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Um Boeing 737-800 da PEGASUS saiu da pista durante o pouso em Trebizonda na Turquia

Pegasus 737 após o pouso em Trabzon

Pegasus 737 após o pouso em Trabzon

Um Boeing 737-800 da Pegasus Airlines, matrícula TC-CPF saiu da pista após o pouso em Trebizonda (Trabzon em inglês), não houve feridos apesar da evacuação em emergência. Há vídeos na internet de passageiros filmando a evacuação.
A Pegasus é uma companhia aérea Low-Cost turca baseada em Istambul, e opera desde 1990, com uma das tarifas mais baixas da Europa.

As imagens após o acidente são impressionantes, mas não revelam o que pode ter acontecido durante o pouso. Como é de se esperar, neste momento há muita especulação sobre problemas nos freios, o piloto deveria ter arremetido, problemas de reversor, “derrapagem” e mais uma infinidade de “palpites” aleatórios.

Não é possível saber neste momento o que houve, apenas os fatos: Pouso noturno, chuva fraca e quase sem vento. O avião tinham menos de 5 anos na empresa (isso é quase zero quilômetro na aviação) e não será recuperado. E para quem está curioso em saber como vão tirar este avião de lá, deem uma olhada neste vídeo em que mostro como se tira um avião de situações assim.

A investigação vai revelar o que ocorreu para essa excursão de pista, se fatores humanos ou mecânicos (ou os dois) contribuíram e qual a causa raiz, muito embora a Turquia não tenha um histórico muito bom em liberar os resultados de investigação de forma transparente como a maioria dos países, o que não contribui para a segurança aérea.

Este acidente reforça uma tendência atual na aviação – apesar de graves, as pessoas têm saído ilesas de acidentes em que há perda total da célula, o que demonstra que algumas ações de engenharia e de procedimento operacional de cabine têm surtido um efeito positivo na segurança.

Aguardemos então a boa vontade do órgão investigador da Turquia para termos um relatório preliminar e entender como isso pode ter acontecido.

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
  • Vítor Hugo Menino

    Muito obrigado pela informação, Lito.

  • Rafael Peres

    Impressionante a atitude que a aeronave ficou! Pelo ASN ninguém se feriu gravemente, apesar da dificuldade de evacuar a aeronave com um declive destes. Mais uma prova da segurança de cabine (cabin Safety / crashworthiness).

  • Daniel Oliveira

    Eu entendi bem??? O avião vai ser inutilizado depois disso?

    • Wagner

      Vc teria coragem de voar nele dps do acidente? rsrs…

      • Daniel Oliveira

        Wagner, depende viu? Se algum engenheiro conferir a reforma e assinar o laudo, voaria sim!

        • ADAM ROCKERFELT

          Existe seguro justamente para isso, analisar se vale a pena o conserto, no caso de aeronaves não é como uma lata velha de um carro que qualquer massa plástica resolve a aparência.

          Os estragos foram muitos.

        • António Figueiredo

          e que era o engenheiro maluco que ia assinar o laudo da reparação de uma carcaça toda torcida o Daniel???

          • Daniel Oliveira

            Mas você viu se a carcaça tá torcida pela foto? Ela foi feita pra sofrer leves torções, teria que ser avaliado, enfim..

          • Thiago Garcia de Lima

            Um charuto de 39 metros de comprimento que pela altura da deriva na foto deve ter despencado pelo menos uns 10 metros, Deus e a FDR sabem a qual velocidade, certamente está todo desalinhado, isso sem falar nas asas, suporte dos pylons, etc.

        • Wagner

          Boa!

        • Lucas Vieira

          Fizeram isso no Jumbo da JAL, como dizia o mestre Raul, selado, registrado, carimbado, avaliado e rotulado se quiser voar.

    • Diego Mendes Fernandes

      já que é uma low-cost, não deve valer a pena o “conserto”.

      • Lucas Vieira

        Compensa mais tirar o que não quebrou e vale $$$ e transformar o resto em panela.

    • ADAM ROCKERFELT

      você viu o estrago do motor direito? Foi arrancado fora, por baixo da aeronave ficou bem destruído, trens de pouso arrebentaram com toda a estrutura na parte de baixo.

  • Diego Mendes Fernandes

    “Este acidente reforça uma tendência atual na aviação – apesar de graves, as pessoas têm saído ilesas de acidentes em que há perda total da célula, o que demonstra que algumas ações de engenharia e de procedimento operacional de cabine têm surtido um efeito positivo na segurança”.

    Ai você para e lembra que um avião caiu e matou mais de 70 pessoas, simplesmente pq não tinha combustivel.

    • ADAM ROCKERFELT

      Pois é, pode ter a segurança operacional que for, bateu lata contra chão a mais de 250 km/h, já era.

    • Bruno Henrique Biscouto

      Isso que ele disse vale para aviação comercial e não para a aviação particular, o avião do chapecoense, era um voo particular fretado pelo time, infelizmente as regras da aviação comercial não são as mesmas da particular, 2017 foi o ano mais segura da aviação comercial em toda a historia (Video do Lito: https://www.youtube.com/watch?v=u-d0UOKPrJ4),
      Sobre o trecho que você destacou e juntando sobre o acidente da chapecoense” : as pessoas têm saído ilesas de acidentes em que há perda total da célula, o que demonstra que algumas ações de engenharia e de procedimento operacional de cabine têm surtido um efeito positivo na segurança”. Pense que o British Aerospace 146, aeronave do acidente, ficou sem combustível, e bateu de encontro ao solo ainda sim houve 6 sobreviventes ou seja a estrutura do avião suportou um grande impacto, logico que se pensar no outros 71 mortos não parece seguro, mas esse avião tinha 17 anos de existência, a primeira fabricação do modelo data de 1983 e o CP-2933 que sofreu o acidente foi fabricado em 1998~1999, pense o quanto a engenharia e procedimentos na aviação comercial evoluíram nesse tempo, o acidente poderia ser evitado? Sim porem houve alguma falsificação ou suborno que fez o avião ser liberado com combustível no limite( ha outro vídeo que o Lito explica melhor o acidente) infelizmente o maior problema ainda é o fator humano…

    • Gustavo Silva

      Vale lembrar, também, que segundo relatos da tripulação, muita gente não seguiu as orientações de segurança para pouso de emergência

  • Bruno Barreto

    eu vi uma vez na tv no discovery que no final da pista do aeroporto ou em volta era algo assim, o cimento afundava com o peco do aviao e assim evitava ele sair da pista e ajudava a frear tambem isso nao virou obrigatorio ? e muito antigo essa meteria tipo 2009 2010

    • É o EMAS (Engineered material arresting system). Mas não é obrigatório

  • Cleiton Bernardo

    Sem novos pedidos, Airbus cessará programa A380. lito isso é verdade?

    • Igor Albert Canavarro

      Guardadas as proporções, o A380 é pra aviação subsônica o que o Concorde foi pra supersônica. Um avião caro e que poucas cias. aéreas podem manter. Se a Airbus parar com sua fabricação não será surpresa nenhuma!

      • Cleiton Bernardo

        Ok obrigado pela informação

        • Igor Albert Canavarro

          Complementando a informação acima Cleiton, a Emirates Airlines tá demorando a definir se fará novos pedidos do modelo. Se a cia. árabe não fechar uma média de seis pedidos de aviões dessa série por ano pelos próximos 10 anos, a Airbus não vai ter outra saída, senão parar de vez com a produção do A380.

  • Wanderson Santos

    O Boeing 737-800 provavelmente estava rápido de mais para efetuar o pouso
    Ou entre (mal cálculo da velocidade de aproximação na cabeceira da pista)

  • Eder

    Quem tirou o cinto antes da parada total da aeronave teve um dia péssimo.

  • José Luís

    Olá Lito.

    Saudações
    aeronáuticas eh eh

    Sou teu
    seguidor desde Portugal há anos, sempre gostei de aviões, e mais da maneira
    como tu explicas, és uma pessoa super acessível e muito simpática.

    Olha há uma dúvida
    que tenho há anos, e nem mesmo nos teus vídeos nunca encontrei explicação.

    Mesmo ainda
    há pouco tempo existiu o acidente do voo Air France AF 447, e tem havido tantos
    problemas de estol (perda sustentação), ou seja muitas vezes problemas nos
    tubos pilot (obstrução), ou mesmo no tal “horizonte do avião” pela
    noite por confusão dos pilotos, por falta de luz, por não verem o horizonte da
    terra, ou terem noção da velocidade, ou direção do avião.

    A minha
    pergunta é simples, desde há muitos anos que eu com um simples smartphone com
    GPS consigo mesmo lá no alto, apanhar satélites e ver velocidade, altura, e
    perceber onde vamos na viagem ou localização do avião…. Porque o avião não
    tem ?? Ou acredito tenha, porque não é usado?

    Como exemplo
    uso novamente o voo da air france, eles levantaram o nariz do avião, e nunca
    perceberam estavam com pouca velocidade, outro voo já não me lembra o nome,
    congelou aqueles indicadores de inclinação da cabine na descida e os pilotos
    induzidos em erro tiveram acidente…. Acidentes contra florestas, ou montanhas de
    noite ou em dias de nevoeiro, que o piloto está a fazer aproximação ao
    aeroporto e por alguma razão sai ou desvia da rota ???

    Parece incrível, como algo tão simples como Google maps, diria velocidade e uma
    localização mais exata do avião e todos estes acidentes seriam evitados, pois
    os pilotos perceberiam ou estavam longe da pista, ou perto de uma montanha, ou
    quase em perda de sustentação por falta de velocidade.

    Porque não
    se utiliza mais o gps então????

    Obrigado

    José Luís

  • José Augusto Aranha

    Vi um vídeo seu sobre o GPWS muito bem explicado. Sei que essa matéria não trata disso , mas se possível poderia me informar se este alarme pode ser desligado acidentalmente na aterrissagem em um bimotor Beechcraft King Air?

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