais é do que um tipo de motor a reação/turbina que se utiliza de uma RGB – Reduction GearBox (caixa de engrenagens de redução) que move um conjunto de hélices que gera a tração ao avião.

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Enquanto no “jato” os gases de exaustão são a maior parcela da força de tração, no turboprop o papel se inverte e a força gerada no eixo que gira o conjunto é maior do que os gases expelidos. Existem turboprops onde a tração da hélice responde por até 90% da força, sendo complementada pelos gases de exaustão os demais 10%. As hélices acopladas na turbina via RGB convertem alto giro e baixo torque em baixo giro e alto torque, e nestes motores geralmente são de velocidade constante e pitch variável. Os propulsores do tipo turboélice são aplicados em aviões que voam abaixo dos 700Km/h, onde se tornam viáveis e eficientes.

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Em uma visão simplória, o turboprop consiste de uma entrada de ar, compressores, câmara de combustão e turbina. O principio de funcionamento é o mesmo dos “jatos”, onde a diferença é que a força gerada pelos gases faz com que um conjunto de hélice gire com grande torque. Os motores turboprops são caros e por isso geralmente são aplicados em aviões de alta performance em pousos e decolagens curtas (STOL), onde o importante é a performance em tais lugares e não a velocidade de cruzeiro. A aviação regional usa e abusa deste tipo de motor como os ATR, FOKKER 50, DASH 8, EMBRAER 110/120, CESSNA CARAVAN entre tantos outros.

O consumo de combustível é bem menor também, apenas comparando um ATR72-500 com motores PW127 consome em média 700Kg/h de combustível, enquanto um EMBRAER 170 com motores GE34-8 consome em média 1800Kg/h, ou seja mais que o dobro, para transportar os mesmos 70 passageiros. Em etapas de até 1 hora, a diferença entre um jato e turboprop acaba sendo NULA ou com variações de 3 à 5 minutos, o que os deixa em igualdade.

Portanto quando embarcares em um ATR ou EMB120 ou qualquer outro avião regional aplicado em nossa aviação Brasileira, não ache que é um ventilador ultrapassado, é apenas um motor que faz o mesmo do jato, só que com aparência diferente e a uma velocidade menor.

ATR-72 Passaredo - Foto do © Lito em Guarulhos

ATR-72 Passaredo – Foto do © Lito em Guarulhos

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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