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Uma pequena história sobre os ATR que operam no Brasil

Em 1981, a Aérospatiale (França) e a Aeritalia (Itália) desenvolveram juntas um projeto para atender uma demanda de aeronaves regionais na faixa dos 50 assentos e a partir desta idéia nasceu a ATR, cujo primeiro projeto era o ATR42. Como concorrente direto havia o Fokker 50 (50 assentos, derivado do Fokker 27) e o Dash 8-300.

Com um projeto bem simplificado, o ATR saltou a frente de seus concorrentes e logo alguns anos depois teve sua primeira versão extendida, nascendo assim o ATR72.

A Fokker não esticou o Fokker 50 e a Bombardier só iria mexer no Dash 8 com a versão 400 muitos anos depois.

O ATR72 permitiu um incremento na capacidade de paxs mantendo a mesma versatilidade do ATR42, inclusive utilizando mesma tripulação.

No Brasil, essas aeronaves chegaram inicialmente com o modelo ATR42, via PANTANAL que recebeu o primeiro exemplar “zero km” matriculado PT-MFE (atualmente operando na TRIP).

PT-MFE

Outros operadores aderiram ao ATR como TOTAL, TRIP, PASSAREDO, UNEX, ATLANTICO. O ATR não requer muito suporte de solo e foi se firmando ao longo dos anos. Com o boom no mercado regional em meados dos anos 2000, TRIP e TOTAL sustentaram o seu crescimento através do ATR e a TOTAL trouxe dois ATR72-212 ao País, que foram o PR-TTI e PR-TTJ.

PR-TTI

Em 2007 o fabricante, aperfeiçoando seu equipamento lançou o ATR Série 600 (tanto 42 como 72) com suíte de aviônicos completamente redesenhada e assinada pela THALES, motores PW 127M com 5% a mais de potência que as versões anteriores e uma versão BOOSTER para incremento em decolagens em condições de alta temperatura e altitude. A AZUL e TRIP encomendaram a versão -600 e posteriormente a PASSAREDO efetuou contrato para arrendamento.

A TRIP, criada em 1998 com um par de EMB120, viu em 1999 no ATR a chance de aumentar sua oferta de assentos na linha Natal – Fernando de Noronha – Recife, e pouco a pouco foi adcionando mais unidades em sua frota até se tornar o segundo maior operador mundial com 33 unidades, tendo recebido em Novembro sua primeira unidade (PR-TKI) e ao final do mês o segundo avião (PR-TKJ) da série -600.

PR-TKI - © Alexandre Alves

Os ATR sustentam o crescimento verticalizado da TRIP, sendo apoiados nesta missão pelos jatos da Embraer (-175/-190).

O ATR é um avião cuja idéia já tem 30 anos de existência e o fabricante se esmera em melhorar o seu produto! Se os primeiros já possuem excelente lucratividade e eficiência operacional, a série -600 chega ao país com incremento de aviônicos e também com diversos recursos para tripulação e manutenção manusear a aeronave!

No tocante ao passageiro, poltronas com novo design oferecem maior conforto (e redução de peso por poltrona) e basta olhar um pouco mais para cima para notar nova iluminação LED, e ambientação das PSUs com duas tonalidades branca e azul, no padrão ARMONIA de design de cabine de paxs. Novos bins oferecem mais espaço e conforto durante o procedimento de embarque. O nível de ruído reduzido como a série -500 já vem praticando a anos.

Mas antes de embarcar vamos observar esta aeronave de 27 metros de comprimento, por 27 metros de envergadura por fora. Sob suas asas, um par de PW127M garantem baixo ruído, consumo de combustível reduzido e por tabela menor emissão de poluentes, de acordo com a ATR, a aeronave é 11% mais economica/menos poluente que um carro típico europeu em um trajeto de 200nm.

Não menos importante, o teto para um eventual monomotor foi acrescido em 1.000 pés com a nova motorização. Se para o passageiro ficou melhor, para os tripulantes e mecânicos também.

As comissárias vão tripular uma aeronave com melhor design interno perante as séries anteriores, os processos de embarque e desembarque serão otimizados pelo ganho de espaço. Para os mecânicos, suite de aviônicos nova, refletem em agilidade no processo de troca de componentes, leitura de falhas e otimização em testes como run-up por exemplo.

Cockpit ATR 72-600

Para os pilotos, uma workload menor, devido a clareza das informações através dos FMS e AUTOPILOT, dados exibidos em 5 telas digitais (como nos jatos Embraer 175/190, Airbus A318 até 340) possuem recursos de navegação e claridade de dados de vôo, muito superiores as séries anteriores.

E para a empresa? Os operadores que elegeram o ATR600 como parte de sua frota, dispõe de uma ferramenta lucrativa e de alta confiabilidade. Manutenção fácil, baixo custo, sem muitos requerimentos para operações de solo (porão a baixa altura em relação ao solo, embarque independente pela porta traseira).

Do pioneiro PT-MFE pela Pantanal ao mais novo ATR brasileiro o PR-TKK da TRIP, o ATR firma-se como o melhor avião regional, muito provavelmente garantindo seu nome na história tal como o Boeing 727 e 737 firmaram nos anos 70/80, Douglas DC3 e Electra II.

O ATR será sinônimo do seu nicho de mercado, assim como os citados marcaram em suas aplicações.

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Sobre o Autor

Alexandre Conrado, pesquisador de aviação e profissional no segmento desde 2001
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