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Spotting. Spotters. O que é isso?

Spotters do Morrinho

Spotters do Morrinho

Eles estão em todos os aeroportos do mundo. Câmera na mão e um desejo incontido de ter aquela foto, daquele prefixo, daquela pintura diferente. Se reúnem em grupos, fazem encontros, disputam. Muitos acabam entrando na aviação. Há também uma guerrinha de egos, mas acima de tudo há o verdadeiro spotter, o que fica embaixo de chuva e sol para um click, o que aprende só por amor a aviação e a câmera, esse post e essa foto acima é pra você.

Colo agora um texto da Alana Pereira que exprime bem o sentimento de um verdadeiro spotter:

Caramba… Quanta briguinha desnecessária vejo nos posts e grupos por aí.

Cada aeroporto tem suas peculiaridades.
PLU, GVR, podem ser parados, SDU e CGH podem ser tipicamente domésticos, aeroportos regionais podem ser, a princípio, entediantes em termos de tráfego.
Mas pode-se fazer fotos sensacionais em todos estes aeroportos. Já fiz fotos bem legais em PLU que não faria nunca em GRU por inúmeros fatores. Isso não exclui a possibilidade de fazer fotos perfeitas em GRU.
O modelo de aeronave chama a atenção, mas o spotting não se resume a fotografar aeronaves enormes, isso não te faz melhor ou pior.
Eu, particularmente, adoro Embraer e ATR, mas não deixo de fotografar outras aeronaves por causa disso. Amo o 787, mas não vou menosprezar um 737 por conta disso, independente de que companhia aérea seja. Acho o A350 esquisito, mas nem por isso vou sair depreciando o post dos outros.
Antigamente, Varig, VASP, TransBrasil, eram como TAM e GOL hoje em dia: não aguentamos mais vê-los, mas certamente algum dia eles nos farão falta, assim como os clássicos da aviação tocam fundo em nossa alma. Quem nunca sentiu a vontade de voltar no tempo pra ver um breguinha da VASP, que atire o primeiro F.O.D. no aeródromo.

Pensemos em MII (Marília, interior de SP). Se não me engano, são apenas um ou dois voos regulares por dia, e não são de 747. Mas a grade do aeroporto te deixa cara a cara com o avião.
E o que dizer de PLU. O deck de observação é magnífico!
E SDU. TAM, GOL, Azul o dia inteiro. Mas basta conversar com o segurança na guarita pra ficar de camarote, próximo à pista, vendo o avião dar full power na sua cara: spotters piram.
Já ouvi dizer que chamam IOS de St. Maarten brasileira. Nada comparado, mas deve ser animal a curta final desse aeroporto.
SSA é outro aeroporto tipicamente doméstico, mas incrível, e tem alguns tráfegos internacionais bem interessantes. Não, lá não pousa o A380. Mas o estacionamento, pra fotografar, é um sonho!

Tenho certeza que, assim como eu fico feliz pra burro em sair um pouco da rotina e ver a aviação regional se desenvolvendo nos pequenos aeroportos (porque aviões pequenos pousando são como filhotinhos), a galerinha que está acostumada com aeronaves de pequeno porte deve ficar hiper emocionada quando vem pra GRU.

Enfim, todo esse mimimi meu tem um único propósito: fazer com que a garotada que está iniciando no spotting entenda que fotografar aviões não se resume a fazer uma foto bonita de um avião grande com uma câmera fodástica pra postar nos sites, ficar famoso e ganhar curtidas.

Ser spotter é eternizar numa foto a emoção do voo, seja você espectador ou parte integrante; é colocar em imagens o arrepio sentido ao ver aquele avião de pertinho; é exteriorizar aquela felicidade interna que você sentiu ao ver aquele avião. É também guardar pra sempre o que um dia foi comum e se tornou raro. E principalmente, fazer desses momentos bons, seja com amigos ou sozinho numa bat caverna, lembranças boas pra guardar pra toda a vida.

Né?

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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