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TRIP – A história por quem ajudou a escrever a história – Parte III

Esta é a parte III, leia antes a parte II aqui e a parte I aqui.

Foto da Empresa

Foto da Empresa

A expansão havia custado caro à TRIP, prejuízos vultosos levaram a empresa a desenhar uma reestruturação. Os ATR mais antigos seriam aposentados em prol da padronização da frota com os ATR500 e ATR600. Alguns jatos EMBRAER 175 seriam retirados e alguns mercados redesenhados com os EMBRAER 190, porém em 26 de Maio de 2012 uma nota de jornal assustou a todos: Azul anunciará compra da TRIP. O boato tomou forma em 28 de Maio de 2012.

Um comunicado assinado por José Mário Caprioli e Renan Chieppe chegava aos e-mails dos funcionários naquela manhã: a maior regional da América Latina iria se fundir com a Azul. Pela tarde uma coletiva de imprensa colocava um ponto final nos 14 anos da TRIP e abria uma nova página nessa história. Ao longo de 2012 ficou decidido que a marca da empresa resultante seria Azul, fato anunciado pelo próprio José Mário Caprioli. O legado da TRIP? A cor diferenciada no U da Azul, lembrando para sempre a empresa, que ainda teria os quadradinhos tão queridos em sua cauda eternizada no Embraer 195, PR-AXV.

Operando com o CHETA TRIP e códigos T4/TIB ainda voaram alguns Embraer 195 da Azul afim de expandir rapidamente o hub de Guarulhos e o ATR72-600 de serial 1052, originalmente encomendado pela TRIP como PR-TKO não recebeu pintura com quadradinhos, se tornou PR-AQB e foi o primeiro avião a ter cores da empresa resultante. As mudanças foram rápidas, mas algo ficou.

Brasília PP-PTB - TRIP

Brasília PP-PTB – TRIP

Ficou o legado daquela empresa familiar que ganhou uma energia colorida em cada um que veio da Transbrasil, melhorando com o know-how da eficiente gestão Águia Branca, o legado que viu e fez do ATR um avião perfeito para o mercado desejado, o legado escrito em cada dia dos 14 anos em que a TRIP existiu. Aquela TRIP que começou com um EMBRAER 120 de 30 assentos na rota de Noronha e depois pousou lá com EMBRAER 190 de 110 passageiros, quase 4 EMB120 de uma só vez. Os códigos T4/TIB voaram até Dezembro de 2013, encerrando uma história que será continuada dentro daquele U em tom mais claro nos aviões da Azul.

Meu avião tem asa alta e tons em prata!

Um dia meu telefone tocou, era um colega que havia saído da TRIP e trabalhando em outra empresa me confidenciou o desejo de voltar, isso antes dos tempos de fusão e perguntei se não estava gostando do novo trabalho e ele disparou: Meu avião tem asa alta e tons em prata! Guardei a frase, pois ela retrata exatamente o meu sentimento pela TRIP, diria que o sentimento de muitos!

Cheguei à TRIP em 2008, meu primeiro uniforme foi o vermelho, logo depois recebi a camisa prata, que foi vestida com amor, paixão e dedicação. A TRIP divide dentro do meu coração o mesmo amor que tenho até hoje pela minha primeira empresa, a Dinar. Ainda que eu tivesse tido três anos e pouco em outra empresa, foi na TRIP que tive meu primeiro curso de um avião, que foi o ATR42 em Campinas, uma experiência sem igual. Em Fevereiro de 2009 um presente: Line and Base do Embraer 170, na fábrica! E foi confinado no Hotel em São José dos Campos que eu tive meu maior insight na empresa, o F.O.S, onde eu ensinava cuidados com o avião, conhecimentos técnicos e acreditem: atendimento ao cliente. Em cada slide do F.O.S tinha um pouco de Dinar, um pouco do despachante que fui, e muito do mecânico que a TRIP me fez. O F.O.S foi uma criação isolada que depois aperfeiçoei ao lado de Emerson Melo, então supervisor da base CWB, hoje meu amigo pessoal. Participei da criação também do “norte” dos mecânicos de linha que foi o MAPRO.

Entrei na empresa como auxiliar de manutenção e “terminei” como mecânico pleno. Participei de momentos como os voos inaugurais para Aracajú, Vitória da Conquista, Ilhéus, Petrolina e Lençóis. Conheci pessoas magníficas, outras nem tanto. Fiz amizades que de certo ficarão para vida toda, aprendi muito, mudei até como pessoa, evoluí culturalmente. Conheci as cinco regiões do país e trabalhei em tantos lugares que se for citar corro risco de esquecer, mas recordo bem de períodos em PPB, SLZ, AJU, MAO, CGB, LDB, BSB, CCM e sem falar rápidos períodos em lugares como STM, FEN, BEL, REC, NAT.

PP-PTE TRIP

PP-PTE TRIP

Quando o PP-PTL parou para check e teve sua pintura raspada, deu uma tristeza no coração sem dúvidas, afinal era o desaparecimento daquela imagem fixa na cabeça e coração, uma imagem representativa em minha vida. Mas hoje quando o vejo voando em cores da Azul consigo rever tudo que vivi, tudo que a TRIP foi para mim dentro daquele U mais claro em sua fuselagem. Tenho 13 anos de aviação, mas os cinco anos na TRIP valeram por 10, é uma história que se torna impossível de separar de minha biografia pessoal e/ou profissional.

Este artigo é dedicado a cada um que fez parte dessa história, que colocou caracteres neste grande livro que foram os 14 anos de TRIP, cada um que com sua função e importância no sistema, fez uma empresa nascida no fundo de uma garagem de ônibus ter sido o que foi: “TRIP Linhas Aéreas, tem algo novo no ar!”

TTI Pernoitando - Foto Alexandre Alves

TTI Pernoitando – Foto Alexandre Alves

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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