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Uma pequena história do Airbus A-310 no Brasil

Em Dezembro de 1997, exatamente pela manhã do dia 19, pousava em Guarulhos um Airbus A310-300 matriculado PP-PSD! Era a primeira vez que um Airbus A310 seria operado no Brasil, pela PASSAREDO, uma pequena regional que então tinha 3 EMB120 BRASÍLIA!!! Vale voltar um pouco no tempo e recordar que a VASP encomendou 9 Airbus A310-300 nos anos 80 e o negócio não foi adiante e os aviões acabaram voando na DELTA.

Passaredo PP-PSD

Curiosamente, um mês antes do PASSAREDO, havia passado por São Paulo, um A310-300 matriculado PP-SFH, teoricamente um avião VASP, pórem dedicado a ECUATORIANA, que na época pertencia a VASP. Era um meio de burlar o sistema, pois o FAA não queria ver aviões com bandeira do Equador sobrevoando seu território, por questões de segurança.

Ecuatoriana (Vasp) PP-SFH

O A310 era continuidade do A300, era o ínicio do conceito família da AIRBUS! Pórem os A310 eram mais modernos que os A300 que operavam no Brasil, logo em seguida a Airbus apresentou o A300-600 que faria dupla com o A310 por muitos anos pela aviação mundial!

Uma dúvida porém pairava no ar: como a PASSAREDO e um trio de EMB120 havia chegado tão rápido ao mundo dos widebodies? A questão é que nesta época, o país vivia um “boom” de turismo e um “pool” de agências se reuniu para arrendar um par de Boeing 757-200, pórem a Airbus ao saber do rumor, apresentou o A310, que então já havia sido homologado lá nos anos 80 por causa da VASP, ao contrário do 757 que apesar de ter sido encomendado pela TRANSBRASIL não chegou ao ponto de estar apto a operar no Brasil em termos de papelada!

E onde a PASSAREDO entra no meio de um pool de agências? As agências precisavam de uma empresa que operasse os aviões e que “emprestasse” o CHETA! E assim chegaram o PP-PSD e PP-PSE e entraram em operação com 244 assentos (veja só, mais que os A300 da VASP!), isso após reclamações de aperto, pois os A310 chegaram com 263 assentos! Lata de sardinha é apelido.

Mas a PASSAREDO acabou saindo fora do negócio em Outubro de 1998, e o PP-PSD assumiu uma nova empresa, a BRA – Brasil Rodo Aéreo, que operaria anos depois com 737-300/400 e 767 até ser encampada pela OceanAir, mas isso é outra história!

O fato é que a operação do A310 na PASSAREDO foi bem dolorosa, comprometendo a operação regional em termos de caixa. Outro “prejuízo” para a PASSAREDO é que muitos atribuem o apelido injusto de “Passamedo” devido brincadeirinhas no Aeroporto de Porto Seguro a despeito do tempo de solo dilatado dos A310 por vezes para esfriar os conjuntos de freios.

Aliás a companhia levou a risca o que a Airbus havia dito no papel e apesar da LUFTHANSA TECHNIK cuidar do avião em Guarulhos, os aviões acabaram manchando a imagem da operação, pois as panes aconteciam e o suprimento de peças não era fácil, simplesmente demoravam para vir da França.

O PP-PSE foi embora do Brasil em Agosto de 1999, seguido pelo PP-PSD tempos depois. Já em mãos da BRA, o avião teve problemas em um dos motores e simplesmente a demora de peças levou a ILFC a retomar o avião, com receio do mesmo ter um destino parecido com o que as empresas de leasing japonesas viam com os MD11 na VASP sendo canibalizados em céu aberto em GRU. Aliás, o PP-SFH, A310 “da VASP” também foi retomado pelo lessor e convertido em cargueiro.

Passaredo PP-PSE

A passagem desses aviões foi positiva para tripulantes, passageiros e até para seus operadores que tiveram em mãos um avião moderno e eficiente, pórem a crise economica de 1999/2000 inviabilizou a continuidade dos serviços e os aviões foram embora, o PP-PSD continuou voando tranquilamente ao redor do mundo, infelizmente o mesmo não ocorreu ao PP-PSE, que voando pela YEMENIA como 7O-ADJ veio a se acidentar, com apenas um sobrevivente em um vôo lotado.

A história do A310 ficaria engavetada entre 2000 até 2010, quando a operadora Portuguesa WHITE criou uma subsidiária no Brasil, dedicando a esta um A310 matriculado PR-WTA, operou charters a partir de GRU/VCP para o Caribe, e por vezes foi socorrer a densa malha charter da WHITE em Portugal até retornar para lá! Outra passagem interessante dos A310 no Brasil foram operações charters e regulares! Uma operadora charter o usou muito entre Buenos Aires – Porto Seguro – Salvador, era a AIR PLUS COMET, com um deles sendo figurinha carimbada em BPS, era o EC-GOT!

Whitejets PR-WTA

Já em termos regulares a TAP PORTUGAL usou e abusou da versatilidade dos A310 em rotas a partir do Nordeste e só foi retirado da malha para o Brasil quando da entrega dos A330-200 da flag carrier lusitana!

Meu grande questionamento sobre esses aviões: Como será que a VASP o teria operado? Quais as rotas? Quanto tempo teria durado?

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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