Déjà Vu

07 / 02 / 20050 Comentários

Trechos de um texto muito interessante de Marcos Nobre (Prof. de Filosofia na Unicamp).

É impressionante como um filme de animação do naipe de “Os Incríveis” é recebido e aplaudido sem nenhuma crítica.
Os meios de comunicação de massa falam apenas de cifras e de recursos técnicos. Nada se ouve sobre o fato desse desenho animado ser propaganda conservadora em sua forma mais sofisticada e, por isso, em sua forma mais brutal.
“Os Incríveis” é nada menos do que o elogio descarado daquele “americano médio”, “humilde, trabalhador e cheio de compaixão”, o “americano autêntico” cantado em prosa e verso pelo neoconservadorismo norte-americano, e que, na verdade, seria um super-herói oculto, reprimido por anos de insanidade de políticos e tribunais. No momento em que a pátria e o mundo estão sob ameaça terrorista, ele deixa a aposentadoria forçada para salvá-los.
E não apenas ele. O verdadeiro herói do filme é a família. A família tradicional, década de 1950, pai, mãe, três filhos, todos brancos. A mulher é novamente relegada ao lar e, enquanto tal, é a “mulher elástica”: realiza-se cuidando da casa, dos filhos e do marido. Cada membro da família é também um super-herói e eles têm de trabalhar juntos para salvar a si mesmos e ao mundo. No decorrer do filme, também o Sr. Incrível tem de aprender a trabalhar em equipe, tem de entender que são todos uma grande família, unidos contra a ameaça terrorista, e que cada um tem a sua função e seu papel.

Para ler mais sobre isso, clique aqui.

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