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Tudo Mudou Depois do Valujet 592

Vocês devem estar se perguntando, de onde veio esse fogo, o que foi o ruído gravado pela caixa preta do Voo ValuJet Airlines 592?

Lito, você sempre fala que o avião tem vários sistemas de detecção de fogo, tem extintores e tudo mais, não é? Pois bem, nem sempre foi assim. Muita coisa aconteceu para que a aviação chegasse nesse nível de segurança que nós temos hoje em dia… e esse acidente, mesmo tendo sido uma tragédia, uma fatalidade que tirou a vida de 110 pessoas, ele contribuiu em muitos aspectos para que muitos sistemas e procedimentos fossem aprimorados. Vamos entender um pouquinho mais sobre o que realmente aconteceu…

Os investigadores descobriram que no porão do voo 592 iam alguns CANISTERS de oxigênio, e no documento que foi entregue aos pilotos pela oficina de manutenção terceirizada, elas estavam descritas como “vazias”. Esses MINI CILINDROS de oxigênio na verdade eram os geradores químicos de oxigênio que funcionam para que os passageiros possam respirar em caso de despressurização. Sabe quando os comissários falam pra gente “em caso de despressurização, máscaras cairão automaticamente do compartimento superior?” Pois bem, ali no tal compartimento superior existem esses cilindros que geram oxigênio para as máscaras dos passageiros,

E no voo 592, a empresa ValuJet estava justamente transportando esses cilindros para outra base de operação deles para que fossem substituídos, já que estavam vencidos.
Aí começa uma sequência fatal de erros: 5 caixas desses cilindros tinham sido colocadas no compartimento frontal de carga do DC-9, porém, além de terem sido mal acomodadas, os “pins” de segurança, ou seja, os gatilhos dos cilindros estavam sem um lacre ou uma tampa que prevenisse a ativação desse oxigênio.

Outro erro cometido pelo pessoal que despachou a carga foi de escrever no documento apresentado à tripulação que esses cilindros supostamente estavam vazios, quando na verdade estavam cheios, o que muda bastante o cenário, já que existe um risco em transportar oxigênio, porque se ele é acidentalmente liberado, ele vai produzir calor. Se você quiser entender melhor, dá uma olhadinha nesse vídeo extra que eu fiz explicando sobre o transporte de oxigênio: https://www.youtube.com/watch?v=ZXavm…​

Além de tudo isso, ainda tem outro ponto importante: cilindros como esses são considerados artigos perigosos, e na época do acidente, a Valujet não tinha autorização do FAA para transportar esse tipo de produto. Viram quantos planetas se alinharam? Mas não para por aí…
Pra completar a crônica da morte anunciada, o tipo de compartimento de cargo onde foram acomodados esses cilindros era classe D, ou seja: era um porão que é totalmente confinado, selado, sem interação com o ar exterior, então se algum tipo de fogo iniciasse ali, ele seria extinto sozinho pela falta de oxigênio, já que sem oxigênio, não tem combustão, concordam? Por essa razão, não era necessário na época, para certificar a aeronave, que os porões classe D tivessem detectores de fumaça nem sistema de extinção de fogo, já que qualquer fogo que surgisse ali não afetaria a segurança do voo. Como vocês podem imaginar, muita coisa mudou depois desse acidente com o Voo ValuJet Airlines!

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