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Turkish Air – Acidente em Amsterdã

Um avião da companhia aérea Turkish Airlines caiu nesta quarta-feira próximo ao aeroporto internacional de Schiphol, em Amsterdã (Holanda), com 127 passageiros, incluindo um bebê, e sete tripulantes a bordo. O voo saiu nesta manhã de Istambul, na Turquia, com destino a Amsterdã, na Holanda. De acordo com a Turkish Airlines, todos os ocupantes sobreviveram ao acidente. No entanto, algumas agências turcas afirmam que ao menos uma pessoa morreu.

Robin Van Lonkhuijsen/Reuters
Bombeiros entram em avião à procura de sobreviventes; ninguém morreu e as causas do acidente ainda são desconhecidas
Bombeiros entram em avião à procura de sobreviventes; ninguém morreu e as causas do acidente ainda são desconhecidas

O aeroporto está fechado. O voo TK1951, saiu do aeroporto Ataturk em Istambul às 8h22 (1h22 de Brasília) e o horário provável da queda foi às 10h (6h de Brasília). A aeronave, um Boeing 737-800, se partiu em três e perdeu um motor, uma asa e a cauda, a cerca de 100 metros de uma estrada. A aeronave tentava pousar no aeroporto, quando perdeu altitude e caiu.

As primeiras informações sobre o número de passageiros era de que 143 pessoas estavam a bordo. No entanto, em uma entrevista coletiva com o porta-voz da companhia aérea e autoridades turcas, foi divulgado que 134 pessoas estavam no avião.

“As autoridades insistem em afirmar que ninguém morreu. Alguns sobreviventes relatam que a parte traseira do avião teria sido atingida primeiro. Helicópteros e ambulâncias estão no local dando apoio para as equipes de resgate. A maioria das pessoas que estão no avião são turcas e alguns passageiros estão em estado de choque”, informa a correspondente da CNN no local.

De acordo com as autoridades locais, a maioria dos passageiros que estava na parte traseira do avião foi ferida, mas existem relatos de pessoas que não foram atingidas.

Resgate

Resgate

Resgate

Cerca de 30 ambulâncias prestam socorro. De acordo com a CNN, autoridades da embaixada turca em Amsterdã se dirigem ao local do acidente para prestar atendimento.

Segundo a CNN, ao menos 80 pessoas foram retiradas do avião. Os bombeiros informaram à emissora que existe a possibilidade de outros sobreviventes estarem andando nos arredores do acidente.

Em entrevista por telefone à CNN, o sobrevivente Huseyin Sumer disse que viu o avião se partindo. “A aeronave se partiu em três pedaços. Nós queremos avisar as pessoas que a situação não é séria”. Equipes da Turkish Airlines também estão no local do acidente para prestar socorro.

Segundo a rede de TV CNN, o avião seguia de Istambul (Turquia) para Amsterdã. Ainda não há informações sobre o que pode ter causado o acidente.

Fonte : Folha Online

Update – 05 Março de 2009

Eis o anúncio oficial da investigação do acidente (dados preliminares)

Dutch Safety Board Chairman Pieter van Vollenhoven disse ontem que “o Autothrottle system (AT) recebeu informações incorretas devido a um problema no radio altímetro (RA) esquerdo. O voice e flight recorder mostram que a 1950ft o RA esquerdo de repente mudou a indicação de 1950ft para -8ft e passou essa informação ao piloto automático (AP). Aparentemente o AT recebendo a informação dos motores com potência reduzida, interpretou essa informação como o estágio final de vôo e desacelerou os motores para marcha lenta (para executar o flare). Como resultado, a aeronave perdeu velocidade e inicialmente a tripulação não corrigiu (ou percebeu) o problema. A tripulação, que incluía um capitão, um primeiro oficial em treinamento e um terceiro piloto no cockpit “foram notificados que o RA esquerdo não estava funcionando” pelo sinal de “landing gear not down”, porém o sinal foi “ignorado” pela tripulaçao como se não fosse um problema. Porém, a desaceleração feita pelo AT reduziu a velocidade para pré-estol, quando então o alarme de estol acionou (stick shaker). A tripulação imediatamente tentou aplicar full power, contudo já era tarde demais para recuperar o voo, a aeronave estava muito baixa e se chocou com o solo a 1km do aeroporto. A velocidade com que a aeronave bateu no solo foi de 175km/h quando normalmente a velocidade de aproximação de um 737-800 naquelas condições seria de 260km/h.
As condições do tempo na hora do acidente eram de baixa visibilidade e a pista ainda não estava visível na altitude em que a descida começou devido a baixa aceleração, o que deve ter sido um fator contribuinte.

Bem, a investigação vai continuar ainda por muito tempo, mas já é possível “prever” alguns resultados através da liberação inicial da investigação: Human Factors. Pelo jeito que a história foi contada a tripulação não seguiu procedimentos operacionais estabelecidos. O fato de ter um piloto em treinamento contribuiu para a falta de “padrão” e cross-check na aproximação. Desde o início fui contrário à hipótese de pane seca (conforme comentários abaixo).
Houve uma falha em um sistema primário que poderia ter sido capturado facilmente pelos pilotos, mas isso não ocorreu (human factors novamente). Vão fazer um pente fino nos padrões de treinamento da Turkish.

Update: 02/Junho/2010

Um excelente vídeo com a reconstrução do acidente, que mostra bem a falha do rádio altímetro e a falta de SOP (standard operating procedures) no cockpit.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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