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Vazou água na cabine do Airbus A380. Houve risco de queda?

Água escorrendo pelo teto do Airbus A380

Água escorrendo pelo teto do Airbus A380

Como tudo que ocorre hoje em dia, mais um incidente aeronáutico virou “viral” nas redes sociais (aquelas que a Globo não fala o nome, tipo Facebook, Twitter, etc). Para quem não viu ainda, o vídeo está abaixo e este é o link da notícia no UOL: Voo entre EUA e Austrália tem inundação e dá meia volta.

Obviamente não vou falar dos comentários dos leitores nos portais, pois culpam até o PT e o PSDB. Mas há que se considerar a seguinte questão:

De acordo com o sindicato dos engenheiros aeronáuticos, a falha colocou o avião em perigo. “Se a água tocasse os componentes eletrônicos, poderia fazer o avião cair”, disse o representante da entidade, Stephen (sic) Purvinas (o nome correto é Steve Purvina)UOL

Analisando friamente, a frase está correta. Se a água atingisse os componentes eletrônicos que comandam a aeronave, poderia haver perigo, mas não queda ainda.

Engenheiros aeronáuticos não são bobos. Explico.

  1. Pegue qualquer avião comercial e você perceberá que a fiação elétrica passa acima das tubulações de água e de outros fluídos hidráulicos, para que, caso ocorra um improvável vazamento em linhas de pressão, o fluído não entre em contato com os fios.
  2. Os centros eletrônicos, onde os equipamentos principais de comando e controle estão localizados (e que são sensíveis a umidade), ficam sob o piso. Como vimos no vídeo, o piso estava cheio d’água, então havia risco? Não, pois estes centros eletrônicos possuem um sistema de drenagem e proteção contra “inundação”. É uma espécie de bandeja com tubos que encaminham a água para a barriga do avião, de onde é expelida para a atmosfera. Esta bandeja cobre toda a parte do centro eletrônico.
  3. Nem todos os ovos estão dentro da mesma cesta. Os computadores e módulos de controle de voo não ficam localizados fisicamente no mesmo lugar – lembram da tal da redundância? Então mesmo que uma parte dos módulos eletrônicos de controle fosse comprometida, a outra parte estaria funcional e manteria o avião operacional.

E sabe qual o resultado de projetar as coisas pensando em tudo quanto é tipo de  falhas? Um mamute como o A380, que possui tanques gigantescos de água para suportar viagens de 16 horas com mais de 500 pessoas dando descarga e lavando as mãos, teve uma linha rompida, inundou o piso e retornou em segurança ao aeroporto.

E se você acha estranho um vazamento de água em um avião, pense na complexidade de se transportar água por tubos dentro de uma cabine que se mexe e balança o tempo todo, e que tem conexões e curvas que precisam ser flexíveis e de material compósito para ser mais leve… pensou? Admira é não acontecer mais vezes :P (brincadeirinha, o negócio é MUITO bem feito).

 

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Sobre o Autor

Graduado em Manutenção de Aeronaves, com muito bom senso :) 30 anos de aviação comercial (e contando), de Lockheed Electra à Boeing 787. Tentando simplificar a complexidade da aviação.
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