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Uma breve história da Passaredo

Há algum tempo uns leitores sugeriram contar histórias de empresas ainda ativas, assim escolhi a PASSAREDO para iniciar essa série e posso começar dissertando da seguinte forma: Assim como os pássaros que nascem no chão e depois alcançam os céus nasceu a PASSAREDO LINHAS AÉREAS!
Em 1978, José Luiz Felício criava a Passaredo no interior de SP, Ônibus com serviços corporativos de qualidade e respeito ao consumidor. Nos anos 90, já sendo um grupo respeitado, decidiu diversificar e tentar o setor aéreo, até porque o filho do Seu José Luiz já se encaminhava para ser Comandante de Aeronaves.

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Eis que surgia a PASSAREDO TRANSPORTES AÉREOS, com aeronaves EMB120 ligando cidades como Ribeirão Preto para Goiânia, Brasília, São Paulo, Curitiba, São José dos Campos, Belo Horizonte e Vitória da Conquista. O negócio deu certo e logo três EMB120 voavam na empresa, PP-PSA, PSB, PSC, quando um passo enorme aconteceu: a introdução de um AIRBUS A310. Tínhamos agora uma regional que oferecia 90 assentos se aventurando com um pool de operadoras turísticas. Não menos importante mirou a fábrica de dinheiro, os ATR42 recebidos em 1999, mas a desvalorização do real fez com que a empresa voltasse ao trio de EMB120 e por fim ainda perdeu um por questões judiciais, o PP-PSC. Sem saída ao dia 4 de Abril de 2002, José Luiz Felício preservou o patrimônio da empresa, encerrando as operações para voltar em condições mais favoráveis no futuro.

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Em Março de 2004, após um longo período de estudos e preparação, José Luiz Felício Filho, o Luizinho para íntimos ou Comandante Felício, mostrou o seu arrojo ao enfrentar a reabertura de uma empresa que ficou 2 anos com seus aviões parados apenas em preservação em Ribeirão Preto e logo ressurgiu a Passaredo Linhas Aéreas com o PP-PSA. Posteriormente o PP-PSB entrou em rota e a companhia chegou até a Bahia de novo na rota Ribeirão Preto – Brasília – Barreiras – Salvador – Vitória da Conquista. Os planos deram certo, o Cmte.Felício comandava a empresa não só atrás da mesa como atrás do manche também, eu vi, eu voei. Para dar fôlego ao crescimento e atender ao Rio de Janeiro, arrendou da OceanAir o EMB120 PR-OAN e comprou nos EUA o PR-PSD, apelidado de Batmovel por suas cores pretas. A vigorosa expansão chegou em 2008 com planos audaciosos que incluíram comprar mais 2 EMB120 PT-SLD e PT-SLE, ambos ex-OceanAir e a chegada dos dois primeiros jatos EMBRAER 145, além de uma nova identidade visual, moderna e com cores diferentes do comum nos aeroportos.

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Mas o ERJ145 logo apresentou suas credenciais de avião oneroso* e a empresa que já havia efetuado o phase-out dos EMB120 e estava com 14 jatos sentiu o golpe, sobretudo quando o PR-PSJ varou a pista em um acidente na cidade de Vitória da Conquista, Bahia e começou a rever rotas e seu planejamento. Operou até um ERJ135, inédito no Brasil. Ainda assim em 2012, fez uma belíssima ação ao adesivar um ERJ145 em homenagem aos 60 anos da ESQUADRILHA DA FUMAÇA, ideia do Cmte.Thiago Sabino e aprovada pelo Cmte.Felício, uma grande ação em nome da historia da aviação. No mesmo período anunciou uma encomenda de 24 ATR72-600 quando o que já se comentava se concretizou: CRISE FINANCEIRA GRAVÍSSIMA! A Passaredo retiraria de operação todos ERJ145 de vez, um golpe na malha, demissões, atrasos e desconfiança do mercado. Com um trio de ATR72-600 PR-PDA, PDB, PDC como a Passaredo iria se levantar? Muitos davam a companhia como tendo seus dias finais contados, quando na verdade o que se viu foi um grupo de funcionários dedicados, um presidente a frente da situação e a própria vitória de 2004, um plano de recuperação judicial, apoiada em 6 ATR72 (quatro -600 e dois -500), uma rede de rotas focada em alta rentabilidade e destinos onde a companhia tinha prestígio. E assim a PASSAREDO ficou de pé e se tornou não apenas a única companhia aérea Brasileira a encerrar operações e voltar posteriormente, como também foi a primeira a ter o seu plano de recuperação judicial aprovado e agora olha para o amanhã, na expectativa de voltar a crescer nas asas dos lucrativos aviões ATR.

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O direito autoral das fotos pertence aos autores, presentes na marca d’água. Agradecimento ao Carlos Dória, que é leitor do AeM e possui um gigantesco acervo de fotos.

*Nota do Blog: Oneroso para o Brasil, pois serve de espinha dorsal para várias regionais americanas dando lucro constante.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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