banner pneufree.com

Uma nova era supersônica pra quem tem saudades do Concorde

CeWCec3VAAAhScy

Quem não lembra do Concorde não é?
Pois bem, uma empresa chamada Boom Technology (trocadilho com o Sonic Boom, que é o barulho que ocorre ao se quebrar a barreira do som) está juntando gente da mais alta estirpe técnica e empresarial para nos trazer de volta à era supersônica. Entre estes aliados está o bilionário Richard Branson com seu know how de aventuras no espaço com a Virgin Galactic e seu grupo de engenheiros da “The Spaceship Company”.

A Boom é baseada em Denver (Colorado) mas tem algumas conexões com Seattle (errr, sabem que a Boeing fica lá né?). O CEO e fundador da empresa se chama Blake Scholl e em seu currículo tem algumas notas como ter sido o pioneiro a desenvolver o sistema de automação de marketing da Amazon. O chefe dos engenheiros de sistemas é Michael Reid, que trabalhou simplesmente no Boeing 787 Dreamliner. A equipe também conta com veteranos da Lockheed Martin (cês sabem né? aquele povo que inventou o SR-71..pxxxiiuu, não contem pra ninguém), da Pratt & Whitney e outros pesos pesados da indústria aeroespacial.

Os planos dos “garotos” são de voar um passageiro de Londres a New York em 3.4 horas (o mesmo tempo do Concorde), custando apenas USD 5.000 ida e volta (o Concorde custava USD 7.000 apenas ida!) com uma velocidade máxima de 1.451 mph (aprox. 2700 km/h)

Voar de San Francisco para Tokyo vai levar 4.7 horas e custar USD 6.500, e o melhor de tudo, Los Angeles para Sydney em apenas 6 horas custará USD 7.000.

Claro que tudo isso ainda está no campo teórico até que o avião seja construído (aliás, já há um protótipo em escala sendo construído em Denver). Os primeiros voos de teste estão programados para o final de 2017 e os voos supersônicos serão próximos à Base Aérea de Edwards na Califórnia.

Como a Virgin está envolvida no corpo técnico (e confirmou isso em um email para Geekwire), terá opção de compra dos 10 primeiros da linha de montagem (sempre que falo isso me lembro de ponta de estoque). O preço por unidade é estimado em USD 200 milhões ( o 787-9 possui um preço de tabela de USD 249 milhões).

O voo supersônico possui dois problemas – um é o custo elevado de consumo de combustível para acelerar o bicho a ponto de quebrar a barreira do som (Mach 1). O outro e principal hoje em dia é o barulho sônico. Temos tanta legislação ambiental protegendo os seres humanos de ruídos que um avião em velocidade supersônica produzindo uma esteira constante de “boom” jamais será aprovado e homologado. A boa notícia é que a NASA e a Lockheed estão com um projeto de USD 20 milhões (Quiet Supersonic Technology – QueSST) para obter um desenho de “low-boom” supersônico, e com certeza as descobertas serão usadas no Boom.

Desenvolver, construir e voar um supersônico silencioso é o próximo passo em nosso caminho para habilitar a indústria aeronáutica a desenvolver o voo supersônico para passageiros novamente. Jaiwon Shin, associate administrator para NASA Aeronautics Research Mission

A Boeing tem pesquisado voos supersônicos desde os anos 60, até o próprio 787 começou com um design para cruzar em voo transônico (Sonic Cruiser), mas o projeto foi modificado porque os compradores preferiram baixo custo operacional ao invés de alta velocidade.

Não há muitas informações sobre o design do Boom, mas aparenta ser um avião pequeno para 80 40 passageiros (se considerarmos 2 assentos apenas 1 assento por janela), mas o fato é que este sim é um design que dá para acreditar e não aquela porcaria de cápsula de salvamento que só quem não sabe nada de Física acredita.

A propósito, a Boom tá contratando talentos, é só ir lá no site deles.

Render mostra o avião em Londres. Eu contei as janelas aí para ter uma ideia do número de passageiros

Render mostra o avião em Londres. Eu contei as janelas aí para ter uma ideia do número de passageiros

Tags: , ,

Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
banner livro
Topo