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Uma outra visão sobre o novo incidente com a bateria do 787 da JAL

O Wall Street Journal foi o primeiro a noticiar, e lógico em seguida todos os outros veículos de imprensa (Ex: uol, globo), e todos basicamente com o mesmo conteúdo: problemas na bateria afetam o 787 exatamente um ano após terem ficado impedidos de voar.

Vamos ver as coisas por uma outra ótica, ou melhor dizendo, vamos ver do ponto de vista real sem dramatização:

O sistema de contenção e isolamento da bateria de Li-Io desenvolvido pela Boeing funcionou perfeitamente.
Simples assim.
O que deixou o B787 parado por meses na verdade não foi nem a bateria, foi o fato de uma falha em um sistema (qualquer) do avião comprometer outro sistema, ou seja, naquela ocasião a falha da bateria fez com que ocorresse um princípio de incêndio no incidente da JAL e o vazamento de eletrólito não foi “dumped overboard” (jogado para fora) de maneira apropriada no incidente da ANA.

Solução Boeing

Desta vez o que ocorreu foi o seguinte: O B787 da JAL passava por check de manutenção quando o mecânico que estava no cockpit viu uma fumaça branca pela janela. Ao descer correndo para averiguar, não havia mais fumaça. Quando retornou ao cockpit, os computadores indicavam que havia uma falha na bateria e no carregador principal. Ao entrar no compartimento eletrônico, percebeu que uma das 8 células da bateria havia falhado e seu conteúdo drenado exatamente como a Boeing projetou.

Não é de admirar que as ações tanto da Boeing quanto da JAL não sofreram nada após o incidente, afinal o sistema funcionou perfeitamente! Pelo jeito o mercado financeiro possui assessoria mais competente do que alguns órgãos de imprensa.

Tá ok, mas eu morro de medo de voar, e se isto tivesse ocorrido em voo e com passageiros a bordo?

Em matéria de segurança nada teria acontecido, mas teríamos a mesma notícia informando que um 787 pousou em emergência por problemas na bateria, só isso. Se fossem pesquisar a fundo, saberiam que a bateria no 787 não é um equipamento essencial como nos outros aviões, ela tem mais funções no solo do que em voo. As vezes pode parecer que as coisas não são tão simples quanto eu escrevo, mas eu trabalho com isso, uma pane em bateria não é o fim do mundo e todos os aviões passam por isso, e se acontecer no meio do oceano atlântico o avião vai prosseguir até um aeroporto que possa pousar sem colocar em risco a segurança dos passageiros. É simples assim. O que é complexo é como se chega nessa simplicidade.

Então só para deixar claro: O sistema que a Boeing desenvolveu para a segurança em caso de falha de bateria funcionou de maneira brilhante e o design deveria ser aplaudido. Agora o fabricante da bateria e do carregador precisam pedalar mais um pouquinho para estabilizar os íons de Lito..ops..Lítio :)

E uns passarinhos andam piando que uma empresa americana talvez voe para São Paulo com o Dreamliner…quem será? :P

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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