banner livro

Você voaria nesse avião?

Antes de tudo, assistam com atenção o vídeo abaixo:

 

Viram? Pois bem, este, pra quem não sabe, é o Blériot XI, número de série 14, a aeronave mais antiga do mundo ainda em condições de voo. A história deste exemplar específico está contada na descrição do vídeo no youtube, mas segue um resumo:

  • Uma das aeronaves originais da escola de Blériot em Hendon, Inglaterra, aberta antes do começo da 1ª Guerra Mundial;
  • Sofreu um acidente em 1912, foi estocada, depois recuperada e posta novamente em voo;
  • Foi adquirida por um colecionador em 1935, que a demonstrou em exibições particulares ao longo daquela década;
  • Esteve presente em várias edições da feira internacional de aviação em Farnborough, Inglaterra.
  • Possui motor Anzani de 3 cilindros e 24hp (e a julgar pelo barulho no vídeo, um motor 2 tempos).

Viram como parece frágil? Mas foi num avião deste exato modelo que o próprio construtor Louis Blériot atravessou, logo após o nascer do sol do dia 25 de Julho de 1909, os 35km de largura do Canal da Mancha – que separa a França da Inglaterra – em 37 minutos, uma média de pouco menos que 60km/h. E não pensem que foi num dia CAVOK, não! Logo após decolar de Calais, Blériot teve que enfrentar uma tempestade em formação e há quem diga que o motor Anzani só agüentou por causa de uma leve chuva que teria diminuído sua temperatura.

E provando um ditado da aviação que diz que um bom pouso é “aquele que você consegue sair andando”, Louis Blériot fez um bastante complicado em Dover, em que o trem de pouso se quebrou e houve danos à hélice, mas do qual saiu ileso para conquistar um dos vários prêmios de aviação do jornal londrino Daily Mail, no caso o anunciado no ano anterior, 1908, no valor de mil libras esterlinas (£ 1000), que nos valores de 2011 poderiam valer até 407 mil libras esterlinas, cerca de 1,15 milhões de reais. Belo prêmio, merecido ou não?

Esta façanha pôs o nome deste francês na história da aviação e o transformou em celebridade e também num construtor aeronáutico, que obteve grandes encomendas durante a 1ª Guerra Mundial. Em 1927, Blériot recebeu Charles Lindberg, então cruzando o Atlântico Norte com seu Spirit of St. Louis, ao pousar em Le Bourget, num dos voos mais famosos da história. Dois monstros sagrados da aviação, separados por 3 décadas mas unidos por suas fantásticas realizações ao voar sobre grandes massas d’água num mais-pesado-que-o-ar. Mais incrível que a aviação, só a história destes pioneiros!

Lucio Daou

Tags: , , , , , ,

Sobre o Autor

Espaço dedicado aos textos dos leitores do AeM que colaboram com artigos de aviação.
Topo