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Vickers Valiant, o Primeiro V-Bomber! #história

O primeiro jato a ser discutido é o Vickers Valiant, que foi o primeiro projeto apresentado e aprovado pela Royal Air Force, como bombardeiro de alta altitude e de capacidade nuclear tática.

Começo o texto com um pedido de desculpas pela demora em sair o primeiro texto de série V-Bombers, o V de vitória. Vida corrida, compromissos profissionais e acadêmicos em excessos, mas prometo que os outros textos virão sem atrasos. E se sintam à vontade para propor novas séries e textos, por favor.

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Quando o governo britânico comunicou que necessitava de uma aeronave que voasse a 50.000 pés, a uma velocidade média de 500 nós e fosse capaz de voar com bombas de 10.000lbs, 3 projetos foram apresentados: o Handley Page Victor, o Avro Vulcan e o Vickers Valiant. Todas as 3 aeronaves cumpriam os requerimentos de Londres. Porém o Vulcan e o Victor eram e acabaram sendo superiores ao projeto do Valiant.

Mesmo sendo um avião inferior aos demais, a Vickers apresentou seu projeto como sendo mais barato e com maior chances de não ocorrerem grandes problemas durante o desenvolvimento e produção, uma vez que o design era bem mais simplista que as demais aeronaves. E conseguiu a aprovação governamental para seguir adiante. No final eles estavam certos, o Victor teve problemas e o Vulcan teve que refazer o design inteiro da asa após o protótipo voar. Na época que projetar avião era coisa de gente talentosa e de visão (não desmerecendo a moçada de atualmente) lembrando que não existiam softwares de modelagem matemática e aerodinâmica para testar antes de produzir um protótipo de algum componente.

O design do Valiant era bem mais simples do que de seus concorrentes, ele possuía asa alta com um ângulo pequeno em relação a fuselagem, com inclinação negativa, um tanto quanto desajeitado e sem estilo, porém eficiente e barato.

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A partir de fevereiro de 1949 o pessoal da Vickers, trabalhou para fazer metros e mais metros de projeto em papel, virarem um avião, o resultado saiu do hangar e voou em Maio de 1951, pilotado por 2 pilotos de testes da Vickers. O primeiro jato que ainda não tinha o nome de Valiant, mas sim a designação WB210, voou de forma satisfatória e mostrou que a simplicidade do projeto era factível para um bombardeiro tático nuclear. Equipado com 4 motores jato de 9,500lbs de empuxo cada um, na asa, juntos a fuselagem. O primeiro jato sofreu um acidente fatal em 1952, quando em um teste de medição de ruído de cabine, os 2 motores que ficavam juntos a fuselagem foram desligados intencionalmente e na tentativa de acioná-los houve um vazamento de combustível por toda a superfície dos flaps e com a faísca gerada pelas tentativas de ignição a asa toda pegou fogo, os pilotos ejetaram e os engenheiros de teste conseguiram pular pela porta debaixo. O copiloto morreu na ejeção, se chocou contra a seção da cauda.

Mesmo com um acidente com morte, o projeto continuou, pouco tempo depois a segunda aeronave de testes ficou pronta, dessa vez com os novos quatro motores Rolls Royce Avon, curiosamente o primeiro motor a jato de fluxo axial (Lito explica pra gente depois!). O segundo avião foi vital para a consolidação do projeto. Para o início da produção pediram que o avião fosse também capaz de fazer bombardeios de baixa altitude e precisão, utilizando armamento convencional.

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O pedido para que o avião fosse capaz de virar um bombardeiro convencional, foi motivado pelo fato de que voar sobre a União Soviética, seria muito mais perigoso do que se imaginava, e ao mesmo tempo se iniciava o projeto de mísseis balísticos de longo alcance, capazes de carregar ogivas nucleares, ou seja, para um ataque devastador, aviões não seriam mais necessários. O Valiant teve mais problemas em relação a sua aplicação inicial, o míssil que estava sendo desenvolvido para ser levado por ele, teve seu projeto cancelado, mais um fator que se somou à adaptação do projeto, mudanças que foram cruciais para o fim prematuro da aeronave.

Ainda discutindo a questão de projetos e protótipos, o começo dos anos 50 foi o início da era do jato, logo era claro para os fabricantes que quem conseguisse colocar a tecnologia para uso civil teria um sucesso imenso. A Vickers usando a plataforma tecnológica Valiant apresentou um jato civil o Vickers1000. O projeto teve apoio da BOAC e do governo, mas fracassou, a aeronave tinha um custo muito mais alto que o novo Boeing 707, outro ponto negativo para o Valiant.

O primeiro jato de produção foi entregue em 1953. Diversos esquadrões foram montados ao redor do mundo, e mais de 100 aeronaves foram produzidas em diversas variações, houveram algumas aeronaves feitas para reabastecimento em voo de caças de suporte e escolta.

O Valiant foi usado na guerra de Suez, quando o Egito tentou nacionalizar o lucrativo canal de Suez (ligação entre mediterrâneo e mar arábico) que naquela época estava sob a chancela britânica. Os ataques foram a baixa altitude, um tipo de ataque que o Valiant não era dos mais eficientes.

E sim ele foi utilizado para sua aplicação inicial de bombardeiro nuclear, porém, obviamente, não em um ataque e sim em testes. Disparou a primeira bomba nuclear britânica feita para ser utilizada de um avião. E também participou dos testes da primeira arma nuclear de tipo hidrogênio.

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A produção da Valiant’s parou em 1957, devido ao alto custo, e que seus outros colegas V-Bombers eram aeronaves mais eficientes e com custo mais baixo. O Valiant sofreu com uma série de problemas estruturais devido ao seu uso em baixas altitudes, o maior problema era a fadiga na conexão das asas com a fuselagem. Houve um incidente de um jato que pousou com a metade de uma asa faltando.

O último Valiant em operação voou pela última vez em 1968. Colocando um fim ao primeiro jato de ataque nuclear britânico.

Prometo que a continuação da série vai ser mais extensa, o Valiant por ter vivido por pouco tempo não foi tão decisivo quanto os outros 2 V-Bombers! Espero a leitura de vocês na semana que vem, quando sai a continuação da série!

Um Abraço!

Victor Cândido
 

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Sobre o Autor

Espaço dedicado aos textos dos leitores do AeM que colaboram com artigos de aviação.
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