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Uma pequena história do Boeing 727, parte 1

Quando eu nasci em 1982, quase 50 Boeings 727 voavam no Brasil, tirando os 8 “SUPER 200” da VASP, todos demais eram da versão 100. Voei na barriga de mainha, risos, em um da TRANSBRASIL, então sua maior operadora e o tipo era o único de sua frota! O Boeing 727 era sinônimo de viajar no Brasil, tal como o 737. A presença do tipo ainda se reforçava com os operadores Sul-Americanos tipo LAB, LADECO, AEROLINEAS ARGENTINAS, PLUNA que vinham do restante do continente para o Brasil.

Propaganda da época

Propaganda da época


Em 1968, a CRUZEIRO DO SUL encomendou quatro 727, mas quem acabou recebendo o avião primeiro foi a VARIG com a chegada do PP-VLF/PP-VLG em Outubro de 1970. Este tipo atravessou décadas, apenas após os anos 2000 foi que a VARIGLOG parou seus 727-100F. A CRUZEIRO encomendou primeiro e recebeu seus aviões PP-CJE, PP-CJF, PP-CJG direto da fábrica entre 1970 e 1972, esses aviões voavam suas rotas domésticas de maior densidade e também as rotas para Buenos Aires, Montevideo, Bogotá. O avião apresentou bons resultados e mais unidades vieram, totalizando 8 (CJH, CJI, CJJ, CJK, CJL, além do JE, JF, JG). Esses aviões ficaram até 1992 voando na frota da CRUZEIRO mesmo após a aquisição da companhia estrelada pela VARIG. A empresa na época lançou uma campanha publicitária de que tais aviões eram uma viagem ao ano de 2003! Mas o país conheceu o 727 através da VARIG que operou o avião tanto no transporte regular de passageiros como de carga.

Propaganda da Cruzeiro

Propaganda da Cruzeiro


A TRANSBRASIL escreveu um capítulo a parte com a aeronave no país. O esquema colorido, chamado de riquezas do Brasil e posteriormente com o lançamento do arco-íris fizeram da empresa do Comandante Omar Fontana o maior operador do continente. Foram os 727 da TRANSBRASIL que iniciaram a RPN – Rede Postal Noturna, transportando cargas do Correios pelas madrugadas, valendo-se da configuração QC (Quick-Change) onde em 4 minutos os aviões eram convertidos de PAX para CARGO e vice-versa. Foi através da TRANSBRASIL que Fernando de Noronha passou a receber jatos em 1981 com o TR508/TR509, além de vôos que honravam o nome da empresa “TRANSBRASIL” saindo do sul ao amanhecer e chegando ao norte tarde da noite com múltiplas escalas. A semelhança entre máquina e operador fizeram até a TRANSBRASIL criar o personagem “AGENTE 727” que promovia descontos e propagandas da empresa. Uma característica marcante foi que ao aplicar o arco-iris, detalhes como asas, marcações da linhas de portas, logotipo da empresa, nome do avião e prefixo eram pintados com 1 das cores do arco-íris na cauda, exceto o amarelo por não ter contraste com o branco. O avião saiu da frota ao final de 1989 quando foi substituído pelos 737-300/400.

A VASP se notabilizou pelo uso dos 727-200, no entanto, operou um par de 727-100 no transporte de cargas no final dos anos 70, ambos aviões vieram da LUFTHANSA arrendados e voltaram ao final do período. Também outros operadores cargueiros fizeram-se presentes na lista de operadores como TNT-SAVA em operação que durou entre 1990 a 1992, a DIGEX, hoje oficina de manutenção também teve um 727-100 em sua frota durante 1991 até 1997. Sem dúvidas o operador cargo mais marcante foi a ITAPEMIRIM, cujos aviões oriundos da VARIG e CRUZEIRO operaram no começo dos anos 90, levando o amarelo famoso das rodovias através dos TRIBUS a cruzar as aerovias. A empresa ia muito bem e também se converteu em um operador de 727-200F posteriormente, mas em 1998 a companhia encerrou operações e seus aviões foram vendidos, um deles foi parar na famosa empresa africana TRANSAFRIK e aparece em um documentário francês sobre as operações africanas produzido a alguns anos.

727 VarigLog - Foto © Lito

727 VarigLog – Foto © Lito


Este avião cruzou diversos rincões do Brasil, de Porto Alegre à Manaus passando por Salvador, por Aracajú, Teresina, São Luís, Belém, Goiânia, Cuiabá, Campo Grande, Rio de Janeiro, Campinas, Recife, Fernando de Noronha sem fatos relevantes exceto um acidente fatal sob condições climáticas adversas do PT-TYS da TRANSBRASIL em Florianópolis em 1981. Tenho algumas recordações como um 727 da TRANSBRASIL passando baixo ao horizonte de uma casa que eu morava em 1988 e de ter visto 727-100 da CRUZEIRO em Salvador no pátio em um amanhecer, mais recentemente lembro dele operando na VARIGLOG.

Um belo avião que escreveu seu nome na Aviação Comercial Brasileira, aguardem a parte 2.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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